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domingo, junho 16, 2013

O PROFESSOR MARMITEIRO



Me assusta cada vez mais o nível de uma parte dos alunos que se encontra nas salas de aula de ensino superior, infelizmente especialmente nas instituições privadas, desse já tão sofrido Brasil cujo povo come picado e o governo arrota faisão.

Como entender que seja aceitável a existência de um aprendiz que vibra quando o professor avisa que não poderá dar aula, que pede para não fazer prova porque “prova é muito difícil” e pede que “passe um trabalho bem facilzinho” (e no dia da prova pede para que seja feita “em dupla”), que reclama o tempo todo de qualquer tarefa um pouco mais elaborada que seja solicitada, que chega sempre tarde e sai sempre cedo e que, finalmente, passa todo o pouco tempo que permanece na sala de aula conversando e/ou mexendo no celular, tablet ou computador? E ai do professor que colocar falta numa criatura dessas, cujo corpo até aparece na sala, mas que a mente, se é que ainda funciona minimamente, não passa nem perto da faculdade há anos...

Como assimilar uma pessoa que paga – ou cujos pais ou governo pagam – uma mensalidade de valor considerável para que lhe seja prestado determinado serviço, passe a maioria de seu tempo tentando sabotar a relação estabelecida entre si, como cliente e beneficiário dos serviços prestados, e a instituição contratada, através dos professores responsáveis pelo cumprimento do contrato?

Encontramos hoje nas salas de aula do ensino superior brasileiro, especialmente nas instituições de ensino particulares, o melhor e o pior da educação nacional.

De um lado, alunos interessados, esforçados, capazes e competentes, dispostos a sacrifícios diários para tentar ascender social, cultural e economicamente. São atenciosos, curiosos, críticos, questionam cada informação que não lhes faz sentido à primeira vista, adicionam informações ao conteúdo oferecido, às vezes com conhecimento até mais vasto que o próprio professor a respeito de certas especificidades da matéria ou, principalmente, de fatos e conceitos atuais sobre o assunto, pois que estão sempre ligados nas informações do segmento e pesquisando sobre a profissão, o mercado e suas permanentes mudanças e evolução. Não trato esses como alunos, prefiro entender que somos colegas e que, apesar de ainda estarem no estágio formativo da profissão, já têm dentro – e fora – de si todos os elementos que os habilitam a dividir comigo as frentes de trabalho que o mercado oferece.

Do outro lado, o suprassumo da incompetência intelectual brasileira, em sua maioria egressos das melhores escolas particulares disponíveis, filhos de pais que resolveram dar tudo de melhor que não puderam ter na juventude aos seus herdeiros e seguros de que se nada mais der certo, viverão às custas da família pelo resto da vida – e se esforçam muito para que nada dê certo.

Tratam o professor como um garçom de um restaurante a la carte, que deve lhes trazer a comida prontinha, quentinha, fresquinha e, se possível, cortadinha, para facilitar a refeição e evitar sufocamentos com algum pedacinho maior de informação.

Acreditam que esta é a função do professor, tal qual um marmiteiro: ir ao mercado do conhecimento, examinar, selecionar e adquirir toda a informação necessária para a sua nutrição intelectual, com o cuidado de se livrar dos “ossos” e partes menos macias, para depois organizar tudo, distribuir em pequenas porções, para ele não engasgar e nem sofrer algum tipo de indigestão mental e servir-lhe apenas o necessário para que ele possa “se dar bem” na profissão que escolheu e não passar vergonha nos papos com os colegas por não conhecer alguma regra básica da profissão, embora sempre surjam os comentários do tipo “eu vi isso em alguma matéria, mas não prestei atenção, afinal o importante é a prática, né?”

Tudo tem que ser muitíssimo bem apresentado, muito colorido, cheio de figurinhas, videozinhos, musiquinhas, infográficos, links, realidade aumentada, lousa interativa etc. etc. etc. TEXTO? Texto é chato! Texto é antigo! Texto é brega! Texto já era!

Fico imaginando se um aluno desses vibraria ao receber a informação de que a marmita daquele dia não seria entregue, ou ao perceber que um médico deixou de pedir alguns exames para que o diagnóstico de uma doença ficasse mais simples, ou se um engenheiro fizesse os cálculos estruturais de sua próxima casa "no olho" para não ter muito trabalho.

Para essa galera, consumidores sempre muito exigentes e enjoados, todo mundo precisa fazer seu trabalho corretamente, menos o professor, afinal o professor que procura cumprir com suas obrigações e se esmera para oferecer algo que realmente agregue valor à disciplina ministrada, para esses alunos, não ajuda, mas, pelo contrário, atrapalha a caminhada rumo ao único objetivo buscado no curso: o diploma, que tem que ser obtido sem esforço, sendo o maior sacrifício admitido para a sua obtenção o fato de deixarem de assistir às novelas da moda durante algum tempo para frequentar a faculdade.

E no meio disso tudo, afinal existem muitos tons de cinza, estão alunos que a gente percebe estarem meio perdidos nesse universo, em alguns momentos fascinados pela possibilidade de progredir e alcançar estágios de consciência mais elevados, mas em outros puxados para baixo pelo ambiente impregnado de desinteresse e má vontade, que, inclusive, condena e pratica bullying com aqueles que resolvem ir pra sala no início da aula, abandonar a rodinha de conversa para prestar atenção ao conteúdo ou se esforçar para estudar incondicionalmente o conteúdo, independente do que vai ou não “cair na prova”, ou simplesmente expõem de maneira sincera suas dúvidas em relação ao conteúdo exposto. Fazer uma pergunta, em algumas turmas, é motivo para gozação eterna, então alguns preferem passar a eternidade na dúvida.

Quanta vergonha alheia de um aluno – ou grupo – que entrega um trabalho completamente impregnado de erros básicos de gramática, concordância, regência e todo tipo de desacato à língua portuguesa, mesmo tendo se utilizado de editor de textos que corrige praticamente tudo.

Quanta pena de um aluno – ou grupo – que entrega um trabalho todo copiado da internet e que não consegue ter sequer a inteligência basilar de limpar a formatação da Wikipédia ou qualquer outra fonte mais elaborada que conseguir descobrir.

Que triste ver um aluno - ou grupo - que tem a coragem de submeter ao professor - e colegas - um seminário que consiste em mostrar uma sequência de slides cheios de textos minúsculos, copiados de algum lugar na internet, que vão se sobrepondo no quadro enquanto o aluno - ou grupo - apenas lê apressadamente esses textos, demonstrando completo desconhecimento do assunto e, pior, total falta de comprometimento com a atividade e completa ausência de bom senso em relação à capacidade perceptiva e avaliativa do professor.

Quanta desesperança nos invade quando um aluno completamente medíocre nos aborda, ao final de um semestre onde ficou comprovada sua total inapetência para a profissão que escolheu, pedindo que reconsideremos as notas conferidas às suas atividades, sem qualquer consciência de que as notas recebidas na academia não significam absolutamente nada no mercado de trabalho e, mais grave, sem entender que essas notas são um recado claro para que tente corrigir enquanto é tempo sua evidente falta de habilidade para o exercício profissional futuro.

Entendo que alguns alunos foram marcados pela arrogância e prepotência de professores que no passado, ou presente, lhes impediram de buscar e alcançar o conhecimento como efetivamente deve acontecer, negando a oportunidade da colocação de dúvidas, da participação sincera ou do debate sério e pertinente, mas não há professor interessado no crescimento de seus alunos que não se esforce para deixar claro repetidamente em sala de aula que todos os questionamentos e observações são muito bem vindos, categoria em que procuro sempre me enquadrar.

Ao final de mais um semestre, no qual, outra vez, vi de tudo, agradeço sinceramente aos alunos que novamente reacenderam a esperança de um mercado formado por profissionais mais conscientes, éticos e inovadores, mas aproveito também para alertar aqueles que insistem em pensar que a faculdade é uma empresa criada para atender às suas vontades – e não às suas necessidades – que ainda há tempo para entender melhor qual o seu papel nesse processo criado e desenvolvido para FORMAR profissionais e não para AGRADAR clientes que sequer conseguem entender quais são os seus reais direitos e deveres.

E o desejo mais sincero: que ao final do próximo semestre eu não precise postar este texto outra vez...

sexta-feira, junho 07, 2013

O "SideStage" junino e a exclusão da classe média


Exemplo de um Frontstage de verdade, tomando toda a frente do palco

O novo layout do Parque do Povo para o São João 2013 trouxe mudanças radicais e deve provocar efeitos profundos na dinâmica da festa. E considero todos positivos.

O principal deles, no meu entender, é a volta da classe média à arena de shows.

Ou melhor, era, porque a pressão da oposição parece estar surtindo efeitos e assessores da PMCG anunciam que o prefeito Romero decidiu retirar o frontstage que seria ocupado pelos frequentadores do camarote RioSierra/Celino Neto, baseado em acusações de que o espaço segregaria a população carente e não deixaria o povão ver seus artistas de perto.

Em relação a isso, cabem algumas importantes considerações:

1. É MENTIRA que a área impedirá as pessoas que nela não estiverem de assistir aos shows de perto. Na verdade o que tem sido chamado de Frontstage não é, de fato, um frontstage, já que essas áreas se caracterizam justamente por tomar a TODA A FRENTE do palco (ver foto da postagem). O frontstage instalado no Parque do Povo ocupa apenas aproximadamente um terço da frente do palco. Fica, na verdade, em frente às caixas de som do lado esquerdo do artista, com visão oblíqua do show. Seu nome mais apropriado seria SIDESTAGE.

2. Se considerarmos que a largura da arena em 2013 mais do que dobrou, mesmo com o tal do frontstage o povão ainda terá MUITO MAIS ESPAÇO na frente do palco do que tinha em anos anteriores, ou seja, NÃO HÁ PERDA. HÁ GANHO. Acredito que este deveria ser o argumento utilizado para justificar sua permanência.

3. Se o RioSierra adquiriu o espaço não compete à prefeitura justificar ou não o seu uso. O Parque do Povo sempre teve grandes áreas ocupadas por patrocinadores, que poderiam ser ocupadas por pessoas, principalmente nas noites de maior lotação, e isso nunca impediu a PMCG de comercializar os espaços para o que se denomina de “ativação de marketing promocional”. No ano passado mesmo havia pelo menos 10 grandes áreas do parque cedidas a empresas privadas, que as utilizavam como queriam, algumas em pontos de grande congestionamento de pessoas, que se lá não estivessem melhoraria muito a mobilidade no local. Na área dos shows, por exemplo, havia o enorme camarote da Contigo, para o qual, que eu saiba, ninguém do povão foi convidado.

4. (e mais importante) Nos últimos anos a arena de shows do Parque do Povo havia sido relegada a dois públicos específicos: o povão, que tomava todo o piso à frente do palco, e os convidados de patrocinadores e da organização do evento, normalmente pessoas de classe alta, algumas pagando caro pelos "convites", e pessoas ligadas à administração municipal, a grande maioria "chaleiras" do grupo que ocupava o poder, que também pagavam pelos convites, só que com moeda diferente da utilizada pelos ricos. Era simplesmente impossível para um fã disposto a pagar por um pouco mais de conforto ou uma pessoa que não quisesse entrar no empurra-empurra da zona do gargarejo e sem ligações políticas com a organização do evento conseguir assistir aos shows com o mínimo de visibilidade e comodidade.

Com o camarote RioSierra a PMCG conseguiu finalmente uma solução para que qualquer pessoa pudesse assistir ao seu show preferido com comodidade e a preços acessíveis, semelhantes ou até mais baratos do que o que se paga pela mesma comodidade em qualquer evento deste tipo, daqui ou de fora, privado ou público.

É importante que a atual administração consiga entender que há eleitores, como qualquer outro cidadão, que preferem assistir aos shows promovidos pela prefeitura e oferecidos à população de forma gratuita, com um pouco mais de conforto, assim como existem pessoas que preferem o carro ao serviço municipal de ônibus, que precisam gastar com um plano de saúde ao invés de se submeter ao SUS ou que acreditam que a melhor escola para os seus filhos é a privada e não a pública.

Quando se paga entre R$ 30 e 90 reais pelo acesso a uma área lateral ao palco não se está tirando o direito de ninguém de assistir ao show e nem se está tirando o caráter público - ou republicano - do evento. A Prefeitura, a priori, trocou aquele espaço por dinheiro que vai ajudar a contratar as atrações. Nada mais justo que oferecer ao patrocinador uma contrapartida por ter ajudado a trazer as atrações que o povo quer ver. Se a área é em um local onde as pessoas gostariam de estar, melhor ocupa-la com pessoas do que com infláveis, placas ou expositores como outras marcas fazem no próprio Parque do Povo.

O pagamento não é pelo show. É pelos custos com segurança e comodidade, pelos serviços oferecidos e, principalmente, pela possibilidade de ter um lugar onde se possa encontrar os amigos sem atropelos ou desencontros.

É preciso acabar com esse discurso de que "o povão tem prioridade absoluta" numa festa popular e que não se pode cobrar pelo espaço público. O CIDADÃO têm prioridade, pois TODOS são eleitores, independente da classe social ou do nível cultural. Se o espaço alvo da discórdia fosse maior do que o espaço de acesso livre, fazendo com que houvesse mais espaço para poucos e menos espaço para muitos, aí estava correta a polêmica, mas haverá multidões nos dois locais. As grades apenas darão mais tranquilidade a quem quiser pagar por ela e, inclusive, desafogará o trabalho da polícia militar, que terá uma área menor para patrulhar.

O carnaval do Rio de Janeiro é apenas para quem pagar. Pode ser lá longe, na arquibancada, ou numa mesa de pista quase tocando os passistas, mas TODO MUNDO PAGA.

No carnaval da Bahia é possível brincar de graça na pipoca, mas na hora em que o bloco vem a rua é de quem está dentro das cordas. Ou seja, torna-se espaço privado para quem pagar pelo direito de estar ali. E paga caro!

Isso acontecerá, por exemplo, amanhã mesmo aqui em Campina. Quero ver alguém ficar no caminho da Namoradrilha na hora em que o trio do Chiclete passar alegando que a rua é PÚBLICA.

A Oktoberfest brasileira acontece dentro de um grande galpão, onde as pessoas devem pagar para entrar, o que não exclui a característica pública da festa.

Na própria Micarande dos governos anteriores a arena era do povão, mas para não ser empurrado para as laterais pelos blocos durante a passagem pelo Parque do Povo e ver melhor os artistas era preciso pagar para estar na arquibancada, que era concedida pela prefeitura a uma empresa privada, mediante contrapartida. Ou seja, na hora em que o bloco passava pela mesma arena onde haverão os shows a partir de hoje, havia três espaços “privados” – arquibancada, camarotes e dentro da corda – e apenas uma área para o povão.

Com a retirada da área restrita a PMCG não ajudaria ninguém. Com ela ou sem ela a arena está muito maior e haverá espaço para todos.

O que conseguiria seria impossibilitar mais uma vez que qualquer pessoa que queira um ambiente um pouco menos apinhado e com melhor estrutura de serviços, e esteja disposta a pagar pelos custos disso, não tenha esse direito.

Consegue que os turistas mais exigentes e com melhores condições - aqueles que deixam mais recursos na cidade - continuem fugindo dos shows no Parque do Povo e sendo obrigados a pagar fortunas por entrada e bebidas nas casas de shows privadas, para ver shows que não têm nada a ver com a nossa cultura.

Consegue superlotar a área de pavilhões, provocando mal atendimento, preços abusivos e uma segregação inversa, pois não basta disponibilizar o espaço do piso superior para qualquer um. É preciso ter sensibilidade para atender suas necessidades, mesmo que mediante pagamento, para que não haja benefício em relação a outros.

Consegue, finalmente, evitar que o grande público formador de opinião da cidade, pouco afeito ao "vuco-vuco" das multidões, seja privado de desfrutar plenamente do São João em um espaço onde o conceito da atual administração com certeza iria decolar definitivamente a partir da interação entre aqueles que têm melhor capacidade de discernimento e maior senso crítico.

Confirmado o fim do “SideStage”, voltemos à velha rotina de ficar “passeando” entre os pavilhões.

E boa festa para os que puderem pagar pelos camarotes ou que conseguirem algum tipo de convite, o que, aliás, vai continuar existindo, em contradição ao discurso de que não haveria espaços privilegiados.

Pena que a pressão orquestrada por uma minoria com claros interesses em gerar polêmica e criar desinformação esteja tendo efeito ou que conselhos equivocados estejam sendo oferecidos e, principalmente, absorvidos.

Se a proibição do espaço “vingar”, aguardemos novas e cada vez maiores ondas de desinformação plantadas por opositores sistemáticos ao atual governo, baseadas no sucesso da atual ofensiva social-midiática.

quarta-feira, maio 22, 2013

Publicidade online: nada é de graça



Desde que aconteceu o tão falado boom das redes sociais que os mais diversos tipos de empresas vêm buscando formas de atingir seus clientes – atuais ou potenciais – utilizando-se dos meios disponibilizados pelos mais famosos sites e plataformas de interação social, sendo os mais destacados neste momento Facebook, Twitter e Instagram, além dos já tradicionais sites e dos renovados blogs, que têm evoluído muito recentemente com a implementação de técnicas de gerenciamento profissional por parte de seus proprietários.


Os sites não morreram, nem morrerão.

As páginas virtuais na world wide web – www – que foram o verdadeiro startup dessa revolução comunicacional pela qual a humanidade passa, oferecendo a qualquer pessoa ou empresa a oportunidade de mostrar sua cara, serviço ou produto na rede, ao contrário do que muitos pensam – e falam – continuam sendo um espaço obrigatório para ser ocupado por qualquer marca que queira ter algum destaque em sua área de atuação.
Uma pessoa pode ter um sítio no campo ou uma casa na praia, mas isso não lhe permite deixar de ter sua casa na cidade onde efetivamente mora e trabalha. O site é assim. Você pode ter diversos canais e ferramentas para atingir o seu público, mas não pode prescindir de um endereço virtual onde as pessoas possam encontra-lo com a maior facilidade possível.

Mas o que realmente impressiona não é o fato de algumas pessoas acreditarem que os sites não são mais tão efetivos quanto antes, o que me assusta é saber que a grande maioria das empresas existentes no Brasil, algumas com respeitável estrutura física e sólidas estratégias de marketing, ainda não têm páginas na internet e, das que têm, a grande maioria são espaços estáticos, sem qualquer tipo de atrativo ou utilidade, seja para a empresa, seja para o visitante, na maioria das vezes completamente abandonados, cheios de traças e teias de aranha virtuais.

Grande parte dos empresários locais, que nunca se preocuparam em fazer um site para a sua própria empresa, saem por aí dizendo que “Internet não funciona. Se funcionasse, a concorrência já tinha entrado.” Normalmente se referem aos seus concorrentes do mesmo porte e mercado, que, com o mesmo pensamento arcaico também fogem da inovação. Se observarem o que realmente funciona em seus setores terão que admitir que a internet e suas ferramentas são o grande diferencial.

Mas também tem o empresário chega pra você e diz que não acredita na força da internet porque mandou “um cara que mexe com computação” fazer uma página, que “ficou até boa”, e que, mesmo assim, nunca conseguiu um negócio através do site. Se for este um caso parecido com a maioria do que vemos por aí, podemos até complementar: com toda certeza, alguns clientes potenciais devem ter sido espantados pelo site.

O mais importante a entender sobre sites hoje em dia é que eles precisam, antes de mais, serem ÚTEIS para quem os visita. É preciso entender o que as pessoas querem quando visitam o site da sua empresa e entregar-lhes estas informações da forma mais simples e direta possível. Sinceramente, quem quer saber, em um primeiro contato, a história do homem que fundou a empresa, ver as fotos da obra de reforma do prédio do depósito ou entender como funciona o complicado processo de desenvolvimento do seu produto ou serviço? De maneira geral, as pessoas querem saber onde fica, como chega, quanto custa, onde vende, como paga, quando chega, onde entrega... enfim, tudo o que a gente quer saber quando entra numa loja ou empresa para comprar um produto ou contratar o serviço. Ah! E as pessoas também querem VER o seu produto ou serviço da melhor maneira possível. Não tem nada mais assustador do que fotos e vídeos mal feitos do que você vende ou faz. Aí, mais uma vez, o amadorismo impera.

Você comeria aquele sanduíche maravilhoso do cartaz se ele fosse mostrado no cartaz como realmente é? Claro que não, ou, pelo menos, pensaria duas vezes. A produção de conteúdo para sites em todo o mundo é nivelada por baixo, afinal a realidade online é nova em todos os lugares, mas não é porque está todo mundo fazendo errado que você irá fazer também, não é? Todas as empresas que conseguiram se destacar na internet de maneira planejada e profissional o fizeram graças, principalmente, a uma boa qualidade de seus conteúdos (textos, imagens, vídeos etc) e à criatividade como eles foram criados, produzidos e veiculados.

A internet hoje é um ambiente de BUSCA e o principal objetivo de qualquer empresa deve ser tornar-se o ALVO preferencial dessa busca e para isso a palavra mágica do momento é SEO (Seach Engine Optimization ou otimização para motores de busca), um conjunto de estratégias e ferramentas que têm como objetivo principal melhorar o posicionamento do seu site quando as pessoas pesquisam por assuntos relacionados ao que você e sua empresa têm a oferecer.

Em síntese, não adianta ter um bom site se as pessoas não conseguirem encontra-lo e, em contrapartida, não adianta fazer as pessoas encontrarem você na internet se você não tiver algo que seja realmente bom para que elas vejam e escolham a sua marca.


Mídias Sociais: O sonho realizado

Imagine que o mercado é um grande shopping center, com um mix perfeito e produtos e serviços que agradam a todos os membros de uma família, mas que grande parte deles agrada apenas uma pequena parte da família. Os garotos querem ir para o parque, as meninas querem ficar na praça de alimentação, o pai quer ir ao café, a esposa quer comprar aquele perfume e o avô e a avó querem ficar na praça de convivência, vendo a vida passar calmamente.

Como mostrar a cada um o que cada um quer utilizando, por exemplo, o tradicional espaço de 30 segundos durante a programação da televisão?

Como garantir que eles assistam ao programa onde seu comercial será veiculado exatamente naquele dia?

Como fazer com que eles prestem atenção ao seu comercial durante todo o tempo em que ele estiver sendo veiculado, sem o latido do cachorro ou o barulho do caminhão passando na rua?

E, finalmente, como anunciar de uma maneira que APENAS quem realmente tem interesse no seu produto veja e, na hora em que estiver vendo, esteja interessado e concentrado no que você tem a dizer?


A resposta é simples: MÍDIAS SOCIAIS!

Com anúncios bem planejados na internet você pode direcionar a sua mensagem para cada faixa de sua clientela atual ou potencial, definindo aspectos como zona geográfica, faixa etária, nível sócio-cultural, horário, interesses e vários outros aspectos que farão com que o seu produto seja mostrado exatamente na hora em que alguém estiver interessado por ele, de uma maneira que convença de fato aquela pessoa a decidir escolher pelo seu e não pelo produto ou serviço de seu concorrente.

A publicidade através de mídias sociais é 100% configurável e altamente segmentável, o que garantirá que cada campanha sua tenha os três aspectos mais importantes a se considerar quanto à eficiência de uma mensagem comunicacional: ALCANCE – RELEVÂNCIA – RETORNO.

Se você alcança o seu cliente onde ele está, no momento em que ele quer ser alcançado e está interessado no seu produto ou serviço e mostra a ele que a sua empresa atende às suas necessidades e expectativas como consumidor, fica claro que a possibilidade de efetivação da contratação é muito maior do que qualquer outra mídia pode oferecer.


E quanto custa?

O principal diferencial do investimento em publicidade online atualmente é que, além de todos os aspectos positivos já demonstrados, o investimento é feito de acordo com as possibilidades do anunciante. Se a sua empresa pode atender satisfatoriamente a 10 clientes por dia não há motivo para investir numa mídia que atrairá 100 clientes. Este é o grande trunfo da publicidade na internet, ela só traz para a sua empresa o cliente que realmente está interessado em fechar negócio, e, mais importante, numa quantidade que você possa atender sem prejudicar sua rotina e sua imagem. Não que ela não possa trazer milhões também. Ela pode sim, desde que eles existam.

De maneira simplória, é possível investir um real na internet e, o que é mais impressionante, com garantia de resultado. Mas também é possível – e indicado – investir um pouco mais ou até muito mais, dependendo do seu interesse, pois a internet tanto funciona bem em se tratando de vendas rápidas como se mostra extremamente eficiente quando se fala em estratégias permanentes de startup, desenvolvimento e manutenção de branding.

O que é preciso entender, para resumir, é que:

1. É possível desenvolver uma estratégia completa de marketing na internet utilizando apenas espaços e ferramentas gratuitas, mas esse trabalho não pode ser considerado profissional e não há notícias de que qualquer empresa ou instituição que acredite seriamente nas mídias sociais o faça.

2. A publicidade na internet, de uma forma geral, e nas redes sociais tem custos de veiculação absurdamente menores do que na mídia tradicional quando se analisa aspectos como relevância, alcance e retorno do investimento, mas demanda um tratamento muito mais meticuloso tanto no planejamento quanto na produção e, por consequência, na veiculação, que precisa ser monitorada e ajustada permanentemente, utilizando-se de ferramentas de análise e métricas, mas, principalmente, de sensibilidade por parte de quem execute o trabalho.

3. A fórmula de sucesso para um bom investimento, com retorno garantido, em mídias sociais congrega:

a.    Uma estratégia bem planejada e um bom arsenal de táticas de gestão de conteúdo e interação, para atingir de maneira efetiva o público-alvo, diferenciar a própria mensagem da mensagem da concorrência e evitar desperdícios de exposição;

b.    A escolha correta dos formatos e canais onde será veiculada a mensagem, sempre focando no target e considerando o cenário e o contexto, e a qualidade do material produzido, com extremo cuidado em relação a aspectos como correção gramatical, coesão textual e estética audiovisual, ou seja, saber como atingir cada público com uma mensagem que o atraia e, sobretudo, que não prejudique o anunciante.


Mas nada é de graça...

O novo modelo de publicidade praticado pelas grandes corporações que hoje dominam a internet – e, por que não, o mundo – tem foco na gestão, ou seja, Google e Facebook cobram muito menos, por exemplo, do que uma emissora de TV ou de rádio, mas, em compensação, praticamente não têm nenhum trabalho no processo de veiculação. É tudo controlado pelo gestor.

Se em uma emissora de TV ou de Rádio você entrega os anúncios e a empresa se encarrega de programar de acordo com o mapa entregue e faz todo o trabalho de operacionalização, na internet é como se a empresa abrisse suas portas para o gestor de mídia entrar e permanecer lá durante todo o período da campanha, com a possibilidade de mudar tudo em tempo real, com ajustes em relação ao canal, ao público, ao valor dos anúncios e ao volume da exposição.

Sem falar que a mídia online permite, sem nenhum custo adicional de veiculação, que o anunciante veicule campanhas completamente segmentadas. É possível, para se ter uma ideia, veicular uma campanha no Facebook apenas para mulheres jovens noivas, estudantes universitárias, de 22 anos e moradoras de um determinado bairro da cidade. Sendo assim, uma empresa que tem 10 departamentos com perfis de público distintos pode criar, produzir e veicular campanhas direcionadas para cada um desses públicos sem nenhum custo adicional de veiculação e com controle absoluto de todo o processo, da ideia original às métricas de repercussão quantitativa e qualitativa, sem nenhum aumento dos investimentos em veiculação, mas, óbvio, com significativo implemento do trabalho de planejamento, gestão e monitoração.

E é aí que o bicho pega!

Como convencer um anunciante acostumado a investir na mídia tradicional e sem nenhum conhecimento da dinâmica dos processos midiáticos do universo online que daquele investimento proposto a maior parte vai para o parceiro local e não para o grande conglomerado de mídia mundial?

O modelo de negócios das gigantes mundiais é que explica essa lógica.

Ao contrário de uma emissora de tv, por exemplo, que cria, desenvolve, produz, veicula e promove todo o seu conteúdo o Google não produz absolutamente conteúdo nenhum. Ele é apenas um mecanismo de pesquisa, que nos ajuda a encontrar o que queremos, seja um site, um blog, um documento, uma foto ou um vídeo. Da mesma maneira acontece com o Facebook, Twitter, Instagram e todas as redes sociais. Assim, a não existência do custo de produção de conteúdo e do custo de operacionalização, aliada à presença ao mesmo tempo completamente global e extremamente local – no que toca às possibilidades de segmentação de mídia –, complementada por uma estrutura comercial toda automatizada, faz com que, obviamente, os custos ofertados por esses canais sejam absurdamente baixos quando comparados à maioria dos veículos tradicionais, especialmente quando mensuradas as suas vantagens no tocante aos já citados aspectos da relevância, alcance e potencial de retorno.

O mercado de anúncios online, principalmente nos mercados periféricos, infelizmente ainda está dominado por amadores e curiosos, sem qualquer tipo de conhecimento específico ou competências no setor de comunicação e marketing. O foco na tecnologia e não na relação anunciante-consumidor tem feito com que muitas campanhas com boas qualidades nos aspectos técnicos naufraguem por falta de qualidade das peças de divulgação ou de conhecimento do mercado. Esses fracassos, infelizmente, têm cooperado para que haja um alto nível de ceticismo por parte do mercado e só iniciativas bem sucedidas e casos exemplares podem influenciar numa mudança de rumo que repercutirá como um mercado mais profissional e refratário aos “analistas de tutorial”, ainda muito em voga no momento atual.

Cabe agora aos que têm o poder de decisão quanto às estratégias de comunicação das empresas entenderem as possibilidades e potencialidades desse mundo novo e obedecerem a critérios sérios de escolha dos seus profissionais de comunicação em mídias sociais. Teoricamente não será nada difícil, já que o critério principal da escolha será o que rege basicamente todas as operações comerciais do mundo moderno: os resultados.

* Emerson Saraiva é Publicitário, Produtor Audiovisual, Jornalista, Diretor de Arte e Mídia e Professor do Curso de Publicidade e Propaganda na faculdade Cesrei, em Campina Grande.

PREVISÃO DO FUTURO




Acho que aprendi a fazer previsão do futuro.


Todo dia vejo:

- Pessoas divulgando uma nova maneira super inovadora de ganhar muito dinheiro com pouco ou nenhum trabalho, um tal de "marketing multinível", ou ficar em casa lendo e-mails e clicando em anúncios, mas que daqui a algum tempo, quando saírem as notícias de que era apenas mais uma pirâmide ou um método antiético de faturar com publicidade online, ficarão bem caladinhos, mortos de vergonha de sua "ingenuidade", torcendo pra ninguém lembrar que eles faziam parte e falavam maravilhas do método revolucionário (usado há séculos para enganar trouxas de todos os tipos).

- Pessoas solicitando que mudemos as nossas configurações do Facebook porque descobriram um plano mirabolante de Mark Zuckerberg para invadir nossas informações e utilizar os dados que nós mesmos fornecemos para desenvolver uma forma maquiavélica de nos controlar e nos deixar viciados em sua rede social e nos produtos que ele anuncia, como se ele não já fizesse isso há muito tempo e como se não soubessem que a única forma de proteger nossas informações é NÃO FORNECE-LAS.

- Pessoas reclamando do trabalho e da vida, mas que logo em seguida colocam uma foto de alguém com problemas muito maiores - na maioria das vezes deficiências físicas ou doenças - e condenam quem reclama de sua vida quase perfeita.

- Pessoas usando o nome de Deus absolutamente em vão, como se demonstrar sua religião nas redes sociais fizesse com que quem realmente lhes conhecem e a si mesmos esqueceram do quanto estão distantes dos ensinamentos cristãos.

- Pessoas que acreditam que apagar as besteiras que fizeram no passado é posar de bonzinho e divulgar o máximo de mensagens religiosas na internet, sempre pedindo - quase exigindo - para que quem realmente acredita em Deus curta ou compartilhe (quem não fizer isso provavelmente irá para o inferno) e acreditando que a mudança tão exigida na igreja é apenas divulgar "a mensagem" no "Face" e que o resto todo pode ficar como está.

- Pessoas que condenam as religiões como se elas - as religiões - tivessem sido criadas e fossem "pessoalmente" administradas por Deus - NÃO FORAM, NÃO SÃO! - e declarando-se incrédulos ou ateus, mas que na hora do primeiro aperreio gritam "Ai meu Deus" e correm para a primeira igreja para fazer as promessas mais estapafúrdias.

- Pessoas exaltando o amor e declarando amor eterno e incondicional, mas que daqui a algum tempo estarão colocando fotos com indiretas sobre como não se deve dedicar a vida a um relacionamento e como é bom viver sozinho e curtir a vida.

- O contrário do anterior.

- Pessoas que condenam tudo isso, mas que em um momento ou outro fazem a mesma coisa... ;-)

segunda-feira, maio 13, 2013

O que acontece com o fim das torcidas organizadas em Campina Grande?



Ao invés de comprar camisas e outros produtos das torcidas, os torcedores comprarão produtos originais dos clubes, contribuindo com o caixa das equipes;

Ao invés de se associar a torcidas e bancar suas sedes e eventos, os torcedores poderão se associar diretamente ao time e ajudar a manter sua estrutura;

Os clubes (ou seus patrocinadores) não mais precisarão destinar ingressos, transporte ou dinheiro para a confecção de bandeiras e outros adereços, economizando dinheiro e produzindo suas próprias bandeiras, pequenas e seguras, e outros produtos para venda aos torcedores e arrecadação financeira;

Pessoas que temem a violência entre torcidas se sentirão à vontade para frequentar os estádios;

Crianças e jovens passarão a torcer pelos times e não pelas equipes.

Ao invés de depender dos dirigentes de torcida para segurar bandeirões ou organizar ações de apoio ao time, os clubes poderão contratar empresas especializadas de publicidade e promoção, com garantia de retorno financeiro.

Cabe aos clubes e não ao Ministério Público ou qualquer outro órgão refletir sobre a efetiva função das torcidas organizadas e os benefícios reais que elas oferecem aos times e defender a sua existência, RESPONSABILIZANDO-SE PELOS SEUS ATOS.

quarta-feira, maio 08, 2013

O PASTOR ESTUPRADOR




Segundo as investigações, o pastor Marcos Pereira, preso na noite de ontem na baixada fluminense, não é só estuprador. Ele estuprou, forçou as mulheres a ter relações com outras pessoas, contratou médicos para fazerem abortos em suas vítimas e matou quem tentou lhe chantagear com imagens de suas orgias.

Psicopata completo, inclusive pelo fato de se passar por pastor evangélico e conseguir convencer toda a sua congregação de que era um legítimo representante da palavra de Deus.

Não custa lembrar, ele não é criminoso porque é pastor, mas serve como exemplo de que o fato de ser pastor, padre ou líder de qualquer religião ou doutrina não livra ninguém de praticar os mais hediondos crimes.

Assim como não ser religioso, ou ser mulher, negro, gay ou roqueiro NÃO é capaz de transformar qualquer pessoa em algo que ela realmente não seja, pro bem ou pro mal...

Portanto, acredite ou não em Deus, guie-se pela sua relação - ou ausência dela - direta com Ele e não pelas possíveis interpretações que lhe forem apresentadas por quem se denomine ou seja denominado seu representante ou comprovador de sua inexistência.

“Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em  todas  as  épocas da Humanidade.”

E SE VOCÊ MORASSE NA FAVELA DA CORÉIA?


Casas e carros metralhados na madrugada. A quem reclamar?

A nova modinha das redes sociais é defender os policiais cariocas que participaram da operação que resultou na morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, mais conhecido como "Matemático".

Mais uma vez, as pessoas tentam reduzir a discussão ao discurso "bandido bom é bandido morto" e, para isso, usam dos argumentos mais absurdos.

Por exemplo, comparam o caso ao dos irmãos russos que detonaram as bombas na maratona de Boston, alegando que os policiais americanos foram elogiados e os nossos estão sendo investigados. Para isso, usam as imagens das câmeras com visão térmica. Esquecem que no caso americano a câmera foi utilizada para encontrar o fugitivo dentro de uma lancha, saber exatamente em que lugar ele estava e se não estava armado. Ao invés de tiros do helicóptero, os policiais jogaram bombas de gás dentro do barco e prenderam o acusado vivo.

Falam que os representantes dos direitos humanos estariam acusando os policiais pela
Prisão de Dzhokhar Tsarnaev em Boston: nenhum tiro disparado.
operação e que eles não defendem quem realmente merece, que são os doentes em hospitais, as crianças abandonadas etc. Quem está solicitando o desarquivamento do inquérito é o Ministério Público e não para defender o traficante, mas para averiguar por que a perseguição a tiros não consta da versão apresentada pelos policiais. 

Afinal, se a maneira como a captura se deu foi correta que motivo teriam os policiais para apresentar outra história?

Quanto aos direitos humanos, é preciso parar com essa mania de dizer que eles só defendem bandidos. Os direitos humanos defendem sim os pacientes maltratados em hospitais, as crianças abandonadas e as mulheres violentadas, mas isso não dá matéria em jornal, então é bem melhor apenas critica-los quando investigam excessos policiais ou mal tratos a presos que, mesmo em uma mínima parte, podem ser inocentes ou, mesmo culpados, não há justificativa para que sejam tratados como animais, a não ser que a sociedade deseje deles o troco em revolta e vingança na volta à liberdade.

Visita de um representante dos Direitos Humanos a um
hospital. Notícia que não "vende" jornal.
E, finalmente, o que você acharia de ter um helicóptero sobrevoando a sua casa durante a madrugada atirando com balas de alto calibre e atingindo várias casas e prédios da rua, com perigo de atingir você e sua família. Alguns dirão: "Ah, mas eu não moro em favela. Quem mora em favela é tudo traficante!" Outros dirão "Mas ninguém foi atingido, ninguém reclamou, ninguém procurou a imprensa para denunciar." Você acha que é possível a uma pessoa que mora em uma favela dominada pelo tráfico reclamar que houve um tiroteio em sua rua durante a madrugada e que várias balas atingiram sua casa? Vai reclamar a quem, aos bandidos que dominam a área ou aos policiais que invadiram a região "quebrando tudo"?

Se fosse numa rua de um bairro de classe média ou alta, se fosse na SUA rua você não estaria defendendo a operação. Se fosse em uma rua onde houvesse pessoas com liberdade para denunciar arbitrariedades e cobrar punição por falhas de procedimento obviamente os próprios policiais não teriam coragem de sair dando tiros a torto e a direito como deram na favela da Coréia.

O que os policiais demonstraram não foi coragem e competência. Competentes seriam se tivessem apreendido o bandido vivo e sem disparar um único tiro, como fizeram os policiais de Boston. Corajosos seriam se tivessem peito para entrar na favela e combater cara-a-cara os traficantes que dominam até hoje a região, impondo o medo não apenas aos moradores do local, mas, sobretudo, aos que deveriam ali manter a paz e a ordem.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

POR UM SÃO JOÃO MONOCULTURAL


Tony Belotto, dos Titãs, no carnaval de Recife.

Findo o carnaval, todas as atenções se voltam para a próxima grande festa popular brasileira: as festas juninas, que em Campina Grande adquirem importância adicional por acontecer aqui o maior evento popular dessa época em todo o planeta, não à toa batizado como “O Maior São João do Mundo”.

A expectativa principal é com relação às mudanças que ocorrerão na festa a partir deste ano, com a volta do grupo político que a criou e estruturou e com a participação importantíssima do atual vice-prefeito, Ronaldo Filho, que congrega as características de ser filho do criador evento como o conhecemos atualmente e de empresário bem sucedido no setor de eventos.

Layout do Parque do Povo, descentralização da festa, divulgação nacional, atração da mídia internacional (que estará no Brasil nos próximos anos para os eventos esportivos) e vários outros pontos importantes devem estar sendo debatidos no âmbito da administração pública municipal, mas um ponto que muito me chama atenção, ainda no calor dos últimos acordes de momo, é a questão da programação do evento.

Vimos pela TV e muitos campinenses foram pessoalmente participar de mais um “carnaval multicultural” do Recife, com shows de artistas como Milton Nascimento, Luíza Possi, Fafá de Belém, Baby do Brasil, Roberta Sá, Titãs, Alcione, Zeca Baleiro, Sandra de Sá, Zélia Duncan e Céu, entre vários outros, inclusive pernambucanos, como Reginaldo Rossi, que não têm com o carnaval grande identificação do ponto de vista artístico profissional.

É óbvio que a presença desses artistas engrandece o evento e atrai turistas, mas será que sua presença no principal palco da principal festa do mais importante evento popular de Pernambuco contribui para o fortalecimento da cultura local, notadamente relacionado a ritmos como o frevo e o maracatu, que têm em Pernambuco o seu berço e maior vitrine para o mundo?

Transferindo essa realidade para Campina Grande, no mês de junho, que cenário encontramos?

Há vários anos nossa cidade tem aberto espaço na programação de sua maior festa popular para atrações que pouco ou nada têm a ver com a nossa cultura, a exemplo de cantores e duplas sertanejas que já ocuparam as mais importantes noites do nosso São João.

Nada contra Zezé di Camargo ou Luan Santana, mas se Recife não tem atrações em número ou renome suficiente na cena de frevo, maracatu ou caboclinhos para ocupar cinco dias de programação, nós temos, com sobras, artistas com qualidade e sucesso para rechear muito bem as nossas 30 noites de São João.

E não se trata de reserva de mercado, pois há grandes atrações de fora de Campina e da Paraíba que representam com grande qualidade a nossa cultura, além de muitos artistas que até atuam com estilos diversos dos nossos tradicionais xote, xaxado, baião, galope etc., mas quando junho vai chegando transformam seus shows em verdadeiros arraiais e homenageiam com muita humildade a nossa música e os nossos grandes nomes de ontem e de hoje.

Sem falar na grande quantidade de artistas ainda sem a mesma expressão de estrelas de outras bandas que só não estouraram ainda para o sucesso justamente pela falta de visibilidade em sua própria terra, o que não falta em eventos de outras regiões, como o próprio carnaval de Pernambuco, que tomou o cuidado de colocar no mesmo palco que os consagrados Caetano e Alceu nomes que precisam ser descobertos pelo público e pela mídia, como Nonô Germano, André Rio, Silvério Pessoa, Isaar França e vários outros.

Além disso, Olinda faz a vezes de guardiã da cultura pura e destilada ao longo dos anos em suas ladeiras quando proíbe terminantemente que outros ritmos que não os exclusivamente pernambucanos percorram suas ruas nos dias de momo.

Nos últimos anos, os artistas realmente identificados com a nossa cultura foram literalmente maltratados pela organização do evento que deveria reverenciá-los e servir-lhes de catapulta para o sucesso. Exilados da programação ou relegados aos dias de menor público, ainda foram, em grande parte, surrupiados em seus cachês, que esperaram – ou ainda esperam – meses e até anos para receber.

Inobstante o fato d’O Maior São João do Mundo ser um evento turístico, não há qualquer pesquisa ou estudo que confirme que contratar as atrações que estejam em alta no Brasil lhe agregue valor comercial e muito menos cultural.

Jamais ouvi dizer que alguém saiu de São Paulo para vir ver Bruno e Marrone em Campina Grande. Eles vêm ver e conhecer Elba, Dominguinhos, Flávio José, Alcimar, Amazan, Ton Oliveira, Biliu, Tony Dumont, Zé Calixto e tantos outros que fascinam quem lhes assiste e percebe a carga cultural que existe por trás de seu trabalho.

Outros, que já fazem enorme sucesso com um estilo mais mercadológico – as famosas bandas de forró de plástico –, também não devem ser esquecidos, mas jamais devem ser priorizados, afinal estes não têm nenhuma dificuldade para encontrar espaços para mostrar sua “arte” e suas agendas já incluem a maioria das cidades que nos exportam turistas no São João, o que comprova que é a nossa festa que atrai expectadores e agrega valor aos seus shows e não o contrário. Essas atrações deveriam, isso sim, oferecer condições diferenciadas para figurar em nossa agenda – como acontece com o carnaval de Salvador –, pois quem está no maior vale mais para os menores.

Até artistas originalmente de outros estilos devem ser bem vindos, desde que respeitem e se adequem à nossa festa. Titãs quer tocar forró? Será muito bem vindo! A nossa cultura é que deve estar em primeiro lugar, então qualquer grande estrela que quiser se adequar ao nosso período e trazer um repertório que renda homenagens aos nossos grandes nomes poderá ocupar espaço em nossos palcos, como bem fazem artistas como Gilberto Gil, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e tantos outros. Mas tem que ser bem feito, porque quem tem o melhor do forró é exigente com seus visitantes.

Quanto ao tão falado “intercâmbio cultural”, façamos com quem de fato, resgata, mantém e produz cultura em todos os estados do Brasil, que são os grupos de tradições folclóricas. Vamos, antes de mais nada, retomar o interesse da organização do São João pelas nossas quadrilhas e grupos folclóricos, que têm sido submetidos a migalhas nos últimos anos. Depois disso, que Campina abra espaço para o fandango gaúcho, o samba de raiz carioca, o carimbó paraense, o boi bumbá amazonense, o bumba-meu-boi maranhense, o reisado, o maracatu, os caboclinhos e todas as demais manifestações culturais brasileiras. Quem sabe esse intercâmbio não abre espaço para mostrar também a nossa cultura em outras regiões? Quem sabe não ressuscitamos o Festival Internacional de Folclore que Campina tentou fazer na década de 1980 e que não sobreviveu por falta de apoio governamental? Precisamos ocupar as lacunas de nossa programação diurna e os palcos dos nossos teatros e essas manifestações são perfeitas para isso, inclusive, com discussões a respeito delas e da necessidade de fortalecê-las, como já faz a UEPB há vários anos com o seu importantíssimo evento sobre folkcomunicação.

O Maior São João do Mundo está carente de atenção com o que realmente importa. Nossos artistas estão com a autoestima baixa e nossa gente está perdendo o interesse pela festa.

Parafraseando o jornalista Arimatéia Sousa, o São João precisa fazer as pazes com Campina.

Os nossos maiores representantes são os nossos artistas e ativistas culturais. Prestigiá-los, valorizá-los e tratá-los como eles merecem – e não são tratados há muito tempo – é um ótimo começo.


sexta-feira, fevereiro 08, 2013

LEI SECA: TOLERÂNCIA ZERO, BOM SENSO TAMBÉM



Uma situação tem se repetido nessas últimas noites de pré-carnaval em João Pessoa.

Pessoas que vão de carro para as festas e bares da noite pessoense resolvem beber e solicitam a pessoas que não foram de carro que assumam o volante de seus automóveis no caminho de volta.

Ocorre que as blitze realizadas para coibir o uso de veículos automotores por pessoas alcoolizadas, além de verificar a sobriedade do condutor, também requerem dele sua documentação e a do automóvel.

O resultado é que as pessoas que estão prestando favores a amigos ao assumirem o volante de seus carros têm sido multadas por não portarem suas CNHs, como previsto no CTB.

Mas por que essas pessoas não levam suas habilitações para a festa?

Ora, justamente porque a própria polícia aconselha todos que vão a uma festa de multidão como o Folia de Rua a não levar documentos originais - apenas fotocópias autenticadas - mas como a CNH só tem validade se for a original, não adianta nada levar apenas uma "xérox".

Para quem vai de carro, nenhum problema, pois basta deixar a CNH original no carro enquanto está na multidão, mas e quem vai de ônibus, táxi ou carona, deixa onde?

Seria absolutamente errado defender que a polícia liberasse a condução de veículos por pessoas não habilitadas se não houvesse possibilidade de comprovar sua condição de condutor por outros meios.

Mas há. A Polícia de Trânsito da Paraíba tem como verificar, através de contato via rádio com a central, se determinada pessoas está devidamente habilitada, apenas utilizando os dados de outros documentos apresentados.

Mesmo assim, na última terça-feira, várias pessoas foram detidas em uma blitz do BPTRAN por estarem conduzindo veículos de amigos na volta para casa, não tendo qualquer sintoma de embriaguez - inclusive após uso do bafômetro - e apresentando outros documentos (fotocópias) que possibilitaram aos policiais presentes checar que as pessoas são habilitadas e suas CNHs estão em plena validade.

Uma policial, cujo nome prefiro não mencionar, chegou a ser extremamente agressiva com algumas pessoas que não portavam a CNH mas cuja central atestou estarem habilitadas, ameaçando apreensão de veículos e ignorando pedidos de bom senso por parte de colegas que estavam muito mais preocupados com o que realmente importava naquele momento: impedir condutores alcoolizados ou não habilitados de colocar em risco as vidas de outras pessoas.

No episódio específico, enquanto a policial exercia o seu "poder" sobre pessoas que estavam apenas buscando contribuir para o cumprimento da lei, vários outros condutores deixaram de ser parados e fiscalizados.

Todos os órgãos envolvidos na operação Lei Seca têm contado com grande aceitação e colaboração da imprensa e da população, mas é preciso saber que esse apoio se refere à busca por um trânsito mais seguro e responsável, menos violento.

Com essa postura equivocada, mesmo estando sob a chancela da lei, a única coisa que uma "autoridade" dessas consegue é impedir pessoas sóbrias de conduzir veículos que poderiam estar sob a posse de pessoas alcoolizadas, gerando risco desnecessário para a população.

Afinal de contas, o que é pior: ter ao volante uma pessoas comprovadamente sóbria e habilitada - embora não esteja de posse do documento - ou uma pessoa portando o documento, mas em estado de embriaguez?

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Mídia Campinense: por uma agenda positiva







Quem acompanha o noticiário paraibano e campinense já se acostumou – ou não – com o que o senador Cássio Cunha Lima batizou de “rame rame”.

Grande parte de nossa programação jornalística, independente do veículo, está tomada há anos pela infrutífera discussão e análise sobre a movimentação dos bastidores da política na Paraíba e em Campina Grande.

Discute-se apoios, cargos, erros e acertos dos governantes e seus opositores. Discute-se sobre interpretações, ilações e adivinhações de políticos, jornalistas e analistas do cenário político-eleitoral paraibano contemporâneo.

Independente de entrar no mérito da pertinência dessa discussão, a Associação Comercial de Campina Grande, com o apoio de diversas outras instituições de grande importância para a economia campinense, lançou na última semana a promoção “COMPRE AQUI”, que tem como principal objetivo incentivar os nossos consumidores a preferirem Campina Grande quando de suas compras ou contratação de serviços, ao invés de comprar pela internet, em viagens ou através de pessoas que trazem produtos de outras cidades, regiões ou países.

Mas há, por trás da promoção, uma iniciativa da ACCG que pode ter efeitos muito mais positivos do que simplesmente a veiculação das peças publicitárias desenvolvidas para a campanha, que é a provocação de uma agenda positiva e, principalmente, efetiva em relação ao debate permanente sobre Campina Grande, seu presente e seu futuro, a exemplo do que também tem feito o movimento encabeçado pelo Instituto Cresce Campina, que muito tem contribuído para o pensamento estratégico local.

Mais do que incentivar o consumidor, a Associação Comercial busca, com essa campanha, incentivar a pauta jornalística de Campina Grande, provocando a discussão sobre as vantagens e desvantagens de se prestigiar o mercado local no momento de uma compra ou contratação.

A exemplo do que diz o spot produzido e distribuído com todas as emissoras de rádio da cidade, a ACCG quer mostrar que todo mundo ganha quando o consumidor escolhe comprar em Campina. Ganha o empresário, que melhora suas condições de investimentos, ganha o fornecedor contratado para viabilizar esses investimentos, ganha o colaborador, que garante o seu emprego, ganha o consumidor, que usufrui dos investimentos e do melhor atendimento, ganha o poder público, que arrecada mais impostos e ganha, inclusive, o mercado de comunicação local, já que os investimentos em publicidade das empresas daqui são todos realizados, obviamente, aqui, ao invés, por exemplo de um site de vendas na internet, que jamais investirá um centavo em uma emissora de TV ou de rádio de Campina Grande.

É essa discussão que precisamos colocar em prática, substituindo, pelo menos em parte, o “rame rame” político, que não ajuda ninguém (a não ser uma pequena parte da mídia com interesses bem diversos do bem estar comum) pelo debate sobre assuntos que efetivamente podem contribuir para manter e melhorar as condições de crescimento de Campina Grande e região, beneficiando, sobretudo, aos mais diversos segmentos da economia local.

O que é bom para todos, é bom para cada um.