sábado, setembro 17, 2011

O MEU Pai NOSSO


Há algum tempo fui convidado para participar de uma celebração ecumênica que fazia parte da programação de formatura de uma turma da UEPB, representando a doutrina espírita.

Ao chegar ao local, fui avisado pelo cerimonial que a programação havia mudado toda e que, entre outras coisas, eu seria encarregado de rezar, no final, a oração do “Pai Nosso”.

Por incrível que pareça, aquilo me deixou muito nervoso, por um motivo simples: eu não tinha certeza se me lembraria da oração universal, da maneira que, basicamente, todo mundo sabe!

E a “culpa” (rs) é do professor Severino Celestino da Silva, eminente professor, habilidoso palestrante e competente estudioso das escrituras sagradas, particularmente no tocante à precisão das traduções até então realizadas e “oficializadas” por várias religiões cristãs.

Ocorre que o professor Severino, em um árduo e meticuloso trabalho de pesquisa, desenvolveu uma nova tradução do “Pai Nosso”, diretamente do hebraico, que me tocou profundamente e que adotei em minha prática religiosa desde que a conheci.

Sendo assim, eu não tinha certeza se iria conseguir reproduzir a oração que todos os presentes à solenidade conheciam e tive que pedir a alguém um papel e uma caneta para escrever o “Pai Nosso” mais popular e não pagar nenhum mico, recitando frases que seriam estranhas para a maioria dos presentes.

Nem preciso dizer a estranheza que causei em meus companheiros de mesa, representantes das religiões católica e evangélica, ao me verem escrevendo o “Pai Nosso” e, principalmente, da plateia, ao me ver “colando” a oração.

Este deve ter sido o maior desserviço que eu poderia prestar ao espiritismo naquele momento, alimentando, quem sabe, o falso entendimento de alguns que insistem em afastar os espíritas de Jesus e de seus ensinamentos.

Meu consolo é que provavelmente só prestou atenção no fato de que eu estava lendo justamente quem não estava muito ligado na oração. Ou seja, mesmo que eu tivesse executado a mais perfeita interpretação do “Pai Nosso” essas pessoas não estariam muito receptivas às palavras e, principalmente, ao sentido delas.

Obviamente, a esta altura você que não conhece deve estar curioso para ver que diferenças seriam essas entre o “Pai Nosso” mais conhecido e o “Pai Nosso” redescoberto pelo professor Severino.

Transcrevo-o a seguir e espero que todos consigam notar que algumas diferenças mudam profundamente o sentido de algumas frases.

Espero também que o máximo de pessoas, mesmo que não mudem o hábito, agreguem ao seu próprio jeito de orar o sentimento muito claro dessa "releitura":

O PAI NOSSO
Tradução Direta do Texto Hebraico
Tradutor: Prof. Severino Celestino da Silva

Pai nosso dos céus,

Santo é o teu nome,

Venha o teu reino,

Tua vontade se faz na terra como também nos céus.

Dá-nos hoje nossa parte de pão.

Perdoa-nos as nossas culpas,

Quando nós perdoarmos as culpas de nossos devedores.

Não nos deixes entregues à provação;

Porque assim nos resgatas do mal.

Amém (ou, que assim seja, que possa ocorrer assim).


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