sábado, maio 21, 2011

Uma imagem vale mais...


sexta-feira, maio 20, 2011

Eureka! (01)

Dando início à série "Anúncios muito Legais", uma aplicação de gigantografia no piso de um shopping vertical, patrocinada por um produto de combate a pulgas e carrapatos. MUITO BOM!

quinta-feira, maio 19, 2011

Sensíveis Diferenças



Quase não se nota...

A PMJP e a CRISE do Munguzá


Eu fiquei foi com vontade de comer Munguzá!
Baixada a poeira do “Caso da Merenda”, sem o interesse de entrar na discussão que ocupou muito espaço na mídia paraibana ao longo das últimas duas semanas (corrupção, cardápios, interesses de grupos de comunicação), ao acompanhar desde a exibição da matéria do Fantástico até a maioria dos desdobramentos, em praticamente todos os veículos estaduais, o que mais me impressionou foi a forma como a prefeitura de João Pessoa lidou com a crise.

Palavra manjada e muito debatida nos cursos, fóruns e discussões sobre consultoria e assessoria de comunicação e marketing, a CRISE é, para jornalistas e consultores, o equivalente a INCÊNDIO para bombeiros e paramédicos: você nunca sabe se ou quando vai acontecer, mas precisa estar muito bem preparado.

E a PMJP mostrou que não estava.

Comparando a um incêndio, se o fosse o caso da merenda, a prefeitura tinha, para começar, a mais importante arma para combate-lo: a antecipação. A prefeitura sabia que a reportagem estava sendo realizada, o seu tema e quando seria veiculada. Podia, antes mesmo da divulgação, ter procurado TODOS os que foram abordados pela equipe da Rede Globo, realizado uma espécie de acareação e apurado, basicamente, tudo o que a emissora teria e que poderia ser apresentado como falha da administração.

Não fez.

Poderia, por exemplo, ter produzido e veiculado ainda no domingo em jornais, sites, rádios e tevês peças informativas e publicitárias sobre a qualidade do ensino, da merenda, mostrando depoimentos de nutricionistas, pais, alunos, professores, fornecedores... ...e trabalhando com números como a quantidade de escolas que são atendidas pela merenda (se a matéria só gravou em uma, não poderia falar do todo), o “cardápio regional” (eu assumo que fiquei com vontade de comer munguzá assistindo à matéria!), os controles exercidos sobre o fornecedor e, principalmente, adiantar que o modelo terceirizado será substituído em breve. (algo como: “a Prefeitura está fazendo o melhor, mas nós queremos mais e em breve um novo modelo será implantado, trazendo mais qualidade, eficiência e satisfação para todos”.)

Não fez.

Veiculada a reportagem na noite do domingo, pelo que sei, apenas na manhã da segunda houve algum tipo de articulação dos setores envolvidos (educação, comunicação, jurídico etc.) para avaliar os estragos e preparar a reação. Horas depois da repercussão nos sites, blogs e, principalmente, nos radiojornais matutinos, que têm substancial importância na formação de opinião da população paraibana em todos os níveis. E se um amplo dossiê, um verdadeiro banco de dados, tivesse sido produzido assim que se soube da produção da matéria? E se uma equipe multidisciplinar (comunicólogos, administradores escolares, advogados, nutricionistas, pediatras etc.) tivesse queimado as pestanas durante a madrugada produzindo releases, articulando espaços e organizando uma coletiva com o prefeito, a secretária de educação, o representante da SP alimentação, representantes dos conselhos de pais e outros atores do caso? E se representantes do MP, da OAB, da API, de sindicatos, associações, enfim, tivessem sido convidados para uma visita à escola mostrada na matéria, para não apenas acompanhar o serviço oferecido, mas, principalmente, para entrevistar alunos, professores e pais?

Nada foi feito.

E o que foi feito?

Vereadores foram envolvidos na trama e passaram a representar o prefeito em entrevistas e debates, com claro desconhecimento do que estavam defendendo e, na maioria da vezes, até assumindo como sendo de João Pessoa problemas apresentados em outras cidades.

Falaram de higiene. Não houve nenhuma alusão a falta de higiene.

Falaram de corrupção. Não houve nenhuma denúncia sequer de indícios de irregularidades em relação a João Pessoa.

Falaram de precariedade no atendimento (falta de comida). Pelo contrário. Sobrou comida em JP.

No final das contas, o que poderia se reverter em uma ótima oportunidade para a assessoria transformar no ponto de partida da reeleição de Luciano Agra virou um motivo para a oposição cair em cima, falando até em impeachment e alardeando uma espécie de metástase da corrupção em todos os setores da administração municipal, ressuscitando denúncias esquecidas.

Culparam o mensageiro. Atacaram a Rede Globo e tentaram fazer a população acreditar que a emissora teria sido manipulada pela afiliada, mesmo a matéria tendo sido sobre vários estados (sem participação de repórteres ou cinegrafistas locais) e realizada por uma equipe do Rio de Janeiro. Não colou.

Ao invés de diferenciar João Pessoa das demais cidades, onde a situação é bem mais grave, deixaram que a imprensa e a oposição confundissem tudo e ainda esqueceram de apresentar informações sobre outras cidades onde haja ainda mais problemas (com o óbvio cuidado de não parecer o sujo falando do mal lavado).

A experiência batizada com o sensacionalista termo “Escândalo da Merenda” pode ser um grande aprendizado não somente para os que cuidam da imagem da prefeitura, mas também para todos os setores da administração e os que são sempre convocados para representa-la.

Se não servir, adeus reeleição, pois a oposição está igual ao CQC, na base do “custe o que custar”.

quarta-feira, maio 18, 2011

Vamo Pular!



terça-feira, maio 17, 2011

Na mesma moeda?



Fonte: itabiranet.com
Gostaria, sinceramente, que alguém me explicasse a dinâmica do protesto que se alastra pelo Brasil, onde grupos de motoristas se reúnem em postos de combustíveis para abastecer apenas 50 centavos e pedir a nota fiscal.

Pelo que sei, o protesto funciona assim:

1. Após uma combinação prévia, os protestantes saem de suas casas e se encontram em um determinado posto, onde solicitam que seja abastecido apenas R$ 0,50, preferencialmente no cartão de crédito, e emitida a nota fiscal.

Pronto. Só isso.

Aí é que entra minha dúvida: qual o argumento desse protesto para que empresário baixe o valor dos combustíveis?

Me colocando como advogado do diabo (ou dos empresários), penso o seguinte:

1. No trajeto casa/posto/casa a grande maioria dos protestantes gasta mais de R$ 0,50 em combustível. Ou seja, o protesto gera um consumo que não existia antes e, consequentemente, mais LUCRO para os empresários. Por tabela, ainda se transforma em um protesto anti-ecológico, pois não apenas no trajeto, mas também na fila (onde muita gente esquece de desligar ou motor ou mantém o carro ligado por causa do ar condicionado) os carros geram poluição que não faz nada bem ao meio ambiente.

2. Emitir nota fiscal é uma obrigação e não será nenhum grande prejuízo para os empresários fazê-lo, principalmente em pequenos valores.

3. Não são os empresários que ficam no posto atendendo às filas intermináveis, ouvindo o protesto (onde alguns "cidadãos" exageram nas lorotas e até no mau tratamento aos inocentes funcionários), abastecendo carro por carro e emitindo nota por nota. São os pobres dos frentistas, que já sofrem todo tipo de ameaça à saúde e à segurança e que terminam o dia de trabalho com os dedos doendo e com a cabeça quente, enquanto seus patrões ficam no conforto do escritório ou de casa.

Assim, se eu fosse dono de posto, não estaria vendo nenhuma desvantagem com a realização desses protestos. Muito pelo contrário...

Por outro lado...

Vejo outras formas muito mais eficientes de realmente pressionar os proprietários de postos de combustíveis para baixar os preços.

1. A primeira, e mais lógica, é parar - ou pelo menos diminuir - o uso dos automóveis, seja através do sistema de transporte coletivo, de caronas solidárias ou até do uso de bicicletas e de caminhadas, mesmo que em trajetos curtos (por exemplo, estacionando o carro um pouco antes de chegar ao destino, ou mais próximo da entrada do estacionamento do shopping...). Diminuir o uso do ar condicionado também ajuda. O problema é que poucos consumidores realmente se sacrificam por causas como esta.

2. Se a idéia é fazer os caras pagarem impostos, porque não colocar "fiscais" em todos os postos monitorando a emissão de notas fiscais e, caso elas não estejam sendo emitidas, denunciando aos órgãos da receita?

3. E a terceira, muito mais efetiva, é o já conhecido BOICOTE a uma bandeira, rede ou posto. Nesta modalidade, todo mundo se compromete a PARAR de abastecer, por exemplo, em uma rede específica. Por exemplo: ninguém abastece nos "Postos Silva" até o "seu Silva" baixar o preço. Passa um dia, dois dias, três dias...  ...até que o prejuízo começa a ficar muito grande e o "seu Silva" decide descumprir o acordo com o cartel e baixar o preço. Obviamente, na hora em que ele baixar o preço corre todo mundo para abastecer mais barato e aí são os outros que sentem o baque, sendo, consequentemente, obrigados a baixar também.

Esse último tipo de protesto, NÃO TEM COMO NÃO FUNCIONAR, afinal nenhum dono de posto vai se atrever a quebrar apenas para defender seus comparsas e estes, por sua vez, dificilmente irão aceitar subsidia-lo, mesmo que temporariamente.

Não sei não, mas eu sinceramente acredito que por trás desse protesto dos 50 centavos tem até empresário envolvido, pois enquanto o pessoal não cansar de gastar tempo e dinheiro eles vão lucrando ainda mais!

Mas, de qualquer maneira, continuo esperando que alguém me contradiga e explique direitinho como, de fato, o protesto dos R$ 0,50 força a diminuição dos preços. Se tiver algum exemplo real, melhor ainda!

Mudando-se para um Apartamento

Você finalmente comprou o seu apartamento no "Minha Casa Minha Vida" e quer algumas dicas de mudança? Veja uma bem legal:


Um emprego para Zé!

segunda-feira, maio 16, 2011

O Ciclo da Procrastinação

domingo, maio 15, 2011

Nos bastidores do Poder...

 

Ah... Agora eu entendi!

Domingo sem futebol em Campina


sexta-feira, maio 13, 2011

E aí, qual foi a última que você contou?

segunda-feira, maio 02, 2011

Rômulo e o PSD: 1+1=3

Rômulo, cacique de sua própria tribo
A saída de Rômulo Gouvêia do PSDB para assumir o PSD na Paraíba tem vários desdobramentos.

O primeiro, e mais imediato, é a declaração oficial de guerra interna no partido dos tucanos. Cícero agora vai partir para o ataque, alegando que se o partido não participa mais do governo pode figurar na oposição. A Cássio, por sua vez, caberá a tarefa de lembra-lo que o PSDB também fez parte da chapa majoritária para o senado e foi na coligação com o atual governo que o partido conquistou mais uma vaga na casa alta do Congresso. Cícero já perdeu uma batalha ao longo da campanha e poderá perder outra caso haja disputa aberta pelo controle do partido no estado. O senador pessoense vai colocar na balança o importante cargo que ocupa hoje no Senado, que lhe faz uma espécie de prefeito da casa. Cássio vai confrontá-lo com a recente vitória no judiciário, que representará a diminuição da bancada governista, com a saída de Wilson Santiago, além dos aliados que possui na Câmara dos Deputados. Em Brasília, Cícero tem poder e Cássio tem votos. Na realidade estadual, Cássio terá a “infra” do governo para apaziguar os ânimos dos diretorianos e pode haver nova acomodação de tucanos em cargos do Estado e até da Prefeitura de João Pessoa.
Cícero pode perder a besta e o frete

Mas isso só se Ricardo quiser. E ele, provavelmente, irá querer, não apenas em atenção ao aliado, mas também pela “incompatibilidade” com Cícero, nutrida há muito e, finalmente, por um compromisso cada vez mais forte de manter Luciano Agra no comando da capital, o que lhe dá mais conforto para governar e, principalmente, para implementar projetos conjuntos na cidade.

O segundo desdobramento do surgimento do PSD na Paraíba sob o comando de Rômulo é a adesão antecipada de mais uma legenda de tamanho considerável nas disputas eleitorais que o grupo Cássio/Ricardo estará participando em 2012 e 2014. É mais tempo de horário eleitoral, mais verba partidária (principalmente se vier o financiamento público de campanhas) e mais peso nas chapas proporcionais.

PSD pode ser novo queridinho de Dilma
O terceiro efeito da criação do PSD, que acontece em todo o Brasil e se repete na Paraíba, é que o partido tem servido ao movimento adesista que todo novo governo experimenta. O partido será morada mais confortável para os que saíram das últimas eleições inconformados com o tratamento dispensado pelas lideranças que seguiam e que temem retaliações pela postura de proximidade do governo, entre elas, principalmente, a falta de legenda para disputas futuras. Vários partidos e suas lideranças experimentam a debandada.

E a quarta, e última, das mais importantes decorrências do surgimento do PSD-PB é, com certeza, a ascensão de Rômulo ao primeiro escalão das lideranças políticas paraibanas. Mesmo com toda a força que sempre demonstrou, ele era ofuscado por caciques tucanos como Ronaldo, Cássio e Cícero e sempre teve dificuldades para deixar a condição de coadjuvante dentro do PSDB. Mesmo em relação a outros partidos, Rômulo tinha mais votos e poder de mobilização, mas prescindia de poder partidário e de decisão em relação a nomes como Enivaldo Ribeiro, Damião Feliciano, Armando Abílio, Wellington Roberto e outros.

Agora, no controle de um partido que já nasce muito forte nacionalmente, Rômulo ocupa não apenas o controle, mas, também, o cargo político mais importante do partido no estado, sendo, portanto, impossível derruba-lo. O vice-governador terá enorme poder na configuração das chapas da campanha 2012. 

Agora só depende dele decidir se voltará ou não a disputar a Prefeitura de Campina, e, com certeza, poderá impor sua vontade na sucessão de Ricardo. Se quiser, continua onde está, mas eu acredito que o gordinho vai deixar a vaga de vice para o PSDB e rumar célere para o Senado. Isso representaria, diretamente, o ocaso definitivo de Cícero e Maranhão.

Será que Cássio e Ricardo apoiariam?

domingo, maio 01, 2011

PRIMÓRDIOS DA ANIMAÇÃO GRÁFICA EM CAMPINA GRANDE



Olha eu aí, há mais de 20 anos, já nos primeiros passos para me distanciar da extinta magreza, fazendo de conta que estava vendo alguma coisa no visor da velha Sony DXC1820, que deixava todo mundo com "cara de lua" (cheia de buracos).


Era o final de 1986 quando o então Diretor de Programação da TV Borborema, afiliada da Rede Globo em Campina Grande, transformava em realidade o sonho de montar a primeira produtora de vídeo profissional de Campina Grande.


Afonso Marreiro, ex-desenhista e chargista do Diário da Borborema, fascinado pela produção em vídeo, produzia comerciais para a única emissora do estado ainda em VHS e montava seus filmes nas máquinas da própria emissora, que normalmente não cobrava por tal serviço, incluindo-o nas verbas investidas pelos anunciantes para a exibição dos comerciais.



A NO AR Produção Comercial e Propaganda iniciou suas atividades na sala 09 da sobre-loja do Edifício Rique, localizado à Rua Venâncio Neiva, onde também funciona a emissora, contando com o patrimônio de uma câmera Sony DXC-1820, um gravador de externas U-Matic VO-6800, dois Vídeo Tape Recorder de Mesa Sony VO-2680, carinhosamente chamados de “jacarés” pela habilidade incomum de “engolir” fitas.


Estes e outros equipamentos, como gravadores de rolo Akai, mixer de áudio Polivox e tripé em ferro eram o pecúlio resultante da participação de Afonso na campanha do então Senador Raimundo Lira e pertenciam originalmente à produtora CONVÍDEO, de João Pessoa.


Até aquele momento toda a produção de comerciais exibidos em Campina Grande era feita em película de Super 8 ou 16mm, pela Cinética de Machado Bitencourt, importada de produtoras como a Vídeo Frame, das organizações Arnon de Mello (TV Gazeta) de Alagoas ou da produtora da TV Globo de Recife, além das produções “caseiras”, da própria TV Borborema, em VHS.


Não se tem notícia de que antes desta época tenha sido produzido qualquer material que possa ser considerado animação em Campina Grande, embora algumas empresas, como as Casas José Araújo ou as Lojas Pernambucanas, utilizassem técnicas específicas em suas assinaturas, produzidas quase sempre em São Paulo.


O mais próximo que se chegava de animações na publicidade eletrônica campinense eram os tradicionais VTs de promoção criados pela agência Vitória Régia, do publicitário José Tavares, onde figuras recortadas em cartolinas se alternavam rapidamente na tela para anunciar as promoções das mais tradicionais malharias de Campina Grande.


Em meados dos anos 80, logo após a inauguração da TV Paraíba, que tirou da TV Borborema a concessão da Rede Globo, o fantasma da concorrência começou a rondar o mercado até então dominado com exclusividade pela NO AR. Estabelecida em Natal, a empresa Provídeo começou a investir no mercado de Campina Grande para o fornecimento de filmes comerciais com qualidade superior, produzidos com as moderníssimas câmeras 3CCD, pois até então a captação de imagens pelas câmeras de vídeo era feita através de um ou mais tubos, e com ilhas de edição das linhas VO e BVU, da Sony, controladas por equipamentos que sincronizavam duas ou até três máquinas, que eram capazes de efeitos especiais como o slow-motion e o A/B roll.


A chegada da Provídeo forçou a modernização da NO AR e por volta de 1988 eu, que na época era o editor de imagens da empresa, fui enviado a João Pessoa para retirar em uma das várias produtoras já existentes na capital um equipamento que seria a grande arma da NO AR contra a concorrente: um computador AMIGA 500. Na visita à empresa do diretor Weber Luna, que não deveria durar mais que algumas horas, eu receberia ainda todas as instruções necessárias para operar com facilidade o novo equipamento. Ao chegar fui recebido pelo filho de Weber, Max, que interrompeu um de seus jogos eletrônicos – o AMIGA foi também conhecido pelos games – para fornecer-me informações básicas a respeito do equipamento, que visavam muito mais que eu não o quebrasse tentando aprender a usar do que propriamente a boa operação do mesmo.


Lançada em 1984 pela empresa canadense Commodore, a série AMIGA foi criada por Jay Miner, até hoje um dos mais respeitados gênios da informática, porém desconhecido do grande público graças ao crescimento de concorrentes como a Microsoft e a Apple.


O primeiro computador da série foi o AMIGA 1000, lançado em 23 de julho de 1985, mas o grande sucesso da linha foi realmente o AMIGA 500, lançado no início de 1987, com processador MC 68000 de 7.14Mhz, 512Kb de memória RAM, drive para disquetes de 880kb, mouse e sistema operacional AmigaOS 1.2. Caso quisesse trabalhar com HD, este teria que ser externo, com até 20Mb, e poderia ser importado quase pelo mesmo preço do próprio computador (US$ 1.000).


Era realmente impressionante o que o valente AMIGA 500 conseguia fazer com tão pouco!
Chegando a Campina Grande com o equipamento, após ver o que Max “aprontava” em João Pessoa, declarei que estávamos com um grande trunfo nas mãos, pois a aquisição do computador representava uma aposta arriscada em um mercado que ainda não assimilava ainda a convergência do vídeo com a computação, exceto em projetos extremamente profissionais e financeiramente vultosos de algumas redes nacionais e empresas de produção com qualidade broadcast.


Não foi pequeno o trauma ao perceber que a máquina não aceitava os comandos repassados pelo “professor” e tão arduamente decorados e anotados ao longo da viagem de volta. Quase duas semanas se passaram da mais profunda decepção – mais comigo do que com a máquina – e de negativas de Max em deslocar-se a Campina Grande para finalmente fazê-la funcionar até que alguém finalmente percebeu que o computador, montado em um só gabinete (teclado, cpu e drive de disquete) tinha era uma pequena rachadura na placa principal, que causava um mal contato e impedia a recepção dos comando enviados pelo teclado. Após aquele dia, era normal para nós e muito estranho para os que não fossem acostumados ao nosso cotidiano, dar uma “torcidinha” no gabinete quando ele recusava-se a “trabalhar”.


O AMIGA é considerado o primeiro computador com reais qualidades para a produção de vídeo acessível ao mercado, inicialmente pela sua saída de vídeo ser idêntica a dos vídeocassetes, através de vídeo composto, por um cabo com conectores RCA, o que possibilitava que o que aparecia na tela fosse gravado em vídeo, fazendo com que o AMIGA gerasse slides computadorizados para os comerciais da época. Além disso, havia os programas especializados, como o Vídeo Title, o TV Text e o TV Show, que era realmente o meu preferido e já trabalhava, vejam só, com alguns dos conceitos utilizados até hoje, como a marcação de key-frames para determinar os pontos de início e final de uma animação.


Foi com o TV Show que produzi, no finalzinho dos anos 80, as primeiras vinhetas animadas em computação gráfica da TV campinense, formadas quase sempre por letras em baixíssima resolução para os padrões atuais, que poderiam utilizar-se de 8,16, 32, 64 ou até 4.096 cores, que percorriam rapidamente a tela e formavam palavras, frases ou cópias distorcidas das logomarcas dos clientes, com uma “marca registrada” que era uma pequena “piscada” antes do último frame.


A memória de 512Kb daquele AMIGA 500, que não tinha HD, me permitia animar até 60 frames com 8 cores ou 15 com 16 cores. Comumente era utilizado um efeito de vai-e-vem para driblar a pouca capacidade do equipamento e duplicar o tempo de animação.


Além dos muitos filmes comerciais, o primeiro programa da TV campinense a utilizar as animações do AMIGA 500 foi o CCAA TV, que eu escrevia, gravava, editava, produzia e dirigia no ano de 1991. O programa era exibido pela recém inaugurada TV Paraíba e foi o primeiro de produção independente a ser exibido na Paraíba. Ia ao ar nos domingos pela manhã, ocupando o horário e privando os campinenses, vejam só, das primeiras temporadas de Os Simpsons.


Logo após a compra do AMIGA 500 um episódio marcante aconteceu. Ao voltar de uma gravação externa, fui informado pelo cinegrafista Carlos Alberto Xapéu, meu colega na NO AR, que havia estado lá um garoto que conhecia o AMIGA e que dizia haver um aparelho chamado GENLOCK, que possibilitava a superposição dos gráficos do AMIGA nas imagens em movimento.


Profissional experiente no mercado, assistente e seguidor de Machado Bitencourt, Xapéu achou que o garoto não sabia o que estava falando e não o levou a sério.


Aquele garoto era Sílvio Toledo, que iniciava nesta época as suas visitas cotidianas à NO AR, sempre para descobrir mais sobre a área e falar sobre a magia da animação.


Ainda em 1991, após ser levado à empresa Laser Engenharia pelo publicitário Walter Carvalho, Sílvio Toledo foi contratado para produzir o primeiro comercial em animação de Campina Grande. Para que o contrato fosse possível, abriu mão de diversas especificidades do trabalho, substituindo, por exemplo, o acetato próprio para a animação por transparências utilizadas para fotocópias e a tinta especial para animação por tinta acrílica utilizada para pintura de paredes.


Após semanas de trabalho para desenhar e colorir os quadros que formariam uma estória que ilustrava um jingle do anunciante, Sílvio chegou à NO AR com a grande caixa de material e desesperou-se em seguida ao perceber que o incorreto acondicionamento das transparências na caixa havia feito com que a maioria dos desenhos grudasse entre si, fazendo com que grande parte do seu trabalho estivesse completamente perdido.


Como não havia mais tempo nem dinheiro para refazer o trabalho perdido, decidimos produzir o filme com o que tínhamos e iniciamos a gravação dos quadros. O processo era feito através de uma câmera Sony U-Matic DXC M3A, com a qual eu captava alguns segundos de cada quadro, para, em seguida, montar frame a frame no velho VTR, auxiliado por um controlador remoto modelo Sony RM450. Embora em alguns trechos o filme tenha tido não mais que sete frames por segundo, o filme foi um sucesso e Sílvio “animou-se” para a carreira que deveria seguir, lançando em seguida o seu personagem Godofredo, que assemelhava-se muito ao personagem principal do comercial da Laser.


Embora este tenha sido o primeiro filme comercial de animação produzido em Campina Grande, outro foi realizado logo em seguida, para o mercado local, com criação e concepção técnica feitas por mim, porém produzido em Natal, pela Provídeo, em vista das condições inexistentes para que o processo fosse feito em Campina Grande.


O título do filme era “Arraial da Saúde”, a agência foi a Takes – de Miriam Ribeiro – e o cliente, o Grupo JB Dantas (atual Farmácia dos Pobres). A minha idéia era produzir um filme onde caixas e vidros de medicamentos simulassem uma quadrilha junina, em meio à maquete de um arraial, com direito a fogueira, bandeirolas e todos os “atores” e “atrizes” devidamente paramentados. Após “vender” a idéia para Miriam e Joãozito (diretor do Grupo JB Dantas), levei um bom tempo para explicar para Tony, proprietário da Provídeo, como ele conseguiria realizar a idéia, pois eles jamais tinham feito nada do gênero até então.


O resultado foi então o primeiro e talvez único comercial produzido com a técnica do stop motion – embora eu nem soubesse que ela existia na época – especificamente para o mercado de Campina Grande. O “Arraial” foi o vencedor, em 1992, do primeiro lugar na categoria mercado (a mais disputada) da primeira edição do Prêmio Criatividade, até hoje promovido pela Rede Paraíba.


Uma outra experiência pode ter significado a primeira incursão do 3d na publicidade campinense. Com uma caixa em papelão azul, onde foi desenhada a logomarca do supermercado Serve Bem, presa a um toca discos com um lápis como haste, simulamos um cubo em 3d, com o efeito Chroma-key, na época disponível apenas na TV Paraíba, através do equipamento CRK-2000.


Em 1994, já instalada no recém-construído Empresarial Metropolitan, a NO AR adquiriu o equipamento que foi sem dúvidas a sensação das produtoras de pequeno e médio porte nos anos 90: o computador AMIGA 4000, equipado com a placa VIDEO TOASTER.


A VIDEO TOASTER, como o próprio nome sugere, era uma estação de produção de vídeo extremamente prática, rápida, potente e eficaz. O AMIGA 4000 era equipado com um processador 68040, que operava a uma velocidade de 25Mhz, com 2Mb de RAM, Drive para disquetes de 3.5”, controladora IDE, HD de 80Mb e sistema operacional Amiga DOS 3.0, além do AGA chip set, que permitia mostrar até 256.000 cores, enquanto os chips concorrente permitiam mostrar apenas 4.096.


A estação era formada por dois módulos de trabalho. O primeiro simulava uma mesa de efeitos na tela do computador e possibilitava fazer a transição entre duas imagens ou inserir elementos gráficos em movimento sobre as imagens. O segundo módulo era um programa de animação dividido em dois módulos, sendo um para modelagem e ou outro para animação propriamente dita: o LIGHTWAVE.


Durante os primeiros meses de utilização da Vídeo Toaster, o Lightwave era um grande mistério para mim e só depois de muitas tentativas consegui começar a entender o seu funcionamento, produzindo então as primeiras vinhetas realmente em 3d do mercado, que nada mais eram do que as mesmas do TV Show, agora com mais cores, perspectiva, volume, luzes e tudo o que a primeira versão do programa já permitia.


Em 1995, contratado pela agência JTP, produzi para o anunciante MOTORTRAFO o que pode ser considerada a primeira vinheta em 3d de Campina Grande, onde consegui reproduzir ainda de forma tosca uma rua com três postes, num dos quais estava um grande transformador cinza, de onde sairiam faíscas que formariam as letras do logo da empresa.


Nesta época as vinhetas em 3d tornaram-se mais populares em João Pessoa, quando Luciano Piquet, hoje proprietário da bem sucedida empresa Paraí, utilizava com perfeição o 3D Studio para simular principalmente os ambientes dos melhores apartamentos comercializados no nordeste.


Daí pra frente, o mercado de animação de Campina Grande, ao invés do que poderia se esperar, encolheu, se considerarmos a sua força inicial.


Hoje, são realmente muito poucos os usos da animação tradicional ou em 3d para peças comerciais produzidas na cidade, sem falarmos em outras técnicas, como o stop-motion, jamais utilizada novamente.


Embora a empresa S. Toledo tenha sido criada para atender a uma possível demanda de um mercado potencial, este jamais existiu de fato e a empresa, como várias outras de ponta em suas áreas, direciona toda a sua produção para mercados externos, inclusive internacionais.


Hoje Campina Grande conta com quatro produtoras de vídeo profissional (NOAR, Ruan, Ativa e FK) e nenhuma delas está apta a produzir com seus próprios recursos técnicos ou humanos, peças de animação de personagens, por exemplo, embora utilizem os mais modernos softwares disponíveis no mercado, como 3DMax, Lighwave, Maya e Adobe After Effects, porém simplesmente para animação básica de letterings e logotipos.