domingo, julho 31, 2011

Senador Caloteiro


Calma, não é por aqui não. Seria do computador do senador João Capiberibe (PSB - Amapá) o "printscreen" que mostra um pedido de um credor para negociar uma dívida referente a compra de livros.

Clique aqui para ver a imagem em tamanho original


O arquivo, entre vários outros, foi divulgado pelo grupo de hackers auto-denominado de lulzsecbrazil em seu site após uma grande "operação" realizada no último sábado, que invadiu, derrubou e coletou dados de dezenas de sites de empresas, órgãos públicos e pessoas (principalmente políticos) de todo o Brasil.

Nenhum órgão ou político aqui da Paraíba foi vítima do grupo dessa vez, mas, para os interessados, corre na Justiça paraibana, desde 2005, caso muito mais escabroso relacionado com um importante partido e alguns políticos especializados em picaretagens eleitorais.

sábado, julho 30, 2011

Começam hoje as eleições municipais


Começa hoje (30/07/2011), oficialmente, a corrida para as eleições municipais de 2012.

E, no meu entender, o fato que marca essa largada é a realização das convenções do PSD em Campina Grande e João Pessoa, que servirá como base de lançamento para as discussões mais efetivas sobre a formação de chapas e coligações.

Mas isso não deixa de ser um paradoxo, pois o PSD, liderado pelo vice-governador Rômulo Gouveia, não pretende e nem tem ainda condições políticas - pelos vínculos do seu presidente estadual com PSDB e PSB - para lançar candidaturas nas chapas majoritárias dos dois principais colégios do estado.

Justamente por isso o PSD tem servido para revelar alguns prognósticos em relação às eleições 2012, pelo menos em Campina Grande, pois tem convidado alguns nomes que podem ser atores importantes do próximo pleito. Sendo assim, se o PSD convida e o convidado não aceita e filia-se - ou permanece filiado - a outro partido que pode lançá-lo em chapa majoritária, aumentam significativamente as chances de ser candidato.

O caso mais emblemático disso é o da reitora da UEPB, professora Marlene Alves, que é filiada ao PCdoB e foi convidada pelo vice-governador, com quem tem ótima relação pessoal, administrativa e política, para integrar os quadros do novo partido.

Romero: maiores chances de 2º turno
Marlene sabe que o PSD deve apoiar a candidatura de Romero Rodrigues, pelo PSDB, à prefeitura e que a lógica política atual é que o PSB seja dono da vaga de vice, o que faz com que nem essa vaga esteja disponível.

Assim, se Marlene aceitar o convite, o máximo que poderá fazer - a não ser que houvesse uma reviravolta completa no quadro político campinense - é candidatar-se a vereadora.

Já se a reitora permanecer no PCdoB será uma forte demonstração de sua determinação de concorrer à prefeitura, mesmo que não seja pelo PCdoB, que tem a grande desvantagem de possuir pouquíssimo tempo de TV. As opções são se filiar a um partido maior ou conseguir celebrar coligação com um. E ainda tem a possibilidade da criação de um arco de alianças com partidos pequenos, que, juntos, somariam um tempo maior de horário eleitoral. Todas as opções são complicadas, trabalhosas e até perigosas, cada uma por motivos diferentes.

A preço de hoje, as eleições do próximo ano em CG terão, pelo menos, seis candidatos.

Guilherme: falta carisma?
Tatiana: exposição em busca de vaga
Daniela: história e carisma
Arthur tenta se viabilizar
Romero já está lançado pela oposição ao governo municipal e deve trazer vice do PSB (sobre o qual falo lá no final deste texto); Guilherme Almeida e Tatiana Medeiros travam disputa por espaços na mídia para se cacifar junto ao grupo do prefeito Veneziano; Daniella corre por fora e está cada vez mais distante de uma composição com situação ou oposição, pois estes já perceberam que se lançarem candidatos com antecipação podem reverter a popularidade da deputada; Arthur Almeida (PTB) também pretende lançar-se como via alternativa, mas pode tentar dar uma de Efraim e negociar uma vice-prefeitura - o que está difícil - ou até uma candidatura a vereador "vitaminada" com a oposição. PSOL e mais algum "nanico" devem lançar candidatos.

Marlene tem base diferenciada e pode repetir efeito Vené
E tem Marlene, que, apesar de ter uma candidatura, em princípio, de estratégia de exposição para garantir vaga na Câmara dos Deputados em 2014, pode surpreender e relembrar o fenômeno Veneziano de 2004, quando o então vereador combatia o governo desgastado de Cozete e a candidatura "salto-alto" de Rômulo, ultrapassou a prefeita no primeiro turno e ganhou o segundo num sprint final que surpreendeu até a si mesmo (a arrancada, não a vitória).

Marlene tem uma história política exemplar e uma trajetória administrativa irretocável, conseguindo uma "quase unanimidade" inteligente. Professores, alunos e servidores da UEPB não apenas a respeitam. Gostam dela, querem o seu bem e são multiplicadores do trabalho profícuo de sua gestão à frente da verdadeira universidade de Campina Grande. Aquela que a cidade tem como seu maior patrimônio, motivo de orgulho e regozijo. E Campina sente-se em permanente dívida de gratidão com Marlene desde que ela foi fazer greve de fome em João Pessoa para por fim a uma greve de meses e se contrapor a um governador odiado pela maioria de seus conterrâneos.

Com essa configuração, uma coisa é certa: o segundo turno.

E entre os candidatos citados, apenas um, acredito, tem vaga quase garantida na segunda etapa da disputa: Romero, que contará com o apoio de um governo do estado que já estará mostrando resultados efetivos àquela altura, além de um discurso forte e pertinente em relação ao governo atual.

A segunda vaga é que são elas. Elas mesmo: Daniella, Tatiana ou Marlene, pois não acredito que Guilherme, vencendo a disputa interna, consiga convencer o eleitor de que é o sucessor natural de Veneziano (e nem Veneziano conseguirá transferir para ele sua popularidade e liderança).

O(a) candidato(a) da situação será o saco de pancadas da campanha, ao passo que Marlene deve ser a candidata menos atacada, por sua relação cordial com o PSDB/PSB/PSD e pela necessidade da situação de polarizar apenas com um candidato de oposição, sob pena de viabilizar uma terceira via.

Daniella, apesar de poder ser atacada por todos os lados, ainda tem mais chance que Marlene de chegar ao segundo turno, sobretudo pela expertise do grupo que representa na logística eleitoral, mas o fato de ser 100% oposição (aos governos estadual e municipal) podem prejudicá-la justamente nos bastidores "assistencialistas" da campanha.

Marlene tem uma base eleitoral inédita e, de certa forma, desconhecida, porque nunca na história política campinense a comunidade acadêmica se envolveu em uma campanha como poderá se envolver na próxima. Seriam milhares de formadores de opinião de todas as faixas etárias e posições sociais com grande poder de argumentação.

Um segundo turno entre Marlene e Romero poderia significar um tipo de campanha completamente diferente de tudo o que Campina Grande já viu, pois significaria, em primeira instância, a vitória antecipada do bloco de oposição. Qualquer que fosse o resultado, Ricardo, Cássio e até Rômulo ficariam satisfeitos.

Haveria diminuição efetiva do acirramento, muito pouca "baixaria" e, espero eu, esvaziamento da boca de urna da majoritária (embora no primeiro turno ela deva ser a mais ostensiva de todos os tempos, principalmente na base situacionista).

Campina poderia ter, pela primeira vez em muito tempo, uma campanha limpa.

Alguns aspectos, obviamente, merecem outras observações, que não cabem aqui para não "prolixar" ainda mais o comentário.

Thompson: o fiel da balança?
Mas, vale lembrar, nesse xadrez, uma figura ainda não citada pode ter destaque. Está no PSB, que detém a vaga natural de vice do PSDB, o grande antídoto para o que poderia ser o "fenômeno" Marlene. Thompson Mariz, o outro reitor de universidade pública de Campina. Se for ele o vice de Romero, fica mais difícil para Marlene ir ao segundo turno. Se ele atender ao convite já feito, filiar-se ao PT e for o vice do PMDB, fortalece a campanha situacionista e pode levá-la ao segundo turno. Neste caso o apoio de Marlene a Romero no segundo turno seria decisivo.

E há, porque não, a chance de Thompson também ser candidato a prefeito - pelo PT (?) - e nesse caso anular-se a si próprio e a Marlene pelo choque de "target", criando uma polarização paralela, com uma disputa antecipada da vaga pela câmara federal.

As fichas estão na mesa. (volto ao assunto...)

quinta-feira, julho 28, 2011

quarta-feira, julho 27, 2011

Mídia online ultrapassa revista e já é terceira no bolo publicitário

Com faturamento total de R$ 3,040 bilhões, mídia online passa o meio revista e torna-se a terceira no share publicitário brasileiro

Pela primeira vez no Brasil, os buscadores integram a pesquisa do faturamento publicitário digital. O Internet Advertising Bureau (IAB) divulgou nesta terça-feira, 26, que somente os buscadores Google, Yahoo, Bing (Microsoft), Buscapé e Ask.com (que representam 95% do mercado total de serviços de busca) foram responsáveis por 50% do mercado publicitário dos meios digitais. Com a adição dos buscadores, o share passa a ser de 10%, o que eleva o meio online a terceiro no ranking dos meios geradores de receita publicitária, atrás apenas dos jornais e da TV aberta.

Assim, o bolo publicitário digital total é estimado em R$ 3,040 bilhões, sendo que 50% são gerados por displays e 50% pelos buscadores. Se esse número não tivesse sido incluído, a previsão para este ano é que as mídias digitais gerassem R$ 1,520 bilhão, com share de 5,3% sobre o faturamento total. 

Segundo o Projeto Inter-Meios, o faturamento publicitário do ano passado foi de R$ 26,216 bilhões. Desse total, a internet foi responsável por 4,64% do share. Conforme o vice-presidente para veículos do IAB, Marcos Swarowsky, a estimativa da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (ABAP) é que o faturamento publicitário chegue a R$ 28,8 bilhões este ano, com expansão de 10% sobre o ano passado. Com esse volume e mais o R$ 1,5 bilhão da publicidade digital gerada apenas pelos buscadores, o faturamento total do Brasil deve chegar a R$ 30,3 bilhões até o final deste ano.

A metodologia usada pelo IAB para chegar ao R$ 1,5 bilhão gerado pelos buscadores, segundo explica o presidente do IAB, Fábio Coelho, é a mesma já adotada pela entidade nos demais países em que atua. Em geral, nos países pesquisados pela entidade, da publicidade online total, com pequenas variações, 50% são gerados por displays e 50% por serviços de busca.

No Brasil, a conta total da publicidade, portanto, une essa metodologia ao número obtido pelo Projeto Inter-Meios para totalizar o bolo publicitário do País. Coelho diz que, com esses dados, fica mais fácil para as agências e anunciantes trabalharem com as verbas publicitárias. “É um novo parâmetro. A mídia digital fica, dessa forma, acima do meio revistas e atrás apenas dos jornais e da TV aberta. E passa a representar cerca de 10% do total. É uma oportunidade para o mercado trabalhar com o dado certo e trata-se de um trabalho conjunto elaborado pelas agências e veículos”, afirma Coelho.

Novos tempos

A inclusão dos buscadores na mídia digital era uma demanda e uma questão de tempo, já que o IAB adota a prática há algum tempo em outros países em que atua. Em fevereiro deste ano, o presidente do IAB, Fábio Coelho, eleito no final do ano passado para o biênio 2010/2011, teve sua presidência contestada ao assumir como diretor geral do Google Brasil. O argumento estava baseado no fato de que, o Google, como associado da IAB, não reportava seus números ao Projeto Inter-Meios como o fazem todos os portais filiados à IAB, segundo a police internacional da matriz. E isso era uma demanda antiga do Projeto Inter-Meios.

A IAB se decidiu pela permanência de Coelho que, quando eleito, garantiu que uma de suas prioridades era criar as bases de entendimento da real relevância do meio digital. No discurso, prometia “gerar um modelo onde as agências possam trazer ainda mais anunciantes”.

Publicado em: Meio & Mensagem
26 de Julho de 2011 • 14:31

quinta-feira, julho 21, 2011

Dicionário de Prazos

Para evitar que estrangeiros fiquem “pegando injustamente no nosso pé”, está-se compilando o “Dicionário Brasileiro de Prazos”, que já deveria estar pronto (mas atrasou), do qual foram extraídos os trechos a seguir:

DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já, significa “passou a ser minha primeira prioridade”, enquanto “faço já já”, quer dizer apenas “assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito.”

LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve, e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase “Mas logo eu?”, que quer dizer “tô fora!”.

MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos: de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!

NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR: Traduz-se como “nunca”.
POR VOLTA: Similar a “no máximo”. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer a partir das 5 h.

SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro atraso, deve-se dizer “fique tranqüilo que amanhã eu entrego.” E depois do segundo atraso, “relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta.”

UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

TÁ SAINDO: Ou seja: vai demorar. E muito. Não adianta bufar. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. Não entendeu? É para continuar a esperar? Capisce! Understood? Comprenez-vous? Sacou? Mas não esquenta que já tá saindo…

VEJA BEM: É o Day After do DEPENDE. Significa “viu como pressionar não adianta?” É utilizado da seguinte maneira: “Mas você não prometeu os cálculos para hoje?” Resposta: “Veja bem…” Se dito neste tom, após a frase “não vou mais tolerar atrasos, OK?”, exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

PEDAÇO: Palavra muito usada na região do estado da Paraíba e adjacências que corresponde a uma medida de tempo (daqui a um pedacinho) a uma medida de distancia (só falta um pedaço) ou relativa a quantidade (só um pedaço). Nem os paraibanos conseguem mensurar quanto vale um pedaço, pois pedaço é um pedaço (maravilhosa explicação).


segunda-feira, julho 18, 2011

A Elegância do Comportamento


Baseado em texto de Toulouse-Lautrec

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a Elegância do Comportamento.

É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.

É uma elegância desobrigada.

É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.

Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe das pequenas maldades ampliadas no boca-a-boca.

É possível direta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir ao mais humilde.

Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.

É possível diretá-la em pessoas pontuais.

Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete.

Oferecer flores é sempre elegante.

É elegante não ficar espaçoso demais.

É elegante, você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo…

É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.

É muito elegante não falar de dinheiro em conversas informais.

É elegante retribuir carinho e solidariedade.

É elegante o silêncio, diante de uma rejeição…

É elegante não “pegar emprestado” objeto da casa das pessoas, por menor que seja…

Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do Gesto.

Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.

É elegante a gentileza.

Atitudes gentis falam mais que mil imagens…

… Abrir a porta para alguém é muito elegante.

… Dar o lugar para alguém sentar… É muito elegante.

… Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma…

… Oferecer ajuda. É muito elegante.

… Olhar nos olhos, ao conversar é essencialmente elegante.

Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.

A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licença para o nosso lado grosseiro, que acha que “com amigo não tem que ter estas bobagens”.

Se os amigos não merecem certa cordialidade, os desafetos é que não irá desfruta-la.

Educação enferruja por falta de uso!

E, detalhe: não é supérfluo.

terça-feira, julho 12, 2011

O círculo


Numa granja, uma galinha se destacava entre todas as outras por seu espírito de aventura e ousadia. Não tinha limites e andava por onde queria.

O dono, porém, estava aborrecido com ela. Suas atitudes estavam contagiando as outras, que já a estavam copiando.

Um dia o dono fincou um bambu no meio do campo, e amarrou a galinha a ele,com um barbante de dois metros.

O mundo tão amplo que a ave tinha foi reduzido a exatamente onde o fio lhe permitia chegar.

Ali, ciscando, comendo, dormindo,estabeleceu sua vida. De tanto andar nesse círculo, a grama dali foi desaparecendo. Era interessante ver delineado um círculo perfeito em volta dela. Do lado de fora, onde a galinha não podia chegar, a grama verde, do lado de dentro, só terra.

Depois de um tempo, o dono se compadeceu da ave, pois ela, tão inquieta e audaciosa, era agora uma apática figura.

Então a soltou.

Agora estava livre! Mas, estranhamente, a galinha não ultrapassava o círculo que ela própria havia feito. Só ciscava dentro do seu limite imaginário. Olhava para o lado de fora, mas não tinha coragem suficiente para se aventurar a ir até lá. E assim foi até o seu fim.
Nascemos tendo nossos horizontes como limite, mas as pressões do dia-a-dia fazem com que aos poucos nossos pés fiquem presos a um chão chamado rotina.

Há pessoas que enfrentam crises violentas em suas vidas, sem a coragem de tentar algo novo que seja capaz de tirá-las daquela situação. Admiram os que têm a ousadia de recomeçar, porém, elas próprias buscam algum culpado e vão ficando dentro do seu “círculo”.

O mercado sempre coroa com reconhecimento aqueles que inovam, criam, chamam a atenção.

O segredo do sucesso está na criatividade.

Criar é pôr em prática algo que não existe.

É correr o risco.

Como saber o final da história sem caminhar até o fim?

quarta-feira, julho 06, 2011

CESREI é 0%. Mas é 0% de quanto?


Não estou querendo defender a CESREI e nem posar de "babão", até porque o meu vínculo com a instituição é com o curso de Publicidade e Propaganda, no qual ministro apenas uma disciplina, e não tenho nenhuma relação - profissional ou pessoal - com os que fazem o curso de Direito.

Posso, no máximo, oferecer o meu testemunho em relação à instituição mantenedora dos dois cursos e de diversos outros, de pós-graduação, para afirmar que o resultado do Exame da Ordem não combina com a dedicação e cuidado permanentes em relação a todos os aspectos importantes para a formação de profissionais capazes e competentes, como, de resto, acontece em todas as instituições de ensino superior - públicas e privadas - existentes em Campina Grande.

Mas me espantou, de certa forma, que o resultado dos alunos da CESREI tenha sido divulgado de maneira tão superficial, sem, como seria de se esperar, ressaltar que apenas quatro alunos participaram do exame ou, pelo menos, dar oportunidade para que a instituição afirmasse isso e fizesse as contas que faço a seguir.

Pense comigo: a CESREI inscreveu quatro alunos, dos quais nenhum foi aprovado. Se um - apenas um - deles tivesse sucesso, a instituição pularia para importantes 25% de aprovação, ultrapassando, de uma "lapada" só, a UEPB (22,42%), a UFCG (15,83%), a UNIPÊ (14,40%), o IESP (9,83%), a FACISA (8,81%), a FIP (7,94%) e a UNESC (6,76%).

Ou seja, se UEPB, UFCG, UNIPÊ, IESP, FACISA, FIP ou UNESC tivessem inscrito apenas quatro candidatos, mantendo-se o percentual alcançado, NENHUM teria sido aprovado.

No caso da FACISA, por exemplo, mesmo se tivesse inscrito apenas 11 alunos, teria 0% de aprovação. Inscreveu 162, dos quais apenas 14 foram aprovados.

Já da UNESC, se 16 alunos tivessem participado - quatro vezes mais do que a CESREI - ainda assim teria 0% de aprovação. Dos 75 inscritos, 70 foram reprovados.

Como é possível ver, o buraco é mais, muito mais, embaixo.

Estou cansado de afirmar - apesar de não ser da área - a minha opinião sobre a impropriedade do Exame da Ordem. Não acho o exame injusto, acho injusto, em primeiro lugar, que seja aplicado apenas para os graduados em Direito e não para os de vários outros cursos nos quais considero até mais importante uma avaliação mais aprofundada, sobretudo no caso dos da área de saúde, onde nossas vidas, literalmente, são depositadas nas mãos desses profissionais.

Outra grande injustiça que vejo no Exame da Ordem é que seja realizado apenas uma vez, para iniciar no exercício da profissão, quando se sabe que a ordem jurídica brasileira é extremamente dinâmica e a cada dia temos novas leis e, principalmente, novas interpretações de leis já existentes. Por que não estabelecer que todo advogado, juiz, delegado, promotor, enfim, que todo operador efetivo do Direito seja obrigado a refazer o exame a cada cinco anos?

Eu acho que sei a resposta, mas não sei se ela é tão interessante para ser divulgada quanto a notícia do 0%.

Preocupados devem estar os alunos da FACCAMP, de São Paulo, que teve 0% de aprovação em 73 inscrições. Mais preocupação ainda deve atingir os alunos da FAETE, do Piauí, que não teve 0%, mas inscreveu 152 e apenas 1 foi aprovado (0,69%). Este sim foi, sem dúvidas, o PIOR resultado.

Mas, como nem tudo são espinhos, aproveito para parabenizar a melhor classificada no exame da OAB, segundo os critérios divulgados. A valorosa Faculdade Alvorada, de Maringá, no Paraná, já deve estar preparando a arte do outdoor, divulgando ser a ÚNICA com 100% de aprovação.

Obviamente aquelas letrinhas pequenas denunciarão aos portadores de lupa que apenas UM aluno da instituição participou. Parabéns, Campeão!!!

Por que os blogs de jornalistas não funcionam

Artigo muito interessante, do longínquo ano de 2006, mas que, como tudo de bom que se escreve, continua extremamente atual.



De repente, a imprensa toda descobriu os blogs... Baixaram um decreto-lei em cada redação e, impreterivelmente até o final do ano, todo jornalista tem de colocar seu blog no ar. Todo. “Mas, pera lá, eu vou blogar sobre o quê?” “Ah, sei lá, não importa: blogue! Inscreva-se no Orkut, visite os fotologs, abra uma conta no Gmail, compre até um iPod se for necessário... mas blogue!” “Como assim ‘blogue’? Eu preciso saber por quê...” “Ora, porque toda a concorrência está blogando – que-nem-lou-ca! Ah, sei lá, por quê... Blogue!”.

E lá foram os jornalistas blogar... Mas jornalista que é jornalista não entende nada de internet, tem preguiça: fugiu dela enquanto pôde, torceu para que a Bolha mandasse a tal “nova economia” pro espaço... Mas, mesmo com a Bolha que enterrou a euforia das pontocom em 2000, a imprensa jamais recuperou seu antigo posto... Outra bolha se formou e os jornalistas têm agora de, inescapavelmente, blogar! Mas não sejamos injustos. Alguns jornalistas entenderam pra que serve o blog, isso se já não internetavam antes... Então esta crítica não vale para todos, absolutamente todos: vale para uma grande maioria que está blogando por obrigação, quase se arrastando, já que passou os últimos anos menosprezando a internet e, agora – muito a contragosto –, tem de fazer parte... (Depois não entende por que seu blog não funciona...) 


Jornalistas não lêem blogs

Se os jornalistas lessem mais a internet, estariam muito mais bem informados e teriam começado a blogar, por contra própria, antes. Um dos “marcos zero” para o nascimento (ou para a expansão) dos blogsremonta ao Blogger, uma ferramenta que facilitou a vida de quem não queria registrar domínio, mexer com HTML, upload, essas coisas... Isso foi em 2001. Portanto, há mais de cinco anos, o mundo está blogando. Você não vai guardar a quantidade de blogs que existem agora, mas vale repetir o que a BBC (como medida) consagrou: nasce um blog novo a cada segundo. Por incrível que pareça, os jornalistas brasileiros não atinaram para essa informação: preferiram esperar vir “uma ordem de cima” para – aí, sim – começar a blogar. E estão blogando, claro, meio sem direção... Blog não é notinha de coluna social, sobre a última fofoca (sobre o último “furo”, então, nem pensar...). Blog também não é o que você comeu ontem (blog gastronômico); nem se está frio ou se está calor (blogmeteorológico); nem, muito menos, clipping do que você andou lendo em papel! Seus velhos hábitos de jornalista não valem pro blog. Jogue todos fora, se quiser começar a blogar. Bem-vindo à blogosfera... mas, antes de emitir uma opinião, olhe em volta, pense bastante – fale só se for acrescentar alguma coisa à conversação.


Jornalistas não sabem lincar

Os jornalistas passaram a vida inteira escutando que não podem – em hipótese alguma – citar a concorrência. Se a concorrência “der” antes, azar – “vá lá e dê de novo (como se fosse você o primeiro a dar). E jamais confesse isso em público.” Se a concorrência tiver mais razão, “cozinhe” a notícia e dê de novo (“como se a notícia fosse sua”). Admitir um erro é a suprema humilhação. “A concorrência, oficialmente, não existe para nós.” (Estenda esse raciocínio, também, a seus colegas de trabalho... Todos.) Acontece que a internet é o contrário disso tudo. O link é a moeda de troca da internet. Tanto para quem “linca” quanto para quem “é lincado”.Link não é nota de rodapé; link não é referência bibliográfica; link não é, muito menos, auto-referência (embora, às vezes, aconteça...). Link élink. E existe toda uma arte em lincar... Os jornalistas não aprenderam ainda; porque eles nunca aprenderam a citar! Então você acessa um blog de um jornalista-blogueiro, desses de agora, e vê lá que ele fala tudo por alto, fingindo que está dando em primeira mão – mas tá na cara que ele tirou tudo aquilo de algum outro lugar... E quando vai lincar, não se dá nem ao trabalho de marcar a palavra, expressão ou frase (a que o tal link se refere): copia e cola aquele endereço que é uma centopéia (e o link, pra variar, não funciona!).


Jornalistas não estão acostumados a ter leitores

“Leitores; vocês existem? Pensei que fossem, todos os dias, inventados pelos estagiários da redação... – como a seção ‘horóscopo’!” Nenhuma publicação no Brasil, até hoje, viveu exclusivamente de seus leitores. Então os jornalistas até perguntam o que você – leitor – acha; mas, no fim das contas, é a consultoria quem manda; ou o modelo (estrangeiro) de negócio (que alguém da diretoria decidiu copiar...); ou é a “pesquisa” (que ninguém sabe se foi respondida por pessoas de verdade ou se foi inventada pelo pessoal do marketing...). O grande problema para os jornalistas é que, na internet, os leitores estão presentes em carne e osso. “Quem colocou eles lá? Eles estão atrapalhando! Sai, sai...” Mandam e-mail, “enchem o saco” nos comentários (“tem de monitorar toda hora...”) – “quando não inventamblogs inteiros (ou comunidades do tipo ‘eu odeio...’) só pra sacanear...” Para os jornalistas, os internautas são uma pedra no sapato. Ainda mais agora, que alguém disse, lá nos Estados Unidos, que “blogs são conversações”! Mesmo com a internet a manivela (de antes), era mais fácil. Se um e-mail não agradava, bastava apagar. Fingir que não chegou... Quem iria provar? Carta, então... nem precisava abrir; bastava rasgar e jogar fora. Se o chato incomodasse muito, era só inventar, em cinco minutos, uma metáfora qualquer para humilhar o leitor em público – e ele saía de circulação. “Agora é uma desgraça: tem ‘leitor’ publicando em tudo quanto é canto! Onde é que nós vamos parar?”


Jornalistas não estão acostumados a ter resposta

A dependência jornalística dos governos no Brasil é histórica (e até folclórica). Quantos governos não montaram seu próprio jornal apenas para apoiar seus atos? Quantas revistas, até hoje, não foram criadas pela oposição (que era governo antes e que perdeu seu pedaço do bolo)? Então, nenhuma opinião, jornalisticamente falando, é 100% firme no Brasil – jornalista que é jornalista, dança conforme a música. As bravatas, quando as há, estão sempre a serviço de alguém (de algum lado ou de algum grupo). Como se ordenasse a um matador desses de aluguel, o editor aponta uma pessoa na rua e resume: “Nesta semana, vamos meter o pau naquele lá – senta aí e manda brasa!” Como é a bravata pela bravata, quase nunca é contestada. Até porque, na comunidade jornalística, todo mundo sabe que é infundada... E quando o é, o contestador apela para a honra, desqualifica a moral do adversário – mas nunca responde nada. E fica cada um pro seu lado, xingando a mãe do outro – até cansar (os leitores geralmente cansam antes). Nunca foi discussão séria, de verdade. De vez em quando, algum presidente se mata (ou “é matado”) – mas, aí, não é por causa de nenhum jornalista ou jornal... Os jornalistas, então, caem na internet e ficam horrorizados... Como alguém tem o desplante de contestá-los? E com fatos! Onde é que já se viu isso? Golpe baixo! Morrem de raiva mas não conseguem, eles próprios, contestar. “Travam” naquele mandamento que, justamente, os impede de citar os outros (e de lincar). Por isso, os blogs dos jornalistas são aquele negócio moroso, morno, morto, sem links... (Quando os jornais de papel acabarem e a dependência governamental não fizer mais sentido, aí, talvez, os blogs dos jornalistas vão melhorar...) 


Jornalistas são interesseiros e, não, desprendidos

A internet começou por questões estratégicas, de geopolítica, e evoluiu, junto com os computadores, por questões militares, de guerra. Mas quem inventou a World Wide Web foi um acadêmico, Tim Berners-Lee, interessado em organizar os documentos das universidades interconectadas, e em facilitar o acesso a eles – por meio de links (!). E quem alimentou a WWW, depois que ela foi aberta ao público, foram as empresas, claro, mas também as instituições – e as pessoas! Os jornalistas relutaram muito em aceitar, alguns vão morrer não aceitando, mas o fato é que poucos, pouquíssimos, entenderam a noção de “desprendimento” que permeia as relações na World Wide Web. Então, de início, acharam que a internet tinha “alguma coisa” contra eles – que “esses blogueiros”, da WWW, vieram para tomar o emprego (e os leitores) deles. Ocorre que os blogueiros da internet, por agir individualmente, não podem ter nenhum “interesse” organizado... (E, ainda por cima, tendo como “alvo” os jornalistas e seus preconceitos de classe...!) Enfim, os blogs dos jornalistas não funcionam também porque o blog por dinheiro, e só por dinheiro, é uma contradição em termos. Como o blogpolítico o é, se for mero instrumento de assessoria de imprensa (e se não houver, por parte do blogueiro, nenhuma paixão que o mova). Os jornalistas brasileiros passaram muitos anos amarrados, manietados, obedecendo a ordens e replicando as opiniões de seu empregador – é natural, portanto, que se movimentem desajeitadamente num ambiente onde a liberdade de expressão nunca foi tamanha... O pior é que a internet, generosa como sempre, vai absorvê-los no final.