quarta-feira, julho 06, 2011

CESREI é 0%. Mas é 0% de quanto?


Não estou querendo defender a CESREI e nem posar de "babão", até porque o meu vínculo com a instituição é com o curso de Publicidade e Propaganda, no qual ministro apenas uma disciplina, e não tenho nenhuma relação - profissional ou pessoal - com os que fazem o curso de Direito.

Posso, no máximo, oferecer o meu testemunho em relação à instituição mantenedora dos dois cursos e de diversos outros, de pós-graduação, para afirmar que o resultado do Exame da Ordem não combina com a dedicação e cuidado permanentes em relação a todos os aspectos importantes para a formação de profissionais capazes e competentes, como, de resto, acontece em todas as instituições de ensino superior - públicas e privadas - existentes em Campina Grande.

Mas me espantou, de certa forma, que o resultado dos alunos da CESREI tenha sido divulgado de maneira tão superficial, sem, como seria de se esperar, ressaltar que apenas quatro alunos participaram do exame ou, pelo menos, dar oportunidade para que a instituição afirmasse isso e fizesse as contas que faço a seguir.

Pense comigo: a CESREI inscreveu quatro alunos, dos quais nenhum foi aprovado. Se um - apenas um - deles tivesse sucesso, a instituição pularia para importantes 25% de aprovação, ultrapassando, de uma "lapada" só, a UEPB (22,42%), a UFCG (15,83%), a UNIPÊ (14,40%), o IESP (9,83%), a FACISA (8,81%), a FIP (7,94%) e a UNESC (6,76%).

Ou seja, se UEPB, UFCG, UNIPÊ, IESP, FACISA, FIP ou UNESC tivessem inscrito apenas quatro candidatos, mantendo-se o percentual alcançado, NENHUM teria sido aprovado.

No caso da FACISA, por exemplo, mesmo se tivesse inscrito apenas 11 alunos, teria 0% de aprovação. Inscreveu 162, dos quais apenas 14 foram aprovados.

Já da UNESC, se 16 alunos tivessem participado - quatro vezes mais do que a CESREI - ainda assim teria 0% de aprovação. Dos 75 inscritos, 70 foram reprovados.

Como é possível ver, o buraco é mais, muito mais, embaixo.

Estou cansado de afirmar - apesar de não ser da área - a minha opinião sobre a impropriedade do Exame da Ordem. Não acho o exame injusto, acho injusto, em primeiro lugar, que seja aplicado apenas para os graduados em Direito e não para os de vários outros cursos nos quais considero até mais importante uma avaliação mais aprofundada, sobretudo no caso dos da área de saúde, onde nossas vidas, literalmente, são depositadas nas mãos desses profissionais.

Outra grande injustiça que vejo no Exame da Ordem é que seja realizado apenas uma vez, para iniciar no exercício da profissão, quando se sabe que a ordem jurídica brasileira é extremamente dinâmica e a cada dia temos novas leis e, principalmente, novas interpretações de leis já existentes. Por que não estabelecer que todo advogado, juiz, delegado, promotor, enfim, que todo operador efetivo do Direito seja obrigado a refazer o exame a cada cinco anos?

Eu acho que sei a resposta, mas não sei se ela é tão interessante para ser divulgada quanto a notícia do 0%.

Preocupados devem estar os alunos da FACCAMP, de São Paulo, que teve 0% de aprovação em 73 inscrições. Mais preocupação ainda deve atingir os alunos da FAETE, do Piauí, que não teve 0%, mas inscreveu 152 e apenas 1 foi aprovado (0,69%). Este sim foi, sem dúvidas, o PIOR resultado.

Mas, como nem tudo são espinhos, aproveito para parabenizar a melhor classificada no exame da OAB, segundo os critérios divulgados. A valorosa Faculdade Alvorada, de Maringá, no Paraná, já deve estar preparando a arte do outdoor, divulgando ser a ÚNICA com 100% de aprovação.

Obviamente aquelas letrinhas pequenas denunciarão aos portadores de lupa que apenas UM aluno da instituição participou. Parabéns, Campeão!!!

Um comentário:

adelino_portfólio disse...

Concordo planamente com o seu comentário. Mas fazer o que se a mídia coloca para “lascar” mesmo, sem ao menos colocar as verdadeiras situações na mesa.