quarta-feira, agosto 31, 2011

O que dizem os Astros






terça-feira, agosto 30, 2011

Arte Boa


Um belo filme de animação sobre as obrigações que envolvem as relações de poder, responsabilidade e hierarquia.

O dever do ensinamento é tão importante e difícil quanto o do aprendizado.


Tão bom se toda arte produzida e disseminada no mundo tivesse o objetivo de ensinar lições que valorizem o homem, a vida, a natureza e que exaltasse o bem sem necessariamente estabelecer cenários de maniqueísmo. 

Algo muito simples e singelo pode contribuir muito para tornar toda gente melhor.



segunda-feira, agosto 29, 2011

O Maravilhoso País do "Apesar"


O Brasil é o país do "apesar".

Apesar...

...da educação pública de péssima qualidade...

...do sistema de saúde caótico...

...dos altos impostos...

...da corrupção generalizada...

...da violência incontrolável...

...O NOSSO POVO É FELIZ!

Será mesmo?

Apesar de termos plena consciência do baixíssimo nível ideológico de nossa classe política, demonstrado, inclusive, pelos incessantes escândalos que ocupam permanentemente espaços significativos em todos os meios de comunicação e expressão, independente do grupo político ao qual estejam submetidos (e TODOS estão submetidos a algum grupo!) continuamos conduzindo corruptos, incompetentes, fisiologistas, criminosos e portadores de toda sorte de falhas de caráter e sociopatias a todas as esferas do poder público legislativo e executivo.

Chegamos ao cúmulo de eleger para o cargo de maior importância política e administrativa do Brasil uma pessoa que participou, permitiu ou omitiu-se diante de graves episódios de, no mínimo, falta de ética e que, testemunhamos, sofreu profundas modificações estéticas apenas para adaptar-se ao "layout" mercadológico estabelecido. Votamos não no conteúdo mas na imagem de alguém cuja credibilidade foi adquirida por procuração, e, pior, emitida pelo chefe do governo que mais escândalos e casos de corrupção nos altos escalões teve na história do país.

Acostumamo-nos a esperar com impressionante naturalidade durante anos, décadas até, por uma justiça que se permitiu chegar ao limite da inviabilidade operacional, formada, em sua maioria, por julgadores que se acham superiores ao povo do qual fazem parte e que, como seres elevados que se consideram, negam-se a trabalhar como os demais reles mortais, ao mesmo tempo em que fazem questão de receber muito mais do que a grande maioria da população.

Nossa saúde está entregue a uma horda de mercenários. O médico por vocação, humanista, dedicado e desprendido está em extinção. Sua classe está sendo dizimada por seres frios, calculistas, ambiciosos e egocêntricos. O paciente nunca precisou ser tão paciente. Chegamos à época em que a falta de atendimento, o mal tratamento, a desatenção e a falta de respeito com o usuário do sistema de saúde começam a figurar nas estatísticas de mortalidade. Quem devia cuidar da vida ajuda a levar à morte.

Nossos estudantes são vítimas de um sistema educacional assumidamente incompetente, que vem delegando cada vez mais a tarefa basilar de formar cidadãos a grandes grupos educacionais particulares, que agora dominam o “mercado” desde a instrução básica até a formação superior. A escola pública, antes festejada como base da cidadania nacional, agora é relegada à condição de rebotalho da falta de cultura brasileira. Estrutura insalubre e mal equipada, professores mal formados, mal pagos, desmotivados e, consequentemente, alunos incompetentes, incapazes e alienados.

A segurança brasileira é uma piada. Fronteiras abandonadas, entregues ao tráfico de drogas e de armas e ao livre trânsito de mercadorias roubadas e criminosos impunes. Polícias federais largadas à própria sorte, sem efetivo, sem tecnologia e sem autonomia. Polícias estaduais sucateadas, dominadas pelo poder econômico da criminalidade, reféns de máfias, cartéis e gangues formadas no seio de um sistema penitenciário desumano, que, ao invés de corrigir, desajusta. Quem governa o Brasil é a droga.

Para onde olhamos, nos decepcionamos. Moradia, transporte, arte, cultura, lazer, esporte, ecologia, direitos humanos... Tudo o que depende da ação do Estado encontra-se em estado de letargia absoluta.

Não há UMA área do poder público sequer, seja em que nível for, que realmente nos cause satisfação.

A federação brasileira é um mito. O que temos, de fato, é uma hierarquia de poder ditatorial, na qual o governo central trata os entes federativos de forma desrespeitosa e estes se veem obrigados a níveis de submissão administrativa e econômica impostos, na verdade, pelo poder legislativo, dominado há décadas por uma quadrilha cujos chefes oligarcas comandam a câmara e o senado a partir de seus próprios interesses escusos e utilizando-se dos mais absurdos estratagemas de cooptação e defecção de opositores.

Mas...

...Apesar disso tudo, o povo brasileiro sobrevive, mesmo que seja encarnando o que diz a genial letra de Zé Ramalho: “Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz.”

Uns insensíveis ao desamparo a que estamos todos submetidos. Outros iludidos pelas estratégias de dominação empreendidas pelos mais diversos meios. E há, ainda, aqueles que percebem as diferenças entre o mundo real e o mundo perfeito pintado pelos artistas da política nacional.

A pergunta que se faz, nessa hora, é "o que temos para nos orgulhar?"



sábado, agosto 27, 2011

Assunto Importante, Anúncio Chocante




Um clic pode mudar o seu futuro. Use o cinto.
(Dirija em segurança. Chegue em segurança)

sexta-feira, agosto 26, 2011

Sexta de corpo fechado!


Se depois do tratamento, ainda estiver se sentindo solitário, chame o Pai Ambrósio para uma partidinha de bilhar!



E se quiser levar um parceiro...


Bom final de semana!

quinta-feira, agosto 25, 2011

A publicidade em busca de nova marca

Matéria da jornalista Roberta Campassi, publicada no jornal Valor Econômico do último dia 19.
Trechos em negrito apenas nesta reprodução, para estudo dos alunos do 6º Período de Publicidade e Propaganda na CESREI.


A capa desta edição tem a assinatura de Francesc Petit, artista plástico e diretor de arte, mas também conhecido como a letra "P" da DPZ, uma das agências fundamentais na construção da marca da publicidade brasileira. Já a ilustração da página que você vê ao lado foi concebida por Guga Ketzer, vice-presidente de criação da Loducca, detentor de alguns dos mais importantes prêmios nacionais e internacionais e apontado como estrela entre os jovens talentos. Petit, 76 anos, e Ketzer, 31, criaram as duas peças a partir de um proposta do Valor: traduzir os desafios do profissional de propaganda para a linguagem publicitária. As grandes sacadas de antes, polemiza Petit, foram engolidas pela tecnologia. Numa espécie de antagonismo geracional, Ketzer sugere que nem tudo se reduz ao código binário na publicidade atual. "Não é sobre números", diz seu texto, não menos provocativo.

Ambos emitem sinais da profunda transformação provocada pelo pantanoso terreno digital. Houve um tempo, argumentam alguns profissionais, em que a publicidade era mais artesanal: envolvia uma ideia original e criar uma campanha que se materializasse em vídeo de 30 segundos para TV, spots de rádio, outdoors e anúncios impressos. As agências ganhavam dinheiro, os mais talentosos desfrutavam do status de pop star e o ofício era pautado mais por ideias do que pelos resultados financeiros ou pela tecnologia.

A vida de publicitário é outra hoje. A multiplicação de mídias alterou conceitos, pulverizou a atenção dos consumidores e tornou mais complicado alcançá-los. Há quase um consenso no meio de que o espaço individual para brilhar dentro das agências encolheu e o romantismo da era de ouro da propaganda perdeu espaço para o reino das planilhas, no qual quem dá as cartas são os conglomerados de publicidade. "O trabalho numa agência está bem mais complexo. Exige muito mais gente e tempo para ser feito", afirma o publicitário Marcello Serpa, sócio e diretor-geral de criação da AlmapBBDO, considerada uma das agências mais criativas do mundo e responsável por uma verba publicitária de R$ 2 bilhões somente no ano passado.

Do lado gerencial, receitas, resultados e metas de crescimento nunca foram tão importantes como agora. "Aquela frase do Tom Jobim, 'o Brasil é para profissionais', nunca foi tão pertinente, só que agora também no bom sentido", afirma Nizan Guanaes, fundador e "chairman" do grupo ABC, criado em 2002 com a proposta de consolidar várias agências para ampliar a gama de serviços e obter economia de custos. "Costumo brincar com meus sócios nas agências que a melhor forma de eles me verem longe do dia a dia de suas operações é apresentarem grandes resultados."

O ABC é o 19º maior grupo de publicidade mundial, com 14 empresas e escritórios no Brasil e nos Estados Unidos. Em 2010, cresceu mais rápido do que qualquer outro na lista de 50 maiores do mundo. Já a linha de frente do mercado global continua dominada pelos grupos WPP, Omnicom, Publicis e Interpublic, que nos últimos anos vêm fazendo aquisições quase compulsivamente, como forma de agregar novos serviços, ampliar a presença em mercados emergentes e, claro, elevar as receitas. "A consolidação do mercado não terminará tão cedo, até porque um mercado vibrante e em crescimento como o brasileiro é a ecologia perfeita para o surgimento de novas agências independentes", diz Nizan. "O mérito do processo é disseminar a excelência da propaganda brasileira na gestão e na criação."

No Brasil, o episódio que parece simbolizar a passagem definitiva para uma publicidade mais complexa e globalizada é a venda da DPZ, agência de Petit em sociedade com Roberto Duailibi e José Zaragoza, para o francês Publicis Groupe, por um valor divulgado de US$ 120 milhões. Protagonista de alguns dos melhores capítulos da publicidade brasileira - quem não se lembra das campanhas da Bombril, com o ator Carlos Moreno, ou do frango da Sadia? -, a DPZ foi a última grande agência de capital nacional a se associar a um grupo. Constante alvo de ofertas de compra ao longo de sua história, a DPZ manteve-se firme até dois anos atrás, quando os sócios finalmente delegaram ao CEO Flavio Conti a tarefa de costurar um acordo com o Publicis.

Embora tenha sido escola para grandes publicitários, como Washington Olivetto, Serpa e Nizan, a DPZ não fez sucessores nem incluiu novos sócios. A venda foi o caminho para ter continuidade. Meses de idas e vindas se passaram e, um dia antes de o negócio ser fechado, ainda existiam dúvidas. "Quase enfartei", desabafa Conti, que trabalha na agência desde 1972. "Qualquer coisa que acontecia, um dos três dizia 'não vendo mais!'. Não tinha certeza que daria certo até o último minuto."
Para o bem da saúde de Conti, a venda foi selada em 7 de julho. A Publicis levou 70% da DPZ e, em até três anos, terá opção de comprar os 30% que permanecem com os três sócios. Neste ano, o grupo francês também comprou a Talent e agências menores no Brasil. Parece claro, contudo, que uma injeção de ânimo é necessária para que a DPZ faça frente aos novos desafios do negócio publicitário.
A associação a grandes grupos parece ofuscar o caráter mais personalista que algumas agências têm, como a própria DPZ. No geral, da mesma forma que ficou mais difícil ser uma agência grande e independente, também ficou mais difícil ser um publicitário com status de estrela. O Brasil produziu vários deles ao longo do tempo - o rol da fama inclui também Eduardo Fischer, Alexandre Gama, Luiz Lara, Fabio Fernandes, entre outros. Mas todos já representam uma geração que fez sucesso nos anos 1980 ou 90. Faltam talentos novos? "Não. Continuam existindo talentos e autores da publicidade", responde Celso Loducca, ele mesmo um expoente dessa geração. "No passado houve um esforço para promover a profissão, mas isso se esgotou. Os publicitários ocupavam o lugar que hoje é dos chefs de cozinha", diz o sócio e presidente da Loducca, que desde 2005 é do grupo ABC.
Fernand Alphen, diretor de planejamento da JWT no Brasil, observa que os ambientes das agências estão mais colaborativos do que competitivos, porque as pessoas têm mais noção da interdependência. "Não se tolera mais a tirania da personalidade ou a vaidade exacerbada." A elaboração de campanhas também não é privilegio da área de criação ou de planejamento. É cada vez mais feita em conjunto com áreas como atendimento e mídia.

Olivetto foi provavelmente quem mais promoveu a publicidade no Brasil. Reconhecido entre os publicitários mais criativos do país, admite tanto ser vaidoso quanto ter usado o reconhecimento que veio com prêmios ganhos desde os anos 1970 para difundir a profissão. "Hoje a valorização social do publicitário está exagerada", diz. "Os números do mercado não suportam tanta gente. Os profissionais também estão mais fracos."

Olivetto foi um dos que se uniram a grupos internacionais. No ano passado, firmou uma sociedade da W/Brasil com a McCann-Erickson, dando origem à WMcCann, onde é presidente e diretor-geral de criação. As fusões - ou casamentos, já que "fusão" é uma palavra "desgastada" no léxico dos publicitários - costumam dar às agências independentes contas locais de clientes globais, acesso a novas tecnologias e estrutura de pesquisas e também plataforma para a expansão no exterior, acompanhando anunciantes brasileiros que se internacionalizam. Por outro lado, desafiam o mito da história da publicidade, segundo o qual agências grandes são incompatíveis com um trabalho ousado e inovador. "Meu objetivo é fazer da WMcCann uma Maria Sharapova das agências: grande e sexy", diz Olivetto, hábil em criar frases de efeito.

Mais desafiador do que ser grande e ousada, ser inovadora numa época de mudanças alucinantes. É isso que tem feito os publicitários quebrarem a cabeça. Segundo Serpa, um impacto extraordinário na publicidade é a transformação da maneira como as pessoas se comunicam, especialmente por meio das redes sociais, que fazem cada indivíduo ter um círculo de influência muito maior. "Luciano Huck no Twitter tem mais audiência que muito programa de TV ou de rádio."

Como chamar a atenção do consumidor, demasiadamente fragmentada? Hoje as pessoas têm a seu dispor os velhos e bons rádio, televisão, jornais e revistas, mais todo o universo da internet e ainda aparelhos cada vez mais sedutores, como smartphones e tablets. Um dos principais desafios é encontrar tanto a linguagem certa para cada um desses meios quanto a melhor forma de combiná-los. Os pôneis malditos, recente sucesso da publicidade brasileira, são um bom exemplo de como montar o quebra-cabeça. Criada pela Lew'Lara\TBWA para a Nissan, a campanha brinca com a diferença entre um motor com cavalos ou com pôneis e faz graça com as criaturas fofinhas. O comercial na TV captou a atenção com humor e levou os espectadores a buscá-lo na internet. Na rede, o consumidor descobriu que o vídeo continuava com "A Maldição do Pônei", brincadeira para fazer as pessoas enviarem o filme a mais gente. Unindo a sedução da TV com a interatividade da internet, a campanha tornou-se sucesso no início do mês: alcançou o posto de assunto mais comentado do Twitter no país e já soma quase de 11 milhões de visualizações no YouTube.

A publicidade passa cada vez mais por convencer as pessoas a espalhar conteúdo, aposta Serpa. Para isso vale também "voar, voar, subir, subir". Outro "case" da propaganda brasileira recente é o comercial da Bradesco Seguros, criado pela Almap, que apresenta o cantor Byafra entonando os versos do seu hit "Sonho de Ícaro". Nem bem o filme estreou no intervalo do "Jornal Nacional", no dia 30, e os comentários sobre ele dominavam o Twitter. A busca pelo nome da seguradora cresceu 23% na internet. Byafra também se deu bem: o convite para shows triplicou.

Serpa também aponta que a publicidade quer cada vez mais entreter, muito mais do que comunicar. Isso justifica, por exemplo, por que Martin Sorrell, CEO do grupo britânico WPP, o maior do mundo em publicidade, conduziu um dos mais importantes debates no Festival de Cannes deste ano, com representantes da DreamWorks e da News Corp. "Não existem mais formatos e fórmulas prontas para a publicidade nem limites para a criação", afirma Emmanuel Publico Dias, vice-presidente da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A profusão de meios e linguagens à disposição da publicidade levou, na última década, ao surgimento de agências especializadas em diferentes trabalhos - como marketing direto, eventos, ações de guerrilha - e causou um antagonismo especialmente entre as agências tidas como "tradicionais", mais voltadas à estratégia, ao planejamento de marca no longo prazo e às mídias consagradas, e as agências "digitais" - dedicadas às ações mais táticas e segmentadas dentro do ambiente virtual.

Há quem considere essa separação uma falsa questão. "A divisão entre segmentos é burra. É como se algumas agências dissessem que só têm o Tico e o Teco, mas cadê o resto dos neurônios?", pergunta Loducca. O discurso contrário à segmentação do mercado é comum entre as agências tradicionais, que, de um lado, viram seu espaço ameaçado pela maior concorrência e, de outro, reiteram que o trabalho fundamental da publicidade é criar conteúdos adaptáveis a qualquer forma.

Aos poucos, contudo, as próprias agências digitais começam a ver menos sentido na segregação de serviços e começam a correr atrás do prejuízo. Em 2004, João Muniz, sócio da LOV, que então era o braço digital da Loducca, decidiu separar a empresa, torná-la independente e apostar todas as suas fichas na publicidade digital. "Era um dos que diziam para quem quisesse ouvir que a mídia tradicional estava fadada a desaparecer, o que não aconteceu." Hoje, acredita que ainda há espaço para as digitais independentes, mas que a tendência é a unificação de serviços formando agências completas, como já ocorre no mercado europeu. Em compra de mídia, a LOV ocupa a 40ª posição no país, conforme o ranking do Ibope Monitor, que rastreia as 50 maiores agências. "O que se busca agora é unir o melhor do tradicional com o melhor do digital", diz Gal Barradas, CEO da F.biz e uma das poucas mulheres em cargos de liderança no meio publicitário. Em junho, a agência, que não figura na lista do Ibope Monitor, vendeu 70% de participação para o WPP.

Muniz e Gal apontam como nova fronteira a ser explorada no Brasil a publicidade no celular, a reboque do maior uso de smartphones que, neste ano, devem somar 40 milhões, entre os mais de 200 milhões de celulares habilitados em território nacional. Segundo Muniz, o trabalho das agências vai além do envio de SMS aos consumidores e passa por adaptar o conteúdo das marcas para os sites e redes sociais acessíveis a partir dos aparelhos, bem como desenvolver aplicativos e jogos. "Imagina uma mulher da classe C, que fica duas horas no ônibus todo dia. Ela passa o tempo conectada", afirma Gal.

Tomar pé do universo digital é árduo e, em geral, menos rentável para as agências, uma vez que exige novos conhecimentos, mais mão de obra e constante monitoramento. Mas é uma exigência dos anunciantes. "Eles estão forçando as mudanças. E, se antes relegavam a internet ao segundo plano, hoje enxergam a possibilidade de fazer ações digitais de impacto com custo-benefício melhor do que em mídias tradicionais", diz Muniz. Levando em conta que 58,6 milhões de brasileiros têm acesso à internet no trabalho ou em casa e passam 48 horas por semana navegando, seria inimaginável que os anunciantes não entrassem nessa onda. A TV, por sua vez, é vista por 68% da população por cerca de 5h19 minutos diários. Todos os dados são do Ibope Nielsen.

No Brasil, contudo, ainda não se projetam mudanças significativas na fatia que cada mídia abocanha do bolo publicitário. Na Inglaterra, internet e TV já detêm a mesma participação (25% e 26%, respectivamente) das receitas. Ajuda o fato de o acesso a banda larga ser disseminado. Nos EUA, a internet é o meio que mais cresce, mas neste ano ficará com 20% dos investimentos em publicidade, enquanto a TV receberá 43%, calcula o eMarketer.

Encarada como canal privilegiado para a construção de marca, a TV aberta permanece como o veículo mais procurado por anunciantes no Brasil. Neste ano, deve responder por 64% do bolo publicitário de R$ 30 bilhões projetado pelo Ibope Monitor - os números levam em conta os preços de tabela cheia dos anúncios, sem os reais descontos praticados. A TV também é o meio visto como mais seguro e escolhido em épocas de crise - depois da de 2009, por exemplo, cresceu em vários países. Já a internet, canal propício para interatividade, deve arrebatar 10% das receitas neste ano e, pela primeira vez, pode passar de quarta para terceira mídia que mais fatura. A mudança se deve ao fato de as verbas com os serviços de busca terem sido incluídas nos dados apresentados em julho pelo Interactive Advertising Bureau (IAB), entidade que incentiva o uso de canais digitais para comunicação e marketing.

"Não que o digital seja uma fonte de receita gigantesca, mas representa o novo, que é sempre ótimo", afirma Olivetto. Em 2010, a WMcCann foi a maior compradora de mídia digital do Brasil - R$ 252 milhões, dentro de uma verba total de R$ 1,9 bilhão. "Uma dúvida a gente não tem: as mídias vão se integrar, mas os números [do bolo publicitário] não mudam nos próximos cinco anos."

Como toda discussão em publicidade, em algum momento o assunto se volta para a força das ideias e a criatividade - especialmente a criatividade no Brasil, que desde a década de 1980 é visto como um dos países mais criativos. O crescimento da publicidade digital e o acesso às mais diversas tecnologias deveriam, em tese, abrir um mundo de novas oportunidades interessantes. Mas, muitas vezes, são vistos como causa de uma busca excessiva pela forma em detrimento do conteúdo.

"A publicidade brasileira viveu seu auge nos anos 80, justamente quando tinha menos recursos", diz Olivetto, ele próprio o expoente dessa época. "Hoje é possível produzir qualquer coisa, mas em vez de a forma ser usada para produzir brilhantes conteúdos, ela está sendo usada para esconder justamente a falta dele." Para Alphen, da JWT, os publicitários andam deslumbrados com as possibilidades técnicas do ofício. "Fomos nos afastando da coisa mais importante: criar uma mensagem pertinente e emocionante para o consumidor." Conti, da DPZ, acha que o computador reduz a diferença entre profissionais: "Ele dá uma igualada na direção de arte. O 'layoutman' não precisa mais ser tão bom".

Quem vê a diminuição da criatividade mede a publicidade com a régua errada, afirma Dias, da ESPM. "Não dá para olhar só para as mídias antigas. A criatividade hoje está em ene plataformas." Se depender do "Gunn Report", publicação independente que compila os resultados de festivais para mostrar os países e agências mais bem-sucedidos, o Brasil vai muito bem, obrigado. É um entre os únicos cinco países que, desde 1999, figura ano após ano entre os dez mais criativos do planeta. E, se depender do número de prêmios, está melhor do que nunca: saiu neste ano do Festival de Cannes com 66 Leões, o que é um recorde, mas também motivo de polêmica.

"Os festivais não servem mais como parâmetro, porque boa parte das peças ganhadoras é feita só para esses eventos", diz Olivetto, em referência ao fato de que peças "fantasmas", que não chegam de fato a ser veiculadas, vêm assombrando as premiações internacionais. Tipo de argumento ao qual Serpa, o homem à frente das criações que fizeram da AlmapBBDO a agência mais premiada do mundo por três anos, segundo o "Gunn Report", responde sem meias palavras: "Só menospreza prêmio quem não ganha".

Mas os publicitários culpam não só a tecnologia como também alguns clientes para justificar "criações menos criativas ou ousadas". "Uma ideia que não é perigosa não merece nem mesmo ser chamada de ideia", é a frase de Oscar Wilde que estampa os elevadores do prédio da Loducca - que, por sinal, como a maioria das agências, é uma embalagem bem feita para vender serviços de propaganda, com projeto arquitetônico e decoração de encher os olhos. "A frase é para lembrar a gente e o cliente que o dinheiro que ele coloca aqui serve para apresentarmos um ponto de vista surpreendente, que cause reações emocionais", diz Loducca.

Mais fácil falar do que convencer os anunciantes. Conti, que começou na propaganda em 1966, sente saudades da época mais glamourosa da profissão, quando as campanhas eram apresentadas aos donos ou presidentes das empresas e não a departamentos de marketing. "As empresas foram se estruturando, delegando, ficou difícil. Hoje tem muita regra para o não e pouca regra para o sim." Para fazer uma publicidade brilhante, "bom é a velha empresa de dono, que centraliza a decisão, ou a que tem uma estrutura de marketing muito boa", diz Olivetto. "O problema é quando confundem estrutura com conglomerado de gente." Já Serpa lamenta a falta de reação que muitos clientes expressam, mesmo diante de ideias que os criativos consideram geniais. "A sociedade está mais hipócrita do que jamais foi e se esconde debaixo da capa do politicamente correto. Todo mundo é verde, faz o bem e quer salvar o mundo. Só que consenso é uma furada", critica. "Se o anunciante quer falar com o garoto de 20 anos, não pode ter medo de desagradar à avó dele de 80."

Com todo esse emaranhado de desafios, é fato que a vida dos publicitários ficou mais árdua. Mas, se existe algo nesse ofício que não mudou e - é consenso - não mudará, é a permanente busca pelas boas e sedutoras ideias, capazes de fazer as pessoas pararem por algum tempo e prestar atenção. E, se servir de alento, vale a pena recordar o americano Leo Burnett (1891-1971), uma das figuras mitológicas da história da publicidade mundial e criador, entre outras, da campanha do Marlboro: "Quando você tenta alcançar estrelas, pode não conseguir pegar uma, mas também não vai voltar com a mão cheia de lama."


O ensino na periferia do mundo



Foi divulgado recentemente, no youtube, um vídeo com a transcrição de uma gravação em áudio, na qual um professor do curso de engenharia (não sei qual delas) da UFPB perde a paciência com seus alunos, após um deles solicitar que ele “agilize” a chamada.

No vídeo (áudio),  aparentemente transtornado, aquele que seria o professor Ângelo Vieira diz, entre outras coisas, topicamente:

“Lá além (ele refere-se, segundo o autor do vídeo, ao ITA e à USP), aluno, quando não estuda, repete 10 anos.”

“Está na hora de vocês se tornarem pessoas adultas. Não um bando de moleques.”

“Quando eu boto uma mínima prova, ninguém faz. Cadê o cara bom?”

“Sorte de vocês que, por estarem numa universidade de periferia, não são cobrados como os caras do ITA.”

E o vídeo continua. Para vê-lo na íntegra, clique aqui.

O que me impressionou neste caso não foi o desabafo do professor, mas o tom de “denúncia” adotado por quem gravou, legendou (com graves problemas de gramática e regência) e postou no youtube.

Os alunos se sentiram ameaçados, quando, ao final, o professor afirma que eles não sabem com quem estão mexendo.

De fato é uma ameaça. Mas o que ele poderia fazer para puni-los pelo que ele os acusa? Ensinar direito?

Pois é, no mundo em que vivemos, ensinamos e aprendemos, um professor que se aventura a seguir à risca as suas obrigações pode sofrer toda sorte de acusações. E será, com absoluta certeza, alvo de bem poucos elogios.

Caímos, mais uma vez, no bordão “O professor faz de conta que ensina e o aluno faz de conta que aprende”.

Como professor e aluno, tenho dezenas de histórias que poderiam ilustrar esta situação. Uma delas, quando ainda era aluno da UEPB, é de uma professora que foi muito mal avaliada pela minha turma e defendeu-se dizendo que não entendia aquela nota, pois “fez tudo o que a gente queria”. Basta dizer que a professora melhor avaliada em todo o curso pela nossa turma era carinhosamente apelidada de “Hitler”.

Como professor, já participei de um episódio surreal, onde um aluno não concordou com a nota recebida, pediu revisão de nota e quando fui avaliar mais a fundo o trabalho descobri que o texto tinha “somente” 88% de “Ctrl+C / Ctrl-V”. O resto era uma enorme sucessão de erros de gramática (era aquele famoso trecho “com suas palavras”). Ou seja, a segurança do aluno era que sua fonte não merecia nota baixa e o problema dele era a incompetência até pra escolher uma boa fonte.

Com relação ao que diz o professor Ângelo, concordo com TUDO, mas, admito, suas declarações são, na verdade, uma confissão de culpa que atinge a todos nós, professores e alunos, pois admitindo que, de fato, estamos na periferia do mundo, temos consciência, também, que não é porque estamos aqui que não podemos fazer a diferença em qualquer outro lugar. E não nos faltam provas disso.

Não me espanta muito ver desinteresse e irresponsabilidade em alunos de instituições públicas, afinal, como diziam alguns colegas, obviamente, completos alienados, "eu só tô aqui pra não ficar parado", "porque eu preciso dar satisfação pros meus pais" ou o típico "eu não tô pagando nada mesmo".

Mas se tem uma coisa que me deixa intrigado de verdade é a falta de compromisso quando se trata de ensino superior privado. Grande parte dos alunos, de fato, ainda se comporta como moleques e me pergunto o que passa em suas cabeças quando pedem para começar as aulas mais tarde, terminar mais cedo, maneirar no conteúdo, não fazer provas (“faça seminário, professor!”) etc. Só se comportam como “clientes” na hora de pedir “direitos” que quase nunca têm efeito direto sobre o ensino e, muitas vezes, utilizam-se do papel de "consumidor" justamente para reivindicar certas mordomias.

Pois é, meu caro Ângelo, infelizmente não estamos em 1830, quando Abraham Lincoln escreveu esta carta para o professor de seu filho:

Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
  
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
  
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
  
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso. Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens. Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."
  
Abraham Lincoln, 1830


quarta-feira, agosto 24, 2011

Você é o máximo!


O vídeo abaixo é de uma campanha muito legal, do curso de inglês Englishtown, utilizando o conceito de viral baseado na interatividade, onde o internauta se sente parte da ação, graças à utilização de um script que permite adicionar ao vídeo já pronto informações repassadas pelo próprio espectador, na forma de textos e imagens. A tecnologia não é tão nova. Até Zezé di Camargo e Luciano já utilizaram em um clip, numa parceria com o Fantástico.

O que torna especial é o roteiro redondinho, a fotografia de alta qualidade e uma trilha muito adequada ao conceito.

Como eu prefiro salvar o mundo a ser a gatinha pela qual Zezé rói, me diverti mais com esta experiência.

Divertido é fazer com outras pessoas, ou não pessoas. Aqui em casa, quem fez o maior sucesso foi Peleta, nosso poodle, que tem o interessante nome (Peleta é apelido) de "Ashton Lindo".

Veja que potência:

video


Ah, e se quiser salvar o mundo você mesmo, basta entrar no site da promoção e fazer o seu próprio clip ou uma homenagem a quem você gosta.


Olha o meu aí: www.this-is-my-story.com/v/2NGI8AF7L228




terça-feira, agosto 23, 2011

Homenagem a Renato Russo



Ele deve ter frequentado várias dessa...

Os 5 mandamentos de Jim Jarmusch



Saiba MAIS sobre Jim Jarmuch
1 - Não há regras.

Há tantas maneiras de se fazer um filme como há cineastas em potencial. É uma forma aberta. Enfim, eu pessoalmente nunca teria a pretensão de contar a ninguém o que fazer ou como fazer. Para mim, isso é como dizer a alguém quais deveriam ser suas crenças religiosas. Foda-se. Isso é contra minha filosofia pessoal – mais uma lista de sugestões do que um conjunto de “regras”.

Portanto, desconsidere as “regras” que você está lendo, e as considere apenas como notas. Você deve criar suas próprias “notas”, porque não há uma única maneira de se fazer qualquer coisa. Se alguém disser que só há um caminho, sua maneira, fique o mais longe dessa pessoal o possível, tanto fisicamente quanto filosoficamente.


2 - "Don’t let the fuckers get ya".

Eles podem ajudá-lo, ou não te ajudarem, mas eles não podem te parar. As pessoas que financiam filmes, distribuem filmes, cuidam da promoção, e exibição de filmes não são cineastas. Eles não estão interessados em deixar cineastas decidirem, e ditarem a maneira como eles fazem seus negócios, portanto os cineastas não devem ter nenhum interesse em permitir que ditem a forma como o filme é feito. Carregue uma arma, se necessário.

Além disso, evitar bajuladores a todo custo. Há sempre pessoas ao seu redor que só querem se envolver com cinema para ficarem ricos, ficarem famosos, ou transarem. Geralmente, eles sabem tanto sobre cinema quanto George W. Bush sabe de combate a mão armada.


3 - A produção está lá para servir o filme.

O filme não está lá para servir à produção. Infelizmente, no mundo do cinema isso é quase universalmente o contrário. O filme não está sendo feito para servir ao orçamento, a programação, ou os currículos das pessoas envolvidas. Os cineastas que não entendem isso deveriam ser pendurados pelos tornozelos e perguntados por que o céu parece estar de cabeça para baixo.







4 - Filmmaking é um processo colaborativo.

Você terá a chance de trabalhar com outras pessoas cujas mentes e idéias poderão ser mais fortes do que as suas próprias. Certifique-se de que eles se foquem em suas próprias funções, e não nas de outros, ou você vai ter uma grande bagunça. Mas trate seus colaboradores como iguais, e com respeito.

Um assistente de produção, que está retendo o tráfego para que a equipe possa conseguir filmar o “shot” não é menos importante do que os atores em cena, o diretor de fotografia, o designer de produção ou o diretor. Hierarquia é para aqueles de egos inflados ou fora de controle, ou de pessoas nas forças armadas. Aqueles com quem está a colaborar, se fizer boas escolhas, poderão elevar a qualidade e o conteúdo do seu filme a um nível muito maior do que a mente de qualquer um poderia imaginar por conta própria.

Se você não quer trabalhar com outras pessoas, vai pintar um quadro ou escrever um livro (e se você quer ser um ditador de merda, eu acho que nestes dias você só tem que entrar na política …).


5 - Nada é original.

Roube de qualquer lugar que ressoa com a inspiração ou de combustíveis para sua imaginação. Devore filmes antigos, novos filmes, música, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, placas de rua, as árvores, as nuvens, as massas de água, luz e sombras. Selecione somente para roubar coisas que falam diretamente à sua alma. Se você fizer isso, o seu trabalho (e roubo) será autêntico.

Autenticidade é inestimável; originalidade é inexistente. E não se sinta incomodado em esconder seu roubo – o celebre se você sentir vontade.


Em todo caso, lembre-se sempre o que Jean-Luc Godard disse:

"Não é de onde você pega as idéias, mas para onde você as leva".

segunda-feira, agosto 22, 2011

Problema? Que problema?




sábado, agosto 20, 2011

Economia mundial Surreal


Ilustração do competentíssimo Tiago Hoisel

Durante a crise de 2008 (a famosa marolinha) os economistas comentavam que desde o crash da bolsa de Nova York, havia 79 anos, o mundo não passava por um momento tão crítico, do ponto de vista econômico, e que, após um período de recuperação de alguns anos, tudo se estabilizaria de uma maneira que a economia ficaria mais sólida e provavelmente não haveriam mais crises mundiais. Pois bem, não foram precisos três anos para que os céus da economia caíssem novamente.

É uma recaída ou estamos diante de um problema crônico?

A economia governa o mundo. Arte, cultura, educação, ciência, tecnologia, comunicação, tudo depende da economia. E se a economia quebra, quebramos todos.

Os biliardários do sistema econômico não querem e nem vão abrir mão de seus ganhos astronômicos para equalizar as contas mundiais e deixar que a economia mundial volte à realidade.

Nos momentos de crise aguda, não são eles, os grandes investidores, que sofrem as penas mais pesadas. Somos nós. Para manter suas carteiras, os fundos obrigam as empresas a demitir funcionários, fechar fábricas, cancelar operações.

Nos Estados Unidos, para que o Congresso aprovasse o aumento no limite do cartão de Obama, os cortes mais vultosos acordados com a oposição foram nas políticas sociais e na infra estrutura. Ou seja, foda-se o povo, até lá!

Aqui no Brasil, se a presidente quiser empreender um grande movimento de geração de emprego e renda, habitação, educação, infra-estrutura ou cultura, precisa de anos de negociação com os bandidos do Congresso Nacional, para que aprovem as leis, mediante a concessão das mais absurdas vantagens e de direitos absolutamente imorais, enquanto nós, idiotas, debatemos o capítulo final da novela das nove e assistimos a imprensa desistir de tomar conta de nossos interesses para falar de violência urbana, moda, estética, cuidados com a saúde, culinária, copa do mundo e celebridades.

Mas se o Presidente do Banco Central faz uma simples ligação para a gerente do país de Lula e avisa que o dólar vai cair mais dois centavos e que as multinacionais instaladas no solo brasileiro estão pressionando e ameaçando migrar para a China, a subserviente comandante da nação brasileira mandar torrar, em alguns minutos, bilhões e bilhões do nosso patrimônio - que seriam mais do que suficientes para realizar os projetos que tanto se discute com a bandidagem política - para acalmar os ânimos de seus reais senhores.

É por isso mesmo que eu quero é que o mundo quebre. Os que têm pouco não têm como ter menos. Os que têm o suficiente saberão dar mais valor ao muito que já têm e irão parar, de uma vez, a pensar que a felicidade verdadeira se consolidará à medida em que tiverem mais e mais e mais. Os que têm demais serão "ajustados" pelo sistema e terão uma ótima oportunidade para rever suas prioridades humanísticas. Poucos mudarão, mas pouco é mais do que nada.

E, depois da quebra, só desejo que outros mais bandidos não tomem o lugar dos saqueadores da dignidade humana mundial atuais e que, de alguma maneira, o homem comum, unido em força inconfrontável, tome as rédeas do destino do planeta e implante, no lugar de uma política eminentemente econômica, uma nova ordem mundial pautada em uma doutrina absolutamente ética, baseada na liberdade, na igualdade e na fraternidade.

Que possamos atingir, finalmente, a tão falada sustentabilidade. Não apenas ecológica, mas, principalmente, econômica, social, cultural e espiritual.

Dessa vez, na prática!

Assim seja.

Dona Lourdes


Vídeo que tive o prazer de realizar, sob a coordenação da Professora Goretti Sampaio, com produção da Professora Joseilda Diniz e a colaboração dos alunos Tiago e Gláucia, do curso de Jornalismo da UEPB, em homenagem à uma mulher que engrandece a cultura brasileira e leva o nome e as histórias da Paraíba aos quatro cantos do mundo.

Viva Dona Lourdes Ramalho!

Dona Lourdes from emersonsaraiva on Vimeo.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Os dilemas de Dilma



As pessoas me perguntam se considero sincera a disposição da presidente Dilma Rousseff, anunciada a Lula na Semana passada, de não disputar a reeleição. O que é “sinceridade” num discurso político? Dilma percebeu que, no modelo herdado de Lula, o poder é mesmo descentralizado: cada partido cuida do seu feudo, desde que dê o necessário apoio político ao governo, e deve preservar, tanto quanto possível, a aparência de moralidade. Mas também não é uma exigência sine qua non...
A crítica de patriotas do PR e do PMDB a Dilma é compartilhada pelo núcleo duro do PT, Lula inclusive: para eles, um presidente da República não governa a nação, mas a federação de partidos que chegou ao poder; seu papel é administrar as ambições e, vamos dizer, a distribuição de benefícios aos aliados. Qual era, para essa gente, o traço mais encantador do Apedeuta? Não dar bola para as evidências de corrupção, o que lhe era facultado por sua popularidade e pela inimputabilidade que lhe foi conferida pela maioria da população. Em muitos aspectos, o eleitorado foi conivente com a sem-vergonhice, sim, não adianta negar.
A tal base aliada, em suma, se ressente é daquela amoralidade propositiva, boquirrota e, às vezes, agressiva de Lula. Os exemplos de Renan Calheiros e José Sarney são evocados aqui e ali. Lula nunca lhes tirou a escada. Ao contrário até: submeteu, em 2009, o então líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (agora ministro e membro do Instituto Lula…), ao ridículo, levando-o a provocar uma pequena revolução semântica. Mercadante defendeu que se investigassem os tais atos secretos e pôs o cargo à disposição: ou bem o Planalto concordava, ou ele entregaria a liderança. Lula lhe disse um sonoro “não”, ele renunciou ao posto “em caráter irrevogável” e… continuou líder. A voz petista mais estridente em defesa de Renan (aquele que chamava a mulher grávida de um filho seu de “a gestante”…) e de Sarney era Ideli Salvatti, agora ministra das Relações Institucionais.
E cadê Ideli? É uma boa pergunta. A realidade é um pouquinho mais complicada do que parece. Dilma não tem a mesma destreza para articular o discurso amoralista — e imoralista — de Lula. Dado que o Babalorixá o fazia contra a decência, admitamos que esse é um traço positivo da presidente na comparação com seu antecessor. Mas Dilma é também incompetente na gestão da crise política. A escolha de Ideli para a função, por exemplo, é de uma infelicidade óbvia. À época da nomeação, houve unanimidade a respeito: nem os petistas entenderam. Ela funcionava bem como membro de tropa de choque. Argumentar é diferente de ofender… a inteligência, no que ela é perita! Gleisi continua ser a face mais bonitinha da irrelevância política.
Dilma estava sendo sincera ao dizer que não quer se candidatar em 2014? A questão é outra. Com oito meses de governo, há um quase consenso entre os seus aliados de que só Lula pode lhes satisfazer os apetites. Precisam de sua imunidade à moral e aos bons costumes para que possam ser o que são. A presidente se sente vigiada por esse gigante do amoralismo e do imoralismo. A saída seria ter um norte, um objetivo, um alvo a perseguir. Ocorre que nem Dilma sabe por que é presidente da República.
Por Reinaldo Azevedo