domingo, outubro 30, 2011

É ou não é?

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sábado, outubro 29, 2011

Força Lula!

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sexta-feira, outubro 28, 2011

Fala a verdade!

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quinta-feira, outubro 27, 2011

Paraíba: o jornalismo do "rame-rame"


Imaginemos um esporte parecido com o futebol, mas onde as traves só ficam disponíveis para chutes no último minuto de cada tempo. Os jogadores jogam, jogam durante 44 minutos e depois têm um minuto para tentar marcar gols.

Independente de discutir a viabilidade de um esporte surreal como este, a pergunta que faço é: haveria sentido em narrar um jogo assim?

É óbvio que várias estratégias poderiam ser postas em prática ao longo dos minutos iniciais de cada tempo. Cansar o adversário, provocar cartões e expulsões, derrubar a moral do opositor com jogadas geniais e vários outros artifícios até poderiam tornar a partida interessante para seus jogadores. Mas a torcida teria interesse em ficar observando e ouvindo alguém narrar aquilo durante aquele tempo todo mesmo sabendo que aquilo não teria nenhum desfecho imediato? E, principalmente, haveria alguma função jornalística naquele tipo de cobertura?

Pois bem, se eu pudesse dar um nome a este esporte seria “O RAME RAME”.

Afinal, é isso que a imprensa paraibana tem feito ao longo dos últimos anos, quase décadas.

Mesmo sabendo que a eleição só ocorrerá depois de vários meses, até anos, nossos veículos dedicam em suas páginas e programações tempo e espaços absolutamente incompatíveis com a real importância do que anunciam, discutem, avaliam, debatem, polemizam, repercutem ou do que, resumindo em uma palavra muito usada nas rodas de debate espalhadas pelas praças e bares de qualquer cidade, "moem".

E esse moído tomou proporções ainda maiores com a disseminação de sites, portais, blogs e perfis no twitter dedicados exclusivamente à cobertura da política paraibana. Eu acredito seriamente que a Paraíba é uma das regiões do mundo com maior número de veículos de comunicação exclusivamente virtuais especializados nas notícias locais e regionais. As variações de “paraiba” e “pb” em domínios de internet já devem ter acabado há um bom tempo e a maioria dos sites, apesar de divulgar notícias sobre tudo, têm, claramente, como maior interesse a cobertura dos fatos políticos.

Sem, mais uma vez, entrar no debate sobre a qualidade desses sites (alguns nos fazem grandes vergonhas), a intenção de seus proprietários (quase sempre ligados ao campo da política) ou a competência de seus profissionais (quando não jovens jornalistas iniciantes enganados pelos "sócios", profissionais literalmente f... e mal pagos), o problema é encontrar FATOS, de verdade, diários na política paraibana.

Moído é fácil de encontrar. E quando não se encontra, se inventa.

No último dia 25, durante uma entrevista coletiva, após responder diversas perguntas sobre "os bastidores da política" e nenhuma sobre seus projetos para o mandato de senador que poderá assumir em breve, o ex-governador paraibano Cássio Cunha Lima trouxe a tona mais esse "moído" para ser discutido. Após a condenação, por parte do entrevistado, da postura da imprensa, no que denominou de “rame rame” da política, um representante da “classe” correu logo para defender o velho e bom – embora cada vez mais ultrapassado – ponto de vista de que a imprensa divulga o que o povo quer ver.

A questão é que a imprensa, tanto quanto qualquer outra atividade e, na minha opinião, mais do que a maioria delas, deve entender seu papel social e adotar o compromisso de levar à população informações que sejam relevantes e que contribuam para a formação da consciência crítica do meio no qual está inserida.

Nossa imprensa deixou de fazer isso faz tempo!

Jornalismo comunitário, que deveria ser a base de todas as pautas dos veículos locais, é relegado a segundo ou terceiro plano. Preferimos ocupar o tempo de nossos informativos repercutindo os “efeitos” locais de um casamento real inglês ou as tendências da moda para o verão europeu do que trazer à luz problemas de uma determinada comunidade ou grupo social que implora por visibilidade nas vizinhanças da empresa de comunicação. Até em pautas “obrigatórias”, como aquelas que se repetem a cada data festiva ou período do ano falta criatividade para se dar uma abordagem pertinente no contexto social com o qual o veículo tem responsabilidade.

A definição dos assuntos que ocupam o jornalismo paraibano está baseada nos aspectos audiência/faturamento/interesses políticos, não necessariamente nessa ordem. Qualidade, prestação de serviços, compromisso social, isenção, profissionalismo e relevância dos temas foram retirados dos objetivos de TODAS as redações.

Ao invés de formar cidadãos responsáveis, conscientes, críticos e exigentes, estamos contribuindo para a criação de uma geração de leitores, ouvintes e expectadores ainda mais débeis, alienados e desinformados.

Se antes essa debilidade, alienação e desinformação poderia ser creditada ao analfabetismo, hoje a culpa é, cada vez mais, da falta de leitura de conteúdos informacionais que possam incentivar o exercício da cidadania.

No que isso vai dar no futuro eu não sei. Mas sei que não pode ser nada de bom.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Cinco ferramentas do Google que todo jornalista deve conhecer




Talvez você ache que já conhece o Google e tudo que ele pode oferecer, mas existem algumas ferramentas não tão conhecidas que podem ajudar os jornalistas em uma variedade de tarefas, desde cobrir desastres naturais até encontrar fontes novas.

O Google apresentou estas ferramentas em uma sessão de treinamento para jornalistas paquistaneses organizada pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês). A sessão foi realizada por Sean Carlson, gerente de comunicações globais, e Robert Boorstin, diretor de políticas públicas do Google.
A IJNet resumiu estas cinco ferramentas que podem simplificar seu trabalho.
Moderador do Google – O moderador do Google (ou Google Moderator) é uma ferramenta útil para encontrar ideias para artigos. Ao criar uma série (ou “series” em inglês) e inclui-la no seu site, você pode fazer perguntas para sua audiência e receber opiniões, ideias ou citações para sua matéria. Pode criar enquetes usando a ferramenta “pergunta destacada” (“featured question”) para ter ideia do interesse que os usuários têm sobre o tema. Qualquer pessoa pode incluir respostas e o administrador pode decidir se permite respostas anônimas. Os usuários também podem enviar como resposta vídeos do YouTube. Para mais dicas sobre esta ferramenta, clique aqui.
Explorador de informação pública – Depois de buscar estatísticas e números para sua matéria na Web, use o explorador de informação pública do Google (“Public Data Explorer”), uma ferramenta de visualização de dados que lhe ajudará a encontrar uma notícia ou história nos números. Esta ferramenta converte os dados nos mapas e tabelas que podem ser incluídos na matéria. O Google também fornece um diretório de bancos de dados, proveniente de organizações como o Banco Mundial, o Censo dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional. Você também pode publicar seu próprio banco de dados, mas para trabalhar em projetos colaborativos interativos o Google oferece uma ferramenta diferente: o Google Fusion Tables.
Tabelas de fusão – Esta ferramenta, chamada “fusion tables”, permite visualizar e publicar grandes quantidades de dados. Você pode publicar seu banco de dados para vê-lo representado instantaneamente em um mapa, linha do tempo ou gráfico e depois incorporá-lo em um site em questão de minutos. Também pode fazer que seu banco de dados fique visível para a comunidade online. O _ Guardian_ usou as tabelas de fusão em suas reportagens sobre assassinatos relacionados com o narcotráfico no México, e aseleições de 2010, entre outros.
Estatísticas de Busca – Esta ferramenta permite identificar padrões de busca através de diferentes parâmetros incluindo categoria, tempo ou tipo de produto para identificar o que interessa às pessoas e quando e onde está acontecendo. Estes padrões permitem rastrear tendências, o que pode gerar ideias ou fontes para artigos futuros.
Resposta a crise – Esta ferramenta torna informações essenciais mais acessíveis após desastres naturais. Um jornalista cobrindo a notícia pode usar imagens de satélites atualizadas e mapas da área afetada, fazendo o terreno ficar más fácil para percorrer. Através desta ferramenta, você também pode obter as últimas notícias e atualizações.
Ferramentas como o buscador de pessoas (“person finder”) auxilia pessoas que foram separadas durante o caos a se reencontrar. Os jornalistas podem ajudar fornecendo a plataforma aberta com informação que conseguem. Esta ferramenta foi utilizada durante o terremoto no Japão, e as inundações no Paquistão,entre outros.

domingo, outubro 23, 2011

E quem desmentirá?


Começou a temporada de pesquisas eleitorais na Paraíba.

João Pessoa e Campina Grande serão os alvos da maioria das consultas de opinião, mas a população de várias outras cidades também será sondada.

Juntamente com a já manjada pergunta para saber em quem os eleitores votaram nas eleições passadas – principalmente para o legislativo – os resultados das pesquisas são o fator que mais reflete a falta de memória do brasileiro.

Quase ninguém lembra que a grande maioria dos institutos erra o resultado das eleições.

E isso se considerarmos pesquisas feitas a poucos dias ou até no dia da votação.

Se é assim com as pesquisas de boca de urna, imagine o que não deve haver de discrepâncias em uma pesquisa realizada um ano antes.

Pesquisas eleitorais têm duas variáveis importantíssimas. Uma é bem conhecida da população: a margem de erro, que significa que os números podem oscilar para baixo ou para cima em determinado percentual. A interpretação correta desta variável é sempre o dobro dela mesma. Ou seja, se uma pesquisa tem margem de erro de 3% sua variação real é de 6%, pois que um candidato que tem 30% pode ter 27% e outro, também com 30%, pode ter 33%. Só aí já é motivo de sobra para percebermos que as pesquisas, de fato, podem estar muito distantes da realidade.

Mas há um outro dado sobre pesquisas que é pouco conhecido ou levado em conta pelos "analistas" e pela população: o índice de confiabilidade (ou intervalo de confiança) da pesquisa, que, normalmente, gira entre 94% e 97%.

O que quer dizer esse índice?

Quer dizer que existe entre 3% e 6% de chances reais da pesquisa estar completamente ERRADA.

É isso mesmo. Ao contrário do que muitos pensam, que uma pesquisa pode, no máximo, oscilar dentro da tão comentada margem de erro, ela pode – e muitas oscilam – dentro do índice de confiabilidade. Ou seja, juntando margem de erro com confiabilidade, temos um índice que pode chegar a quase 10% de chance de estar tudo torto.

Olhando por este aspecto, a única conclusão à qual podemos chegar é que pesquisas eleitorais são extremamente frágeis. E olhando para a história recente deste tipo de estudo na Paraíba a única utilidade que posso ver em uma pesquisa eleitoral é a de, ao invés de verificar o cenário momentâneo, influenciar no cenário futuro.

Sabemos todos o quanto, infelizmente, nossos meios de comunicação estão comprometidos politicamente. Sabemos também que é absolutamente impossível a verificação da veracidade de uma pesquisa realizada neste momento. Se as famosas “viradas” ocorrem em apenas alguns dias, imagine em vários meses.

Pensemos, então, em dois cenários diferentes.

Em um, temos um candidato que indubitavelmente se mostra como o que tem maior visibilidade e, a partir do trabalho que desempenha, independente de estar ou não no poder, é o preferido na “boca do povo”. O que acontece se colocamos esse potencial candidato numa posição bem diferente da que “sentimos” na rua, por exemplo, perdendo sua popularidade principalmente em relação aos seus maiores concorrentes? O primeiro reflexo provocado na opinião pública é de que ele “não está tão bem quanto parece”, seguido por outros, como “ele pode estar bem aqui, mas em outras áreas deve estar muito mal” ou “o trabalho dele é bom, mas os dos outros parece ser melhor”.

Neste caso, a pesquisa serve para lançar dúvidas na cabeça do eleitor. Fazê-lo repensar sua opinião e, principalmente, perder a segurança sobre as qualidades de seu candidato e suas reais chances de triunfo. A pesquisa abala profundamente a base do candidato. É a pesquisa “desconstrutiva”.

Imaginemos, agora, um outro cenário. Temos, neste caso, alguém que pretende disputar um determinado cargo, articula esta candidatura nos bastidores mas não tem um trabalho que lhe qualifique junto ao grande público e nem desenvolveu ainda qualquer estratégia para tornar seu nome forte o suficiente para ser lembrado como potencial vencedor – lembrando sempre que a grande maioria do eleitorado só se dispõe a votar em alguém se conseguir vislumbrar alguma chance de vitória. Neste caso, o papel da pesquisa é criar na cabeça do eleitor, num primeiro momento, o candidato (ele existe!), para, em seguida, mostrar-lhe que, apesar dele sequer conhecer aquela pessoa, existe um número considerável de pessoas que não apenas conhece e respeita o seu trabalho, mas, sobretudo, o enxerga com potencial de vitória.

É exatamente o contrário do primeiro caso. O eleitor pensa: “eu nem conheço mas ‘tem muita gente’ que vota nele”, “ele deve estar fazendo um bom trabalho em alguma área” ou, principalmente “se sem nenhuma visibilidade ele conseguiu isso tudo, é um fenômeno!” Pronto, conseguimos o efeito “construtivo” de uma pesquisa.

Há pouco menos de um ano das eleições, a única coisa absoluta que sabemos em relação às pesquisas de opinião que começam a ser divulgadas é que elas não significam absolutamente nada do ponto de vista científica e mercadológico. Não temos como auferir suas prospecções e nem, muito menos, verificar sua falibilidade.

A única conclusão à qual podemos chegar é que neste momento a pesquisa afeta muito mais a opinião das pessoas do que é afetada por ela.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Sorria, você está sendo manipulado. DE NOVO!

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Após uma semana do início dos jogos panamericanos de Guadalajara, no México, pipocam nas redes sociais protestos de internautas contra a alegada ignorância da Rede Globo a respeito dos jogos. Acusam a “vênus platinada” de fazer de conta que os jogos não existem e de não lhes dar o destaque merecido na programação jornalística, mais especificamente nos programas esportivos.

É óbvio que com a compra dos direitos de transmissão dos jogos pela Rede Record, que lhe deu a exclusividade na transmissão e, por consequência, na captação de patrocínios, diminui muito o "interesse" da Globo e das demais emissoras, que também não estão cobrindo com Pan como merecido, em reservar espaços para o evento em suas grades.

Programas especiais ou informes ao longo da programação, nem pensar.

Mas não deixa de parecer uma burrice da Rede Globo, Band, SBT e RedeTV de repente relegar ao esquecimento esportes sobre os quais têm evidente interesse comercial, já que transmitem eventos dessas categorias e até promovem eventos com os seus atletas, como são os casos do futebol masculino, voley de quadra e de areia de ambos os sexos, natação, judô e ginástica olímpica, apenas para citar alguns.

Seriam as concorrentes da Record tão burras assim?

Não. Na verdade os burros, mais uma vez, somos nós!

O que está ocorrendo, mais uma vez, é a manipulação da opinião pública. Só que, desta vez, ao invés da Globo, quem está controlando os nossos cordéis é a Rede Record.

Mas como?

Ao comprar os direitos de transmissão, a Record tornou-se a única emissora brasileira não só a transmitir com exclusividade, mas também a única a ter o direito de credenciamento, o que faz com que repórteres e cinegrafistas das outras emissoras sequer tenham acesso aos locais das competições. Se quiserem pagar e entrar, podem. Mas nem assim poderão gravar e transmitir as imagens.

É por isso que todas as entrevistas com os atletas, feitos pelos repórteres da Rede Globo em Guadalajara – sim, a Globo mandou equipes para lá! – são feitas na rua, em estacionamentos, em portas de estádios. Nunca em locais de provas, áreas de imprensa ou na vila olímpica.

Só isso já justificaria a diminuição do espaço destinado à cobertura do evento, mas não pára por aí.

Para se tenha uma ideia, no Brasil os eventos sobre os quais a Globo e a Band detém os direitos de transmissão, daqui ou de fora, podem ter três minutos de imagens e sons reproduzidos por qualquer emissora, seja através de imagens gravadas pelas próprias emissoras ou cedidas pela Rede Globo, Band ou geradores independentes, como é o caso da Fórmula 1, Fórmual Indy e da Copa do Mundo.

No caso do Panamericano, de forma a atender a lei, a Record estabeleceu o entendimento de que as demais emissoras só poderão veicular os mesmos três minutos, mas não de cada competição ou modalidade e sim de cada dia. Assim, ao final de cada dia a emissora gera para as demais um resumo de imagens de três minutos produzidos segundo os seus critérios, que podem diferir das demais, sobre tudo o que aconteceu naquele dia, o que, convenhamos, no caso de um evento com muitas horas de transmissão por dia, é quase que absolutamente nada.

Quem perde com essa estratégia? Todos nós!

Mas, principalmente, perdem as nossas crianças, pela falta de oportunidade de ver o valor que o esporte pode ter na vida de alguém e pela impossibilidade de construir novos heróis baseados em valores como boa saúde, dedicação, persistência e superação!

Talvez os efeitos dessa picuinha se veja nas olimpíadas do Rio, em 2016, quando poderemos todos perder de ver grandes atletas brasileiros conquistando medalhas porque a eles não foi dada a oportunidade de conhecer a magia do esporte.

Como dizia o filósofo, "nesse prostíbulo não há virgens"!
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quinta-feira, outubro 20, 2011

Wilson, a legalidade e a moralidade

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Quando a justiça decidiu que os votos de Cássio Cunha Lima não seriam computados nas eleições de 2010 ficou muito claro, pelo ritmo atual das decisões jurídicas no Brasil – e pelas forças ocultas que rondam os tribunais brasileiros – que, nem que fosse por alguns dias, Wilson Santiago poderia desfrutar do cargo ao qual concorria e sabia que não teria a mínima chance de a ele ser conduzido apenas pela força de seu eleitorado.

Com os desdobramentos dos julgamentos no TRE e TSE transformou-se em realidade a possibilidade de assumir o cargo ao longo de todo o mandato, mas o STF o fez perceber que nele só iria permanecer até que o direito do verdadeiro senador fosse plenamente restabelecido.

Wilson foi muito atacado, principalmente pelos eleitores de Cássio, pelo simples fato de ter assumido o cargo de senador. Mas ele não tinha opção. A justiça determinou e ele simplesmente acatou. Mesmo que ele quisesse, não poderia dizer que não era o real detentor daquele direito e passar a chance para outro ou convencer os ministros a devolver o cargo para Cássio.

Até aí não se pode dizer que houve qualquer tipo de ilegalidade cometida por Wilson, como, de resto, não aconteceu em nenhum momento, embora se fale muito de litigância de má-fé em relação aos atos de seus advogados.

Porém, no campo da moralidade e da ética o episódio nos revelou um homem extremamente ardiloso e sorrateiro.

Ao invés de assumir o seu verdadeiro papel, de “guardador” da vaga de Cássio, e aproveitar cada dia de seu mandato como se fosse o último – o que é era a mais pura realidade – Wilson optou por seguir o caminho dos fracos e desonestos e empreendeu uma série de táticas absolutamente condenáveis para tentar adiar – não mais que isso – o direito de Cássio. 

No início da história ainda lhe restavam alguns lampejos de dignidade para admitir que sua situação era transitória, mas com o tempo assumiu cada vez mais a postura arrogante de detentor de uma cadeira que jamais lhe pertencera e, sobretudo, de tentar acreditar que ela não seria direito do verdadeiro ocupante.

Poderia ter saído limpo dessa história. Poderia ter conquistado o respeito de mais de um milhão de paraibanos se simplesmente se comportasse como quem só está ali por determinação da justiça e da lei e que sairá de bom grado assim que lhe for oficialmente solicitado.

Mas não. Esperneou, articulou, negociou, mentiu, enganou e não aceitou em nenhum momento sua real condição de terceiro colocado, que lhe seria muito honrosa diante da popularidade e estrutura dos candidatos com os quais concorreu.

Se os atos governamentais que levaram à cassação de Cássio são discutíveis, sob a ótica de que nada mais era o seu programa de governo do que uma versão estadual do Bolsa-Família, há possibilidade para que seus eleitores o defendam e evitem que o resto do Brasil o veja como alguém indigno de atuar na vida pública.

Para Wilson, não há defesa. Sua postura nesse episódio o coloca como tudo, menos como alguém que obedeça e defenda, como seria sua obrigação, os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. Foi, sobretudo, antiético.

Se o desempenho de Cássio Cunha Lima no Senado será melhor do que o de Wilson e se sua atuação no exercício do mandato reverter-se-á em ganhos efetivos para a Paraíba, o futuro nos mostrará.

O futuro político de Wilson Santiago também deverá mostrar a maturidade do eleitor paraibano e sua disposição para rechaçar posturas que não se coadunem com o comportamento que respeita e defende, de fato, a voz das urnas.

Wilson será, no futuro, dos poucos políticos que ficarão constrangidos ao serem tratados por um cargo que exerceram pelo fato de a ele não ter tido direito. E se não ficar será apenas para confirmar a imagem construída ao longo dos últimos meses.

domingo, outubro 16, 2011

Vamos Jogar?

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sábado, outubro 15, 2011

À Mestra, com Carinho!

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sexta-feira, outubro 14, 2011

quinta-feira, outubro 13, 2011

A última Avó



Dona Geny, com Seu Heleno e minha irmã Raquel no colo
Você já ouviu alguém que morreu dizer que estava triste?
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Aliás, você já conversou com alguém que morreu?

Todos nós já conversamos.

Nós conversamos com gente que morreu o tempo todo, afinal todos nós já morremos.

E revivemos. E reviveremos. Sempre!

Mas nunca revivemos todos ao mesmo tempo, ainda bem.


Assim, sempre que morremos temos grandes motivos para ficarmos felizes, pois, além de termos cumprido mais uma etapa de nossa existência, temos a oportunidade de reencontrar pessoas que amamos muito e que nos fazem muita falta.

É por isso que enquanto uns estão aqui, outros não estão. Assim, ninguém fica só.

De um lado ou do outro, sempre estamos acompanhados de irmãos que nos antecederam numa ou noutra morada e que têm como uma de suas principais tarefas nos receber em nossas chegadas, quase sempre atordoados e ignorantes sobre o que nos espera ou sobre o que nos levou àquele lugar.

Quando aqui chegamos, sentimos sobre nós o peso de um corpo ainda recém-saído da amorfia, sobre o qual temos muito pouco controle e sob o qual temos que reaprender as funções mais básicas da locomoção e da expressão. Com o tempo, o invólucro ao qual estamos ligados adquire qualidades que nos tornam independentes, fortes e expressivos, mas o mesmo tempo se encarrega de impor à nossa hospedaria humana os traços do tempo decorrido e do seu bom ou mau proveito. Para alguns é dado pouco tempo e, quase sempre de maneira abrupta, abandonam o corpo ainda em perfeitas condições de uso.

Mas há outros que se utilizam do envoltório físico até o seu limite e aproveitam todas as suas possibilidades, em proveito próprio e de outrem, até que ele se transforme muito mais numa carga a ser carregada do que em um motor a impulsionar.

Quando isso acontece, o que vemos quase sempre é um pássaro de luz aprisionado em uma gaiola de nervos e ossos, ainda com todas as qualidades que o fez tão querido, mas sem a possibilidade de demonstrá-las.

Além de não permitir o serviço em benefício do próximo, a doença impede a manutenção da própria existência.

Transforma o indivíduo de provedor em assistido, que passa a necessitar da atenção e dedicação de outrem para sobreviver.

Como deve se sentir uma mulher forte, dinâmica, ativa e livre que passa por um processo de perda da saúde física que lhe leva a depender daqueles que criou e educou no grau mais avançado que eles dela já dependeram?

Uma prisioneira.

Era assim que devia se sentir dona Geny.

Não podia mais alegrar a todos com suas palavras de apoio e comiseração. Não podia mais presentear os filhos e netos com os abraços revigorantes (dos quais fui agraciado com muito poucos, mas inesquecíveis!). Não podia mais surpreender a ninguém pela presença de espírito com a qual contaminou a todos que com ela conviveram.

Estava presa em uma cela que lhe embaçava a mais importante de todas as funções: o pensamento, que lhe serviu à consciência firme e aos propósitos elevados quando da criação exemplar dos filhos e da participação decisiva nos destinos de todos os descendentes.

Dona Geny recebeu esta semana o seu tão esperado e merecido “habeas espiritus”!

Expedido no prazo necessário para que pudesse cumprir sua cruz de provas e expiações e segundo o mais profundo senso de justiça, seu cumprimento foi determinado por aquele que a acompanhou desde sua criação e a guiará firmemente rumo à inexorável perfeição: seu Pai. Nosso Pai!

Dona Geny está livre! Graças a Deus!

Para infortúnio de todos aqueles que tiveram a sorte e o prazer de com ela conviver, não mais será possível retornar ao convívio deste plano, e estes cumprirão agora a pena de existir sem sua presença física a lhes guiar e consolar.

Para alegria dos que partiram antes dela, já deve estar se encaminhando para suas ansiosas companhias, tão importantes neste momento de recuperação da verdadeira consciência pessoal, celular e universal.

Será, se já não estiver sendo, coberta de beijos, abraços e palavras de amor e caridade.

Era minha última avó nesta existência e meu último encontro com ela foi extremamente marcante pela tristeza que provocou em mim graças à consciência adquirida de maneira absolutamente brusca de tudo o que eu havia perdido por não tê-la encontrado antes e que àquela altura seria impossível reverter. Uma de minhas maiores frustrações.

Estamos todos tristes pela sua ausência, mas ela não precisa da nossa tristeza.

Ela merece, isto sim, a nossa Gratidão.

Como deve estar feliz Seu Heleno e tantos outros que dividiram suas existências com ela e que tiveram que, nesta última, deixa-la inesperadamente.

Impossível imaginar o tamanho do sorriso e o brilho transparente das lágrimas de alegria do filho que se viu obrigado a abandonar a mãe, sofrendo e, ao mesmo tempo, impingindo-lhe talvez a mais aguda das dores que suportou nessa existência. Gileno está eufórico! Sua mãe voltou!

Mainha, com certeza, encontra-se ao seu lado, junto com tantos outros irmãos, pronta a assistir ao seu restabelecimento e a relembrar-lhe sobre as particularidades da morada à qual ela está retornando.

Em breve, tudo ficará bem, conosco, por que com Dona Geni já está tudo ÓTIMO!

Embora a convivência, por razões que o destino impôs e a natureza humana provocou, não tenha sido sequer uma fração do desejado por ambas as partes, sei que me acompanhou e me dedicou a parte merecida do seu amor e atenção. Assim, agradeço por tudo, Vó!

Nossas bênçãos!!!

quarta-feira, outubro 12, 2011

Generais do nosso tempo

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