quinta-feira, outubro 20, 2011

Wilson, a legalidade e a moralidade

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Quando a justiça decidiu que os votos de Cássio Cunha Lima não seriam computados nas eleições de 2010 ficou muito claro, pelo ritmo atual das decisões jurídicas no Brasil – e pelas forças ocultas que rondam os tribunais brasileiros – que, nem que fosse por alguns dias, Wilson Santiago poderia desfrutar do cargo ao qual concorria e sabia que não teria a mínima chance de a ele ser conduzido apenas pela força de seu eleitorado.

Com os desdobramentos dos julgamentos no TRE e TSE transformou-se em realidade a possibilidade de assumir o cargo ao longo de todo o mandato, mas o STF o fez perceber que nele só iria permanecer até que o direito do verdadeiro senador fosse plenamente restabelecido.

Wilson foi muito atacado, principalmente pelos eleitores de Cássio, pelo simples fato de ter assumido o cargo de senador. Mas ele não tinha opção. A justiça determinou e ele simplesmente acatou. Mesmo que ele quisesse, não poderia dizer que não era o real detentor daquele direito e passar a chance para outro ou convencer os ministros a devolver o cargo para Cássio.

Até aí não se pode dizer que houve qualquer tipo de ilegalidade cometida por Wilson, como, de resto, não aconteceu em nenhum momento, embora se fale muito de litigância de má-fé em relação aos atos de seus advogados.

Porém, no campo da moralidade e da ética o episódio nos revelou um homem extremamente ardiloso e sorrateiro.

Ao invés de assumir o seu verdadeiro papel, de “guardador” da vaga de Cássio, e aproveitar cada dia de seu mandato como se fosse o último – o que é era a mais pura realidade – Wilson optou por seguir o caminho dos fracos e desonestos e empreendeu uma série de táticas absolutamente condenáveis para tentar adiar – não mais que isso – o direito de Cássio. 

No início da história ainda lhe restavam alguns lampejos de dignidade para admitir que sua situação era transitória, mas com o tempo assumiu cada vez mais a postura arrogante de detentor de uma cadeira que jamais lhe pertencera e, sobretudo, de tentar acreditar que ela não seria direito do verdadeiro ocupante.

Poderia ter saído limpo dessa história. Poderia ter conquistado o respeito de mais de um milhão de paraibanos se simplesmente se comportasse como quem só está ali por determinação da justiça e da lei e que sairá de bom grado assim que lhe for oficialmente solicitado.

Mas não. Esperneou, articulou, negociou, mentiu, enganou e não aceitou em nenhum momento sua real condição de terceiro colocado, que lhe seria muito honrosa diante da popularidade e estrutura dos candidatos com os quais concorreu.

Se os atos governamentais que levaram à cassação de Cássio são discutíveis, sob a ótica de que nada mais era o seu programa de governo do que uma versão estadual do Bolsa-Família, há possibilidade para que seus eleitores o defendam e evitem que o resto do Brasil o veja como alguém indigno de atuar na vida pública.

Para Wilson, não há defesa. Sua postura nesse episódio o coloca como tudo, menos como alguém que obedeça e defenda, como seria sua obrigação, os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência. Foi, sobretudo, antiético.

Se o desempenho de Cássio Cunha Lima no Senado será melhor do que o de Wilson e se sua atuação no exercício do mandato reverter-se-á em ganhos efetivos para a Paraíba, o futuro nos mostrará.

O futuro político de Wilson Santiago também deverá mostrar a maturidade do eleitor paraibano e sua disposição para rechaçar posturas que não se coadunem com o comportamento que respeita e defende, de fato, a voz das urnas.

Wilson será, no futuro, dos poucos políticos que ficarão constrangidos ao serem tratados por um cargo que exerceram pelo fato de a ele não ter tido direito. E se não ficar será apenas para confirmar a imagem construída ao longo dos últimos meses.

Um comentário:

Tainá Caju disse...

Legalidade e moralidade são conceitos que estão cada vez mais distantes.