segunda-feira, outubro 03, 2011

Por que Calypso, Calypso por quê?


Chico: com o dinheiro do povo não!
Há alguns meses Campina Grande viveu a polêmica do forró de plástico, envolvendo o secretário estadual de cultura Chico César e praticamente todos os membros do governo municipal envolvidos direta ou indiretamente na realização d’O Maior São João do Mundo (com exceção da secretária municipal de cultura, que permaneceu em silêncio durante toda a discussão, mesmo sendo um tema de sua alçada e sobre o qual tem inequívoca autoridade para falar).

Defenderam o “direito” da população a assistir aos shows dos maiores nomes brasileiros do estilo mais difundido durante as festas juninas: o forró e suas variações.

Chico César, é bom lembrar, não disse em nenhum momento que essas atrações deveriam ser “banidas” do palco do Arraial Hilton Motta. Só disse que elas não deveriam ser pagas com dinheiro público. Os grandes patrocinadores, mais interessados nos aspectos comerciais e mercadológicos da festa, que os bancassem.

Concordo com ambos.

Joelma e Chimbinha: que cultura é essa?
Agora, às vésperas do aniversário da cidade, a prefeitura divulga como atração principal do evento popular que marcará a data a Banda Calypso.

E qual a justificativa para a escolha de Joelma & Chimbinha? O POVO GOSTA!

E é?

Mas será que o papel da administração pública é fazer “o que o povo gosta” ou “o que é melhor para o povo”?

Considero a segunda alternativa correta, mas não sou alienado. Acredito que em condições normais, na realidade em que vivemos, o que é possível para um governo que deseje e trabalhe para a evolução educacional, moral, filosófica e cultural de seu povo é tentar conciliar o ideal com o possível.

E neste cenário não consigo acreditar que a Banda Calypso seja uma boa opção, embora também não seja a pior.

Gil: há alguém mais "pop" no Brasil?
Sem querer comparar e já comparando, João Pessoa, que há bem pouco tempo tinha uma agenda cultural bem aquém da de Campina Grande, hoje é referência na promoção de atividades artístico-culturais que consigam conciliar o que o povo quer com o que é melhor para o povo e para a cidade.

Apenas para citar dois eventos, refiro-me aos shows de Gilberto Gil, em 2010, e Maria Bethânia, em 2011, em um festival de verão promovido pela prefeitura, na praia, de graça, para todos.

Dizer que não são tão populares quanto a Calypso é uma besteira. Tenho certeza que Gil e Bethânia têm não apenas fãs mais apaixonados, mas também em maior número, embora não demonstrem tão efusivamente sua paixão, até porque devem incluir os artistas em um rol maior, juntos de nomes como Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Caetano Veloso. Amam, às vezes, mais a obra do que o artista (é o meu caso).

Bethânia: de fato, uma Artista.
O show de Maria Bethânia, no último verão, não apenas foi uma demonstração de bom gosto e respeito à população que não tem muitas oportunidades de ver artistas desse porte nas casas de shows que visam mais o lucro do que a qualidade. Mais do que isso, foi uma grande sacada turística. Caravanas de várias cidades, notadamente de Recife e Natal, ajudaram a lotar as areias da praia do Cabo Branco. Turistas da melhor qualidade! Com alto grau de instrução, bom poder aquisitivo e alto potencial de formação de opinião. Turistas que agregaram valor não apenas ao destino turístico, mas também à cidade, que ganhou visibilidade e conceito.

Eneida: algo a dizer?
Agora, as perguntas:

O que um show da Banda Calypso pode fazer pela imagem de Campina Grande?

Que tipo de turista virá a Campina no próximo dia 11?

Que tipo de benefícios, do ponto de vista da formação crítica, artística e cultural, o espetáculo trará para nossa gente?

E finalmente, qual a posição da Secretaria Municipal de Cultura em relação ao investimento de, com certeza, centenas de milhares de reais em uma atração dessa natureza?

Parafraseando Fernando Brandt, na bela letra de Sol de Primavera, imortalizada por Beto Guedes, “A RESPOSTA sabemos de cor. Só nos resta aprender”.

Um comentário:

Aluizio Guimarães disse...

Muito bom! Concordo plenamente! Entendo que o povo "gosta" daquilo que lhe é apresentado. Já vi a orquestra sinfônica para o trânsito ao lado do parque do povo, a tarde, passando o som! O povo gosta do que presta sim! E outra, eu não sou preconceituoso... acho o calypso muito ruim, e de acordo com Baudelair, gosto se discute sim! Parabéns amigo, enquanto tiver gente com este poto de vista o sonho ainda não acabou!