terça-feira, agosto 09, 2011

O que fazer na Dinamérica?



Me lembro de minha infância no bairro da Estação Velha.

Depois do jantar a rua ficava cheia. Meninos brincando no leito de terra e pedras, meninas conversando sentadas no meio-fio e pais e mães sentados em cadeiras, banquinhos, espreguiçadeiras e até deitados em redes nos terraços. A rua era um espaço de convivência e socialização.

Com o tempo, a rua foi ficando vazia. Por um lado, aumento da violência, do número de carros e motos, da poluição, do calor... ...e, por outro, mais conforto no interior das casas e novas formas de entretenimento e de socialização, principalmente virtuais.

Naquele tempo, o da minha infância, tudo o que eu e “o povo da rua” mais queríamos era uma pracinha. Nada demais. Plantas, passeios e bancos. Este era o conceito de praça no meu tempo.

Hoje, o conceito mudou. Afinal, não basta um banquinho de concreto, uma caixa de areia ou um balanço para fazer pais largarem suas novelas e jornais da noite e filhos largarem seus videogames e computadores.

É aí onde me chama a atenção a disposição da prefeitura para urbanizar o canteiro central da avenida Dinamérica, espaço que ficou abandonado desde a construção, há décadas, e que agora, finalmente, foi avistado pelo poder público municipal, que já comunicou que em 2012 realizará essa obra de grande importância para a comunidade de vários bairros que circundam a avenida, inclusive o meu.

Mas o que será feito?

Infelizmente, a notícia que recebo é que “a comunidade pediu quadras, espaço para caminhadas e praças”.

Só?

Não vou nem discutir aqui os meios de auscultação das demandas sociais, pois o conceito de e-governo definitivamente ainda não faz parte de nossa realidade. Depois falo disso...

Voltando à Dinamérica...

Tudo bem que para um espaço que atualmente serve de estacionamento para caminhões de frete, endereço para barracas de fogos de artifício, terreno para montagem de circos e parques de diversões de qualidade e segurança duvidosas, depósito de paralelepípedos e até curral, ter pistas de caminhada, quadras e praças é um grande avanço.

Mas, se é pra avançar, porque não avançar DE VERDADE?

Quem disse que praça é só calçada e banquinho?
Em vários lugares do Brasil e do mundo os espaços públicos têm enfrentado o desafio de fazer as pessoas saírem de casa de novo, para convivência e interação entre vizinhos, entre faixas etárias, entre sexos, entre culturas.

Mais do que isso, esses espaços buscam criar novos cidadãos, mais ativos, sociáveis, cultos, saudáveis, preocupados com o bem estar da comunidade e dos que dela fazem parte.

Novos esportes. Novos Atletas.

Com cimento e areia se faz um complexo esportivo!
Praças, quadras e pistas de caminhada já são um avanço, mas porque não avançar ainda mais e construir playground 
para crianças com brinquedos educativos, de preferência na forma de obras de arte exploráveis; ciclovias (inclusive velódromo); pistas para bicicross, skate e patins para a molecada que não se liga em esportes de equipe; academias ao ar livre com equipamentos de fisioterapia, para contribuir na manutenção da saúde, principalmente dos idosos, com espaços exclusivos para sessões de alongamento, aeróbica, tai chi chuan, pilates etc.; anfiteatro para ensaios e apresentações musicais, teatrais, palestras e reuniões da comunidade; um pavilhão de 
Mais saúde para a melhor idade
Atividade física para o espírito
exposições onde possam ser realizadas feiras de produtos orgânicos, artesanato, livros, cursos profissionalizantes e pequenos eventos, servindo até como um salão de festas onde possam ser realizados aniversários, recepções e outros pequenos eventos.

Dança, música, teatro. Um verdadeiro centro cultural.
Estas são apenas algumas das muitas opções que podem agregar um valor inestimável e transformar a realidade de várias comunidades. Tenho certeza que os professores e alunos dos cursos de arquitetura e urbanismo, engenharia civil, educação física, fisioterapia e vários outros terão o maior prazer em sugerir equipamentos ainda mais interessantes, desde que sejam consultados e convidados a participar (porque não fazer concursos em parcerias com as universidades?).

A comunidade já disse: queremos esporte e lazer.

E não esqueçam da arte. Muita Arte!
É da prefeitura e dos especialistas a tarefa de decidir quais as melhores maneiras de atender à demanda. Este tipo de tutela é sadio, indicado e até necessário.

Se a prefeitura criar e executar a obra de maneira criativa e inovadora, tenho certeza que ninguém vai reclamar.

Nem a oposição!





2 comentários:

Anônimo disse...

Ideia muito boa, mas esta a cara dos antigos Guias eleitorais do Grupo Cunha Lima, onde campina teria um monte de benefícios que nunca saíram do papel, mesmo diante da venda da CELB.

Emerson Saraiva disse...

Pois é, vivemos um momento importante, no qual os Cunha Lima não estão mais no poder e aqueles que realmente cumprem o que prometem têm nas mãos os meios de executar novas e boas idéias. Pra fazer qualquer coisa, qualquer um faz.