segunda-feira, maio 02, 2011

Rômulo e o PSD: 1+1=3

Rômulo, cacique de sua própria tribo
A saída de Rômulo Gouvêia do PSDB para assumir o PSD na Paraíba tem vários desdobramentos.

O primeiro, e mais imediato, é a declaração oficial de guerra interna no partido dos tucanos. Cícero agora vai partir para o ataque, alegando que se o partido não participa mais do governo pode figurar na oposição. A Cássio, por sua vez, caberá a tarefa de lembra-lo que o PSDB também fez parte da chapa majoritária para o senado e foi na coligação com o atual governo que o partido conquistou mais uma vaga na casa alta do Congresso. Cícero já perdeu uma batalha ao longo da campanha e poderá perder outra caso haja disputa aberta pelo controle do partido no estado. O senador pessoense vai colocar na balança o importante cargo que ocupa hoje no Senado, que lhe faz uma espécie de prefeito da casa. Cássio vai confrontá-lo com a recente vitória no judiciário, que representará a diminuição da bancada governista, com a saída de Wilson Santiago, além dos aliados que possui na Câmara dos Deputados. Em Brasília, Cícero tem poder e Cássio tem votos. Na realidade estadual, Cássio terá a “infra” do governo para apaziguar os ânimos dos diretorianos e pode haver nova acomodação de tucanos em cargos do Estado e até da Prefeitura de João Pessoa.
Cícero pode perder a besta e o frete

Mas isso só se Ricardo quiser. E ele, provavelmente, irá querer, não apenas em atenção ao aliado, mas também pela “incompatibilidade” com Cícero, nutrida há muito e, finalmente, por um compromisso cada vez mais forte de manter Luciano Agra no comando da capital, o que lhe dá mais conforto para governar e, principalmente, para implementar projetos conjuntos na cidade.

O segundo desdobramento do surgimento do PSD na Paraíba sob o comando de Rômulo é a adesão antecipada de mais uma legenda de tamanho considerável nas disputas eleitorais que o grupo Cássio/Ricardo estará participando em 2012 e 2014. É mais tempo de horário eleitoral, mais verba partidária (principalmente se vier o financiamento público de campanhas) e mais peso nas chapas proporcionais.

PSD pode ser novo queridinho de Dilma
O terceiro efeito da criação do PSD, que acontece em todo o Brasil e se repete na Paraíba, é que o partido tem servido ao movimento adesista que todo novo governo experimenta. O partido será morada mais confortável para os que saíram das últimas eleições inconformados com o tratamento dispensado pelas lideranças que seguiam e que temem retaliações pela postura de proximidade do governo, entre elas, principalmente, a falta de legenda para disputas futuras. Vários partidos e suas lideranças experimentam a debandada.

E a quarta, e última, das mais importantes decorrências do surgimento do PSD-PB é, com certeza, a ascensão de Rômulo ao primeiro escalão das lideranças políticas paraibanas. Mesmo com toda a força que sempre demonstrou, ele era ofuscado por caciques tucanos como Ronaldo, Cássio e Cícero e sempre teve dificuldades para deixar a condição de coadjuvante dentro do PSDB. Mesmo em relação a outros partidos, Rômulo tinha mais votos e poder de mobilização, mas prescindia de poder partidário e de decisão em relação a nomes como Enivaldo Ribeiro, Damião Feliciano, Armando Abílio, Wellington Roberto e outros.

Agora, no controle de um partido que já nasce muito forte nacionalmente, Rômulo ocupa não apenas o controle, mas, também, o cargo político mais importante do partido no estado, sendo, portanto, impossível derruba-lo. O vice-governador terá enorme poder na configuração das chapas da campanha 2012. 

Agora só depende dele decidir se voltará ou não a disputar a Prefeitura de Campina, e, com certeza, poderá impor sua vontade na sucessão de Ricardo. Se quiser, continua onde está, mas eu acredito que o gordinho vai deixar a vaga de vice para o PSDB e rumar célere para o Senado. Isso representaria, diretamente, o ocaso definitivo de Cícero e Maranhão.

Será que Cássio e Ricardo apoiariam?

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