domingo, maio 13, 2012

Vai dar Rangel



No processo de consulta à comunidade acadêmica que a Universidade Estadual da Paraíba realizará na próxima quarta-feira, dia 16, alunos, professores e funcionários deverão indicar suas preferências para o próximo reitorado, que se inicia em 2013.

De um lado, quatro candidatos de oposição, oriundos de diversos segmentos e correntes políticas internas da UEPB. De outro lado, um membro da atual administração, por ela apoiado.

Embora a atual reitora, professora Marlene Alves, não seja candidata, é ela o ponto central da disputa. Com exceção da professora Mônica Maria (Chapa 1), todos os demais candidatos de oposição, em algum momento, participaram do grupo liderado pela professora Marlene e, em algum momento, por motivos diversos, alguns inconfessáveis, passaram a combatê-lo.

Os candidatos de oposição, apesar de produzirem e distribuírem suas cartas propostas com as ações que pretendem desenvolver caso sejam escolhidos, centram suas campanhas no confronto com o atual reitorado, com o apontamento de suas eventuais falhas administrativas e a denúncia de alguns atos interpretados como antiéticos ou ilegais, mas que até agora não se fizeram acompanhar por documentos que comprovassem o que foi denunciado.

A chapa de situação tem, diante dessa postura dos demais candidatos, se dividido entre a apresentação de suas propostas e a defesa da atual administração, da qual faz parte, buscando, ao mesmo tempo, apresentar sua disposição para continuar o projeto atual e sua capacidade para melhora-lo em diversos aspectos.

Analisando do ponto de vista estratégico o processo, inobstante seja parte dele e tenha claro envolvimento profissional e pessoal, acredito que o resultado dará ao professor Rangel Júnior uma vitória com boa margem de votos em relação aos demais candidatos.

Sua maior vantagem, obviamente, é o fato de ser apoiado pela atual Reitora, que é, indubitavelmente, a figura mais carismática de toda a história da UEPB e responsável por avanços que a transformaram de uma instituição precária estruturalmente, sofrível academicamente e nula em setores importantes como pesquisa, extensão e pós-graduação em uma universidade de referência em nível regional e um modelo de gestão pública em nível nacional.

Em seguida, o candidato Rangel Júnior conta com o fato de ter brilho próprio e de ser ator importante, em alguns casos decisivo, na história recente da UEPB, tendo participado ativamente de suas mais importantes conquistas, quais sejam a estadualização, a aprovação da lei de autonomia financeira e dos planos de cargos, carreiras e remuneração dos professores e servidores técnico-administrativos, além da implantação dos câmpus abertos após a autonomia. Em todos estes momentos Rangel estava presente de maneira ativa, defendendo e garantindo as conquistas que levaram a universidade ao patamar que hoje ocupa.

Finalmente, será decisiva para a escolha de Rangel o posicionamento por ele escolhido ao longo do processo que se encerra na próxima quarta. Desde o primeiro momento, sabendo que iria enfrentar uma oposição extremamente ostensiva, o professor Júnior – como é mais conhecido no meio acadêmico – decidiu não fazer qualquer tipo de referência negativa aos demais candidatos. Decidiu que não responderia a ataques com ataques e nem se submeteria a qualquer tipo de debate que não fosse baseado exclusivamente na análise de seu próprio histórico no âmbito acadêmico-político-administrativo e na apresentação de suas propostas para melhorar ainda mais as estruturas da UEPB.

Do lado oposto, não me cabe aqui analisar se a postura efetivamente praticada pelos demais candidatos foi correta ou não. O resultado da votação fará isso. Mas me permito apontar aspectos nos quais os quatro candidatos de oposição perderam grandes chances ao longo desse processo, graças, basicamente, à leitura equivocada do cenário aonde acontece a disputa.

É que a UEPB, depois do processo de ruptura política com o Governo do Estado, vem passando por um permanente processo de desconstrução de sua imagem, a partir da figura da reitora, provocado pela estrutura oficial de comunicação estadual e repercutido por uma rede de veículos e comunicadores que mantém relações nada republicanas com o Palácio da Redenção.

O que os candidatos oposicionistas esqueceram de verificar foi o efeito desse processo no âmbito institucional, pois na consulta da próxima quarta-feira o voto é facultado apenas para aqueles que convivem diretamente com a universidade e estes, efetivamente, têm uma percepção da UEPB bem diferente daqueles que não a conhecem e que vem sendo bombardeados nos últimos meses com informações que têm claro objetivo de validar a atitude do Governo do Estado no que se refere ao corte de recursos para a instituição.

Sendo assim, ficou, no âmbito da oposição, uma enorme lacuna. Não houve por parte de nenhum candidato o entendimento de que o melhor caminho seria admitir os avanços conquistados pela atual administração e colocar-se como opção viável de prosseguimento da atual política, porém com a correção de rumos onde efetivamente haja falhas, utilizando conceitos como choque de gestão e alternância de poder. Ou seja, faltou alguém dizer “está bom, mas pode melhorar”.

Adicionalmente, os candidatos de oposição perderam outro grande “mote”. É muito claro que, a exemplo do que ocorre em praticamente todos os setores sobre os quais haja influência das ações governamentais em nível estadual, no âmbito da UEPB, em todos os seus segmentos, se replica a percepção negativa em relação ao atual Governo. Faltou, então, à oposição, um candidato que se posicionasse incondicionalmente ao lado da UEPB e com disposição para enfrentar diretamente o governador em defesa da Autonomia. Pelo contrário, a totalidade dos candidatos oposicionistas optou por alinhar-se com o discurso do Governo, colocando-se como opção de diálogo, quando a grande maioria da comunidade interna percebe que a falta de diálogo tem sido provocada, unilateralmente, pelo Governo. Passaram, claramente, uma imagem - que não combina com o pensamento dominante no meio acadêmico - de disposição para a subserviência.

Independente disso, a disputa tem se pautado pelo interesse que a grande maioria dos “eleitores” tem tido em relação às propostas. Recentemente ouvi depoimento de um professor que se disse constrangido ao presenciar representantes de uma candidatura, em visita à sua sala de aula, serem repreendidos por uma aluna ainda no início do curso, pelo fato de estarem atrapalhando a aula apenas para “falar mal dos outros”, quando poderiam ser mais sucintos e se aterem ao campo das propostas.

E, no campo das propostas, outros pecados foram cometidos por candidaturas oposicionistas. 

Saltaram aos olhos de todos promessas claramente fora da realidade tanto do ponto de vista da necessidade quanto sob o aspecto da exequibilidade. Esta percepção, ao invés de angariar votos de eleitores menos conscientes, provocou na grande maioria dos aptos a votar o entendimento de que a própria candidatura se entende inviável, portanto autorizada a prometer o que não é possível cumprir.

Nesse cenário, a consulta se aproxima de seu momento final e, diante da impossibilidade de sucesso, algumas candidaturas demonstram grande disposição para, nestes últimos dias, tencionar ainda mais o processo, principalmente utilizando-se de factoides para tentar confundir o eleitorado. A candidatura situacionista vive neste momento a sua melhor fase, com a cristalização de sua maioria e uma grande onda de adesões e declarações de apoio.

Nas próximas 48 horas é inviável qualquer tipo de virada ou reversão da curva de crescimento da chapa Rangel Júnior/Etham, mas a oposição acredita e vai tentar jogar suas últimas cartas.

Vão tentar mostrar que quatro é mais do que cinco.

Não é.

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