sábado, janeiro 07, 2012

2012: o fim da campanha offline




Mídias Sociais: decisivas.

Começou mais um ano eleitoral.

2012 será um ano marcante para a história político-eleitoral brasileira. Viveremos as primeiras eleições após a democratização, de fato, do acesso à internet e a consolidação das redes sociais junto a todas as parcelas da sociedade.

É fato que em algumas cidades bem próximas a Campina Grande o efeito das mídias sociais e móveis ainda será limitado ao baixo grau de interesse e à impossibilidade da população para delas fazer bom uso, principalmente pela falta de conhecimento, de educação e de programas de inclusão digital.

Mas aqui, na Rainha da Borborema, as redes sociais deverão se transformar em um capítulo à parte da eleição, ou melhor, deverão se transformar em uma eleição à parte e com grandes chances de influir decisivamente na campanha do mundo real.

Quero crer que todos os prováveis candidatos a cargos majoritários já estejam plenamente conscientes disso, preparando suas estratégias e, principalmente, seus estrategistas e seus pelotões de soldados virtuais para a série de batalhas que ocorrerá na internet. E, lembro sempre, nem sempre aquele marqueteiro super criativo que lhe garantiu a vitória estrondosa ainda no primeiro turno sequer consegue perceber como se dá a dinâmica das redes sociais. Acha que ainda não vale a pena investir nesse campo... Quem aposta?

Obama: twiteiro sem nunca ter usado o twitter
O maior exemplo de rasteira dada pelas redes sociais foi a que sofreram os opositores de Barack Obama nos EUA. Não acreditaram na força das novas mídias e foram atropelados por um candidato que tinha como principal meio de comunicação direta com o eleitor o twitter e meses depois de eleito confessou jamais ter usado, pessoalmente, a ferramenta.

Se nas eleições passadas as metas eram colocar milhares nas ruas durante as passeatas, bater o recorde de pessoas em um comício ou conseguir quilômetros e quilômetros de carros e motos nas carreatas, agora os candidatos deverão buscar emplacar suas hashtags nos trending topics, viralizar seu vídeo do youtube para conseguir mais acessos que os concorrentes e gerar buzz permanente no facebook, na forma de compartilhamentos e “curtimentos”, seja com conteúdo “oficial”, seja com material produzido (ou que pareça ser...) pelos próprios internautas.

Não há ainda dados seguros que atestem que a quantidade de eleitores “online” será capaz de decidir diretamente a vitória nas urnas, mas a correta utilização das “batalhas virtuais” da campanha, principalmente com a repercussão nos meios tradicionais, será com absoluta certeza o fiel da balança na parte, digamos, regulamentar das eleições (a outra parte é aquela das madrugadas pré-eleições e do trabalho de cooptação de eleitores mediante pagamento, onde nem a mídia tradicional e nem, muito menos, a Justiça Eleitoral têm qualquer influência).

Será preciso muito cuidado. O eleitor online é, em sua maioria, bem diferente do tradicional componente de claque. Se alguns serão remunerados e se dedicarão integralmente ao embate virtual, outros – a maioria – precisarão ser conquistados a cada dia e só se empenharão de verdade na defesa e multiplicação dos programas de seus candidatos se perceberem que são tratados por esses candidatos como acham que merecem. O candidato deve estar sempre atento e acessível, responder a TODAS as solicitações de interação nas redes sociais e contribuir para as estratégias da campanha virtual, seja adaptando sua agenda de campanha com a inclusão de ferramentas de compartilhamento nos meios sociais, seja com a realização de eventos completamente direcionados para estas mídias.

Candidato bom será candidato online e full time.

O eleitor vai querer saber onde está o candidato a cada momento, pelo Foursquare, vai querer ver fotos de todas as suas atividades (inclusive as privativas, como reuniões estratégicas e encontros pessoais) no Flickr, vai querer acompanhar o diário atualizado da campanha no blog do candidato, vai querer ver vários vídeos da campanha por dia no Youtube e, sobretudo, vai querer que tudo isso lhe seja disponibilizado em tempo real nas timelines do twitter e facebook.

Pela primeira vez os candidatos terão à sua disposição uma importantíssima ferramenta de feedback para saber se esta ou aquela liderança atrai ou afasta eleitores, como as pessoas reagem às suas propostas de governo ou quais os assuntos que mais ajudam ou atrapalham sua penetração junto a determinadas parcelas do eleitorado. Aliás, a palavra de ordem dessa campanha virtual será SEGMENTAÇÃO, que, com as ferramentas apropriadas, possibilitará atingir cada target de maneira efetiva e segura, sem ruídos e sem desvios de foco e, principalmente, acompanhar minuto a minuto o desempenho de cada tema ou ideia junto ao público.

MEMEs: verdadeiros fenômenos em traços simples
Posso afirmar com absoluta certeza que as redes sociais serão a segunda mais importante mídia dessa campanha, atrás apenas das inserções de TV e à frente do próprio horário eleitoral gratuito, que este ano será muito mais visto pela internet, sob demanda, do que em sua exibição tradicional. Eventos de rua precisarão passar por um processo de reformulação para que possam ecoar com rapidez e força nos perfis dos participantes (teremos comícios e passeatas com WiFi?), imagens marcantes precisarão ser minuciosamente previstas para que sejam viralizadas rapidamente, “memes” nascerão e poderão transformar-se em verdadeiros fenômenos, então será preciso muito cuidado para que eles trabalhem a favor do candidato e, sempre que possível, contra o oponente.

Sarah Palin: inviabilizada pela ridicularização
Embora já possa ser considerada uma mídia de massa, a internet precisará ser vista e tratada a partir de seus inúmeros nichos e trabalhada com estratégia capilarizada e estrutura multinível. Trabalho de formiguinha mesmo, ativo, passivo e interativo. E a parte mais importante de todas será a monitoração, para conseguir detectar desde o início as potenciais ameaças ou trunfos. Qualquer ato ou palavra impensada poderá dar início a um turbilhão de críticas capaz de destruir todo o trabalho de construção da marca e da imagem do candidato ou de suas propostas.

E para quem pensa em colocar aquele “sobrinho, conhecido ou assessor que mexe com internet” para cuidar das estratégias de mídias sociais, pode parar e pensar melhor, pois corre o risco, com esse descuido, de deixar escapar a vitória. Internet é Meio + Mensagem. É preciso dominar os dois. Adaptações devem ser feitas com muito cuidado e nem toda boa ideia é recebida como planejado. Algumas se transformam em verdadeiros fiascos e até contribuem para a oposição. É imprescindível ser rápido, tanto para identificar oportunidades de avanço quanto para reconhecer necessidades de recuo e mudança de rumo.

O bom humor deve estar presente, mas com responsabilidade e sem exageros. A crítica deve ser muito bem fundamentada e qualquer problema apontado deve sempre estar acompanhado de uma sugestão de solução.

O mais importante de tudo é saber com quem se estará lidando e qual a linguagem correta a ser utilizada. Os programas de TV não poderão simplesmente serem “postados”. Terão que ser adaptados, não apenas no conteúdo, mas, também, na linguagem, com som mais limpo (música mais baixa), imagens mais próximas e planos mais longos, que funcionam melhor nas telas menores. Novas linguagens também deverão ser buscadas, como os vlogs, as webséries, os curtas, os documentários e os pequenos comerciais criativos.

Aliás, CRIATIVIDADE será o diferencial dessa nova campanha. Uma criatividade diferente, online, instantânea e antenada com o que ocorre aqui e no mundo todo.

E que vença o melhor, ou melhor, o mais CONECTADO!

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