terça-feira, janeiro 31, 2012

Ricardo traiu a Paraíba



Ricardo não traiu Marlene, nem Aldo, nem Rangel, nem eu, nem você.

Ricardo traiu a instituição pública mais importante do estado da Paraíba.

Independente de quanto valha o seu patrimônio material, imaterial, científico, acadêmico, técnico, operacional ou qualquer outro, a Universidade Estadual da Paraíba é, sob todos os aspectos, o que esse pobre estado tem de mais valioso, assim como no deserto o que se pode ter de mais valioso não é a água, mas o camelo.

A UEPB representa a nossa única chance real de progredimento e de recuperação de uma história secular de descaso com a educação e com a formação de competências aptas a empreender as ações necessárias para que a Paraíba não precise nunca mais depender de coronéis da política, das sobras deixadas pelos saqueadores de recursos públicos ou das esmolas oferecidas pelos caciques da bandidagem nacional.

A UEPB é a nossa cáfila.

Ao tomar uma atitude digna dos piores regimes ditatoriais já conhecidos – aqueles comandados por ignorantes com medo do poder do conhecimento – o atual governador consegue, com apenas um ato, transformar-se no pior governante com o qual a instituição já conviveu. A professora Marlene e vários outros, que lutam pelos interesses da universidade desde o governo de Wilson Braga, passando por Burity, Ronaldo, Mariz, Maranhão I, II e III e Cássio I e II, serão capazes de reconhecer isso. Nenhum deles teve a coragem de, deliberadamente, peitar, de uma vez só, a Lei, os alunos, professores e funcionários, os ex-alunos - que mantém uma relação de extremo afeto com a instituição que os formou - e todos aqueles que veem na universidade pública, gratuita e de QUALIDADE a luz no fim do túnel de suas próprias existências, de seus descendentes e do seu estado.

Mas não foi só a estes tantos que o governador atingiu.

A principal vítima do ato covarde tomado pelo governante foi uma só pessoa: ele mesmo.

Com a atitude tomada neste fatídico dia 31 de janeiro de 2012, Ricardo Coutinho escreveu em sua biografia, como se houvesse tatuado em sua própria testa, a frase “Eu não sou digno de CONFIANÇA”.

Daqui por diante, quando Ricardo disser que vai fazer uma coisa, ninguém terá certeza se ele realmente fará ou se só está dizendo aquilo para conseguir algo dos que de alguma maneira serão beneficiários do resultado do cumprimento de sua promessa.

Sua palavra não vale mais.

A pecha de TRAIDOR figura agora em sua história, não porque lhe deram algum motivo para reagir, pois ele trai a quem como poucos se sacrificou para que ele pudesse estar onde está e para que o governo não tivesse sido inviabilizado em sua etapa mais crítica, seja abrindo mão de recursos que lhe são garantidos por lei, seja executando com seus próprios recursos ações que são de responsabilidade exclusiva do Estado.

É por isso que a traição está doendo tanto e em tanta gente. Porque foi covarde, cruel e dissimulada.

Porque foi pelas costas.

Mas traição não se paga com vingança. Traição se paga com PERDÃO.

Ricardo merece ser perdoado. Seja pela falta de maturidade ou pelo excesso de arrogância. Pela falta de visão ou pelo excesso de presunção. Por si ou pelos que o rodeiam.

João Pessoa, Campina Grande, Patos, Guarabira, Monteiro, Araruna, Catolé do Rocha, Lagoa Seca e todas as cidades que têm, tiveram ou ainda querem ter um filho seu formado pela melhor universidade estadual do Norte-Nordeste brasileiro deverão, nos próximos dias, com muita altivez, mostrar ao governador que, apesar do que lhe dizem seus mais próximos assistas, ele é, sim senhor, capaz de errar e, cabe a ele provar, também, capaz de corrigir seus próprios erros.

Além de todos os paraibanos "comuns", são convidados a participar dessa luta com ainda mais ênfase aqueles que defenderam, lutaram e trabalharam pela autonomia, como o senador Cássio Cunha Lima - que sabe mais do que ninguém o valor da lei e o quanto todos, inclusive ele, perdem com a sua desobediência -, o vice-governador Rômulo Gouveia, todos os demais senadores, deputados, vereadores, líderes sindicais, estudantis e comunitários. 

TODOS.

E que ao final dessa batalha, que haverá de ser vencida pelo povo paraibano, pelo bem do estado e pela manutenção da governabilidade, Ricardo seja perdoado, mas que esse erro jamais seja esquecido.

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