sábado, março 03, 2012

Golaço da ADUEPB



A última sexta-feira foi um dia dos mais importantes para o atual momento da UEPB.

As duas categorias de trabalhadores que compõem o corpo técnico-administrativo e docente da instituição realizaram assembleias que poderiam ter como decisões mais importantes a deflagração de greves.

Na assembleia realizada durante a manhã, o SINTESPB decidiu pela greve dos funcionários a partir do dia 5 de março, data de início do semestre acadêmico 2012.1 na Universidade.

O sindicato alegou como “principal motivo da paralização o não respeito à data-base salarial, que desde janeiro de 2011 não vem sendo respeitada.”

Na assembleia realizada no turno da tarde, que se estendeu até o início da noite, veio a grande notícia do dia. A greve, apesar de esperada por muitos, sequer foi votada pelos professores.

Depois de horas de discussão e do que alguns presentes descreveram como uma cena hilária, quando o principal dirigente da categoria teria, diante do encaminhamento de um texto de uma nota que não teria lhe agradado, tentado encerrar a assembleia “à força”, de maneira atabalhoada, no mais puro estilo “não brinco mais”, a categoria dos professores decidiu iniciar normalmente as atividades do semestre letivo.

Essa foi, sem dúvidas, a maior vitória da UEPB ao longo de todo esse processo.

A partir de segunda-feira entrará em campo a mais numerosa, importante, ativa e mobilizada categoria da Universidade: os mais de 20 mil estudantes, interessados diretamente na demanda entre a instituição e o Governo do Estado e maiores afetados pela decisão unilateral do governador de não cumprir a lei da Autonomia Financeira e a lei orçamentária de 2012.

Esses estudantes, que até agora estavam afastados do debate, embora participando indiretamente através de seus representantes, finalmente poderão conhecer a fundo o que realmente está acontecendo, nas versões da Universidade e do Governo, debater entre si, a partir do que lhes for apresentado em fatos e documentos e, de acordo com o seu entendimento, passar a participar efetivamente da demanda, defendendo a Universidade na sua luta pela Autonomia ou tomando o partido do Governo, que garante estar repassando o suficiente para a Universidade sobreviver, crescer e, neste momento, em especial, conceder aos seus servidores os aumentos que vêm represando desde 2010, quando começaram os cortes significativos de recursos para a instituição, primeiro com o Governo Maranhão, que ficou devendo mais de 60 milhões à UEPB, e depois com o atual Governo, que, alegando um verdadeiro caos em suas finanças em 2011, apelou à Reitoria para que lhe desse um voto de confiança e continuasse recebendo menos do que lhe era devido no ano passado, com a promessa de quitação de toda a dívida e normalização dos repasses no início deste ano.

A ADUEPB fez um golaço na assembleia da última sexta-feira e todos os que dela participaram e a conduziram para esse resultado merecem a gratidão da Universidade.

O SINTESPB, que poderia ter feito o lançamento para o gol, jogou a bola para a lateral.

Graças à decisão dos professores de não enveredar pelo caminho da paralização, a entidade proporcionou à UEPB a oportunidade que precisava para falar cara a cara com seus alunos e mostrar-lhes o que todos – professores, funcionários, alunos e a população paraibana – têm a perder com a quebra da autonomia.

O governo, por sua vez, também terá a oportunidade de apresentar aos estudantes os dados que tem divulgado na mídia e buscar o apoio do corpo discente à sua tese de que a Universidade não vinha aplicando corretamente seus recursos e que esse dinheiro será melhor aproveitado pelo governo em sua política de investimentos em grandes obras, como o recém-lançado PAC da Paraíba.

Se fosse uma partida de futebol, o time da Universidade já teria agora diretoria, treinadores e comissão técnica. Na segunda chegam as peças mais importantes da equipe: os jogadores.

Mas, perguntar não ofende, se fosse uma partida de futebol, quem seriam os jogadores da equipe do Governo?

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