quarta-feira, março 07, 2012

O "puxincói" sindical



Quando eu era menino, sempre que mudava de opinião várias vezes a respeito de determinado assunto fazia minha mãe exclamar uma frase interessante: “Ô ‘puxincói’ danado!”

O “puxincói” de minha mãe, corruptela do termo “puxa e encolhe” ou, como celebrizou a indefectível Xuxa, “estica e puxa”, está muito em voga nos tempos atuais, principalmente se o aplicarmos à política, onde vimos recentemente um vídeo, produzido pelo movimento de apoio à Autonomia da UEPB, no qual o então Deputado Ricardo Coutinho diz, durante a sessão histórica da Assembleia Legislativa que aprovou a Autonomia Financeira da instituição, que comparar os repasses do Governo para a UEPB com os de outros órgãos do Estado era uma forma de “impedir a expansão, o fortalecimento e a consolidação da nossa Universidade”.

O mesmo Ricardo, recentemente, como Governador, divulgou nota onde justificava os cortes no orçamento da “nossa Universidade” comparando-a com o Tribunal de Contas, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa.

“Ô ‘puxincói’ danado!”

E o sindicato?

Tá ficando até feio para alguns dirigentes das categorias de trabalhadores da UEPB a quantidade de mudanças de opinião ao longo desse processo.

Primeiro tentaram colocar toda a culpa da crise entre a UEPB e o Governo na Reitora, que teria assumido pessoalmente as negociações com o Governo desde o início de 2011, sem dar espaço aos sindicatos, embora ela jamais tenha negado aos representantes das categorias o acesso ao Governo ou à própria Reitoria.

Depois acusaram a Reitora de se negar a participar do debate com o Governo por não estar presente nas reuniões entre as equipes do Governo e da Universidade.

Se vai, reclamam. Se não vai, reclamam.

Que eu saiba, o cargo de Reitor é muito mais político do que técnico. Se as reuniões estão sendo chamadas popularmente de “mesas técnicas”, o que danado a Reitora vai fazer lá?

Politizar a discussão?

Atrapalhar o confronto frio dos números falando em crianças, jovens e velhinhas que precisam desse dinheiro para fugir da violência, do desemprego e da solidão?

Não, né?

A estratégia parece mesmo ser colocar a culpa de tudo na figura pessoal da Reitora. Esquecem aqueles que pretendem concorrer ao cargo que ela ocupa  hoje que ela não pode mais ser reeleita.

Das duas, uma: ou têm absoluta certeza do poder que ela tem de eleger seu sucessor, independente de quem seja, ou então já descobriram quem ela vai apoiar e até agora não encontraram nada para falar sobre a pessoa.

Ou das duas, as duas!

Tentam fazer a opinião pública acreditar que é Marlene quem deveria estar à frente, pessoalmente, da discussão sobre as reivindicações salariais dos professores e funcionários da UEPB com o Governo, e não os sindicatos.

Puxando pela memória, quando houve a histórica greve de fome dos sindicalistas da UEPB, liderados pela professora Marlene, para serem recebidos pelo então Governador Maranhão, que se negava a dar o aumento solicitado pelos professores, ela era o quê?

Sindicalista ou Reitora?

Talvez o problema seja justamente a capacidade ou disposição dos atuais dirigentes sindicais para fazer certos sacrifícios pela instituição ou, pelo menos, por aqueles que representam.

Outra moda lançada recentemente por nossos sindicalistas foi um tal de “antiproreitorismo sindical”, que consiste, basicamente, em tentar evitar em qualquer evento público destinado a discutir a atual situação da UEPB todos aqueles que participem de alguma maneira da atual administração, principalmente os pró-reitores, que deveriam ser justamente os mais festejados nesses eventos por serem, de fato e de direito, os responsáveis diretos por tudo de bom e de ruim que haja na Universidade. Aptos, portanto, para debater em qualquer nível, sobre qualquer assunto.

O mais surreal nessa história é que recentemente os pró-reitores foram acusados de "armar uma estratégia" para comparecer à assembleia dos professores com o objetivo de, veja só,  evitar a Greve.

Afinal, isso é uma acusação ou um elogio?

Eu, particularmente, se foram mesmo eles os responsáveis, os agradeço profundamente por isso.

Não que a participação em assembleias e outros debates políticos, administrativos e acadêmicos não seja uma notável demonstração de responsabilidade e diligência por parte dos pró-reitores e de todos aqueles que ocupam cargos na Reitoria, mas, acredito eu, é uma obrigação de todos eles participarem ativamente de todos os eventos aos quais forem convidados – como são todos professores, as convocações para assembleias os atingem diretamente – e, principalmente, àquelas ocasiões nas quais as decisões tomadas podem influir decisiva e negativamente no andamento das atividades acadêmicas, que também lhes alcança, mas que afeta de forma muito mais importante os milhares de estudantes que efetivamente mantém a Universidade viva, pensando, produzindo conhecimento e com poder de reação aos ataques externos, o que aqueles que foram eleitos por seus pares têm se esquivado de fazer por interesses absolutamente inconfessáveis e graças à mais pura subserviência, ou, como gostam muito pouco de ouvir, ao seu "peleguismo".

Preferem mudar de ideia a cada vento, encerrar reuniões com auditórios cheios diante simplesmente da perspectiva de não conseguirem impor suas vontades e não conseguem ver, com isso, que o que permitem, apenas, é que todos possam ver o quanto são “moles”.

Deviam deixar de fazer tanto barulho por nada e pensar mais no verdadeiro motivo pelo qual foram eleitos: defender melhores condições para o trabalho e não forjar piores condições para a greve.

E sem "puxincói"!

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