sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Contra argumentos, só fatos



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A disputa entre a UEPB e o Governo do Estado da Paraíba acerca do não cumprimento da lei da autonomia financeira da instituição para alguns é uma batalha de argumentos, já que as duas partes baseiam-se no mesmo texto – a já citada lei – para elaborar suas colocações.

O governador, que até agora não se deu ao trabalho sequer de aparecer na mídia para falar diretamente com a população sobre o caso, e até alegou uma afonia relâmpago para não comparecer à primeira sessão de 2012 na Assembleia Legislativa, tem se utilizado de um verdadeiro “pelotão de choque” para enfrentar os representantes da universidade, não se sabe se por falta justamente de argumentos capazes de convencer o povo da Paraíba, por não querer se utilizar dos subterfúgios até agora praticados por seus assessores, por medo que o caso prejudique ainda mais sua imagem já tão desgastada neste pouco tempo de poder ou se por falta de condições morais para encarar a reitora que tanto contribuiu com sua eleição para o cargo que ocupa e a quem ele deu sua palavra de que honraria o compromisso do Estado para com a instituição a partir deste ano.

De qualquer forma, o que pode ser observado nestes últimos dias é um lado da demanda tentando levar a discussão para o campo dos argumentos, enquanto o outro vem, desde o início, apegando-se aos fatos.

O governo alega, em seu principal argumento, que como a lei estabelece que o mínimo a ser repassado é 3%, qualquer valor acima disso que for dado à UEPB é mera liberalidade de Ricardo e sua equipe.

Ou seja, dá se quiser.

Não é bem assim.

O importante a se observar nesse aspecto é a insistência dos representantes do governo em ficar repetindo esses 3% como um mantra, quando o artigo já nasceu inválido pelo fato de ainda no primeiro ano da lei em vigor o Estado já haver superado esse número.

O que quer o Estado com essa repetição de informação? Ameaçar? Chantagear? Constranger?

Acho que não. A palavra certa, no meu entender, é CONFUNDIR.

Resta saber se tem alguém "comendo essa corda"...

A UEPB já provou e comprovou que em 2011 os repasses corresponderam a 5,77% da receita e se a lei determina que o percentual não pode mais ser reduzido, a lógica manda que se cumpra a lei.

Além do mais, não estamos tratando de um grupo de manifestantes despreparados, membros de alguma parcela menos educada da sociedade, e sim de pessoas que merecem os altos títulos que possuem e são referências em suas áreas de conhecimento.

Mas lógica não é, de nenhuma maneira, uma palavra a ser utilizada em relação a determinados atos desse governo.

Ilógico é o argumento de que com o dinheiro “economizado” através do calote à UEPB o governo deseja atender outras demandas mais urgentes do estado. Alguém aí conhece demanda mais importante e urgente do que EDUCAÇÃO? Quem souber, agradeço de puder apontar.

Extremamente desrespeitoso é dizer que “não se sabe para onde vai o dinheiro repassado à UEPB”. Não bastasse o fato de que a universidade sofre fiscalização permanente e suas contas são minuciosamente auditadas pelo Tribunal de Contas do Estado, bastaria fazer uma “auditoria popular”.

Pergunte aí, seu Ricardo, se o povo acha que a UEPB está investindo bem o dinheiro que recebe!

Pergunte se os professores estão achando ruim ter seus salários bem maiores do que o senhor paga aos professores da rede estadual.

Pergunte aos funcionários se eles acham injusto receber tão bem quanto os funcionários com funções equivalentes empregados nas melhores empresas da iniciativa privada, ao contrário dos funcionários do Estado que precisam recorrer a todo tipo de “viração” pra poder sobreviver.

Pergunte aos 18 mil alunos dos 46 cursos de graduação, dos 13 mestrados e dos beneficiados por todos os cursos e projetos de extensão se eles acham que a estrutura oferecida hoje em dia, em relação ao que era antes, está “demais” ou “de mais”.

Pergunte aos moradores das sete cidades contempladas com cursos da UEPB após a conquista da autonomia se eles estão gostando de ver seus filhos estudando “no terreiro” de casa ou ainda o que eles acham da verdadeira revolução na economia e no comércio provocada pela chegada dos câmpus ao interior.

Pergunte às famílias de todo o Nordeste se elas acham exagero investir em cursos para oferecer oportunidade de capacitação profissional não apenas para filhos da Paraíba, mas também de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, Maranhão, Alagoas, Sergipe, Bahia e outros estados. Aí o senhor aproveita e pergunta aos donos de imóveis, mercados, restaurantes e outros setores da economia de Campina Grande o que eles acham dessa "clientela".

Pergunte a esse povo de outros lugares se eles reagiriam contrários caso os governos dos seus estados tivessem a mesma sensibilidade que o nosso governo já teve um dia para dar prioridade à educação e saber entender o que representa, de fato, o ensino superior para o soerguimento de uma região.

Pergunte à classe artística, que tanto fez pelo senhor, se eles estão achando ruim ter na UEPB a única instituição desse estado que atualmente lhes dá oportunidade de desenvolver seus projetos na área da música, literatura, teatro e, principalmente, cinema. Aliás, pergunte aos nossos diretores e atores premiados se eles acham exagerado dar dinheiro a uma instituição para que ela invista em formação, produção e difusão de cultura e arte que levam o nome e a cara da nossa gente para o mundo todo.

Finalmente, como os seus asseclas insistem em afirmar que a UEPB recebe mais do que outros órgãos do poder legislativo e judiciário, PERGUNTE AO POVO DA PARAÍBA QUEM ELES ACHAM QUE DEVE RECEBER MAIS, DE ACORDO COM OS SERVIÇOS QUE PRESTA AO ESTADO.

Se o povo disser que deve receber mais a maravilhosa Assembléia Legislativa, com os seus paladinos da moral e da ética, ou os diligentes e dinâmicos órgãos do Judiciário, que tanto nos orgulham pela sua competência, celeridade e isenção – principalmente nas demandas eleitorais – tudo bem, bote o dinheiro todo lá, fechemos a UEPB e vamos todos viver de catar lixo, o que não é demérito para ninguém, já que no Brasil até irmão de governador enrica trabalhando nesse ramo...

Um comentário:

Ramiro Manoel Pinto disse...

Quem não se movimenta, está morto ! Em defesa da UEPB, VIVA ! Viva a UEPB ! UEPB VIVA ! Viva a Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação da Paraíba ! VIVA ! Viva a UEPB ! UEPB VIVA ! Viva a defesa deste Patrimônio Cultural, Material e Intelectual que é a UEPB ! Viva a UEPB ! UEPB VIVA !