quarta-feira, fevereiro 15, 2012

UEPB x Governo: uma Ilustração



Uma das mais interessantes ferramentas a ser utilizada quando se deseja passar uma mensagem de maneira clara, instrutiva e simplificada é a ilustração.

Para que se torne ainda mais fácil não apenas entender, mas, sobretudo, explicar o que se passa entre a UEPB e o Governo do Estado, você que defende a autonomia financeira da instituição pode utilizar a seguinte ilustração:

Francisco é um representante de produtos diversos, com renda mensal variável, que tem uma filha de 19 anos, a Júlia.

Até alguns anos atrás, a Júlia não tinha mesada. Francisco lhe comprava o que precisava para sobreviver e, aqui ali, lhe dava uma roupa, um brinquedo, uma graninha para comprar uns “bombons”...

Um dia, Júlia, já cansada dessa relação de absoluta dependência, propôs ao pai que ele lhe pagasse uma mesada fixa, mas, mais do que isso, que fosse baseada no que Francisco ganha mensalmente.

Com isso, Júlia iria alcançar sua autonomia financeira, podendo planejar e executar livremente suas despesas, juntar um dinheirinho para compras maiores (um celular, um videogame, uma bicicleta...) e, o mais importante, tinha a certeza de que Francisco não iria se apertar, pois se sua renda caísse a mesada de Júlia também cairia.

Por tabela, Júlia se tornaria grande torcedora e parceira do sucesso financeiro de Francisco, já que isso lhe interessava diretamente.

Estabeleceram então que Francisco daria a Júlia, mensalmente, 3% do que faturasse em seu trabalho e que à medida em que Júlia fosse crescendo esse percentual também seria elevado, de maneira que ela pudesse bancar suas novas necessidade de adolescente e, em seguida, de jovem.

Estabeleceram também que todo aumento no percentual seria automaticamente incorporado à renda e não mais retirado, em hipótese nenhuma.

E assim foi feito. Logo no primeiro ano Francisco já deu mais de 3% de sua renda. Júlia ganhou um cachorrinho e Francisco aumentou a mesada em 0,5% para ajudar a cuidar do bichinho. Depois veio uma bicicleta, comprada com as economias feitas por Júlia, e mais 0,5% para a manutenção. Em seguida, um computador com impressora - também comprado com o dinheiro da mesada - e mais 0,5% para CDs e DVDs, papel, tinta etc.

No ano passado Francisco prometeu a Júlia que lhe daria 5,77% de tudo o que faturasse, mas como passou por um aperto financeiro, causado por um ex-sócio que deu um desfalque na empresa e por haver gastado muito em uma campanha de vendas, acertou com a filha que iria lhe dar um pouco menos, mas que assim que o ano novo chegasse acertaria a diferença e voltaria a cumprir o acertado.

Chegou o ano novo e nada de Francisco pagar o que havia ficado devendo no ano que passou.

Mas o pior mesmo foi no final de janeiro. Ao invés de voltar a pagar os 5,77% Francisco só pagou 4,54%. Quando Júlia foi reclamar a diferença, Francisco se fez de desentendido e disse que só devia aquilo, “espertamente” invocando o acerto feito lá no começo da história para dizer que só tinha a obrigação de dar o que já estava dando.

Quando Júlia lhe lembrou que o que vinha recebendo já estava defasado e que Francisco havia pedido para pagar menos porque estava “apertado”, mas prometera regularizar tudo no ano novo, aí Francisco se fez de desentendido, tentou mudar de assunto e até pôs em dúvida se Júlia precisaria mesmo de tanto dinheiro e se ele concordaria com a forma como Júlia estaria aplicando sua mesada.

Obviamente aquela postura deixou Júlia surpresa e transtornada, sentindo-se traída e enganada, ludibriada por seu próprio pai, que deveria ser o mais interessado em seu progresso e crescimento pessoal, até porque Júlia jamais havia se importado em ajuda-lo no que fosse preciso, sem receber nada em troca, e até em investir parte de sua mesada em despesas que seriam responsabilidade de Francisco.

Agora Francisco tenta convencer Fernanda, sua esposa, mãe de Júlia, de que a filha está sendo gananciosa, que estava recebendo muito e gastando mal. Se faz de dono da verdade, utilizando seu próprio calote passado para tentar convencer Fernanda de que estaria certo em repeti-lo no presente.

Não sabe ele do amor que Fernanda tem por Júlia e que ela tem plena consciência da competência da filha para gerir sua própria vida. Não sabe Francisco, principalmente, que todo o dinheiro que havia repassado para Júlia ela estava usando para beneficiar a própria Fernanda, já que Francisco há muito tempo não dá a Fernanda a atenção que ela precisa e merece.

E assim, enganando Júlia e descuidando de Fernanda, é que Francisco tenta convencer a si mesmo que ainda é o melhor pai e marido do mundo.

Pronto, agora eu tenho certeza que está muito mais fácil para você explicar a qualquer pessoa que "moído" é esse entre o Governo da Paraíba e a UEPB.

E se alguém ainda tiver dificuldade para entender, use a ilustração:



4 comentários:

adelino_portfólio disse...

Fantástica ilustração!

Lucia Couto disse...

Bravooooooooooooo!!!! Um prazer conhece-lo pessoalmente nesse processo.

Lunna disse...

Muito bommmm! Compartilhado! =D

Ramiro Manoel Pinto disse...

Grande Emerson Saraiva, que triste o enredo desta estória, mas que na verdade pior é a HISTÓRIA REAL ... Campina Grande já foi atacada pelo PMDB ao mudar a distribuição do ICMS, agora vem o PSB para retirar muita grana de uma instituição estadual através da grande diminuição dos repasses da UEPB ... é triste, muito triste ... "nossos" representantes CALADÍSSIMOS ... na eleição virão FALANTES ... :o(